Vimos uma demo de Tomb Raider: Legacy of Atlantis

Estivemos numa demo à porta fechada de Tomb Raider: Legacy of Atlantis, na gamescom, e vimos o nível de Damocles reimaginado, entre nostalgia, acrobacias e um novo scanner opcional.

O pequeno Filipe fechado no seu quarto a jogar com a Lara Croft nos finais dos anos 90 nunca imaginaria que um dia estaria a entrar numa sala com a equipa responsável pelo novo título da saga Tomb Raider.

Mas aqui estou, bem crescido, prestes a ver mais detalhes da nova incursão no videojogo que, sem dúvida alguma, cimentou em mim a paixão pelo gaming.

À minha frente um ecrã com o título deste novo regresso às origens de Tomb Raider mantém o suspense no ar. “Legacy of Atlantis” apresenta-se tanto familiar como novidade. Não sei absolutamente nada do que vou ver aqui. E a página em branco do meu bloco de notas é o reflexo disso.

Raul Siqueira, Diretor de Jogo na Crystal Dynamics, e uma cara bem conhecida dos últimos vídeos promocionais deste Legacy of Atlantis, começa então a apresentação revelando-nos que iremos até à Grécia, para assistir a uma apresentação exclusiva do famoso nível de Damocles do Tomb Raider original.

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Um legado reimaginado

Mais do que um remake do jogo que em 1996 deu início à saga de Lara este Legacy of Atlantis assume-se mais como um reinterpretar daquilo que já foi feito. Afinal, em 2007, já houve um remake com o lançamento de Tomb Raider: Anniversary, que celebrou os 10 anos da franquia na altura, e refazer só tudo isso outra vez seria uma ideia desperdiçada.

E esta nova abordagem mostra-se logo como algo bem diferente. A Lara que vejo no ecrã, através da demo jogada à nossa frente, apresenta-se com uma nova imagem. Embora lembre e traga todos os traços icónicos da personagem, esta Lara parece uma fusão da rapariga mais frágil ou inocente da trilogia Survivor com a mulher badass e confiante com a qual eu cresci.

Destaque também aqui para o voice acting de Alix Wilton Regan, que vai fazendo comentários pelos cenários conforme se descobrem pistas ou relíquias, num tom que mostra uma Lara mais adulta e com muito mais conhecimento, consolidando bem o crescimento pelo qual passou desde o último título: Shadow of the Tomb Raider (2018). É curioso como este Legacy of Atlantis vai refazer o primeiro Tomb Raider e ao mesmo tempo parece um culminar de tudo o que já foi feito até agora, como um ciclo que se encerra para nos abrir novas portas.

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Um legado reimaginado

Algo que salta à vista enquanto a demo é jogada são as cores vibrantes que encontramos pelos vários cenários enquanto Lara resolve mais um dos tradicionais puzzles. Até a cor das roupas de Lara se destaca, colocando-se bem longe dos tons cinzentos da última trilogia. Há um claro distanciamento dessa perspetiva mais realista ou humana, justificado pela evolução da história e personagem, mas também por este regresso às origens. A luz do jogo é outro destaque, muito bonita, e dando uma aura fantástica ao monumento de Damocles.

E aqui há uma mistura de nostalgia, mas também de inovação. Agora Lara tem um scanner que a ajudará a destacar objetos e elementos interativos úteis para a navegação, descoberta de lore ou para a resolução de quebra-cabeças. Receando que isto torne o jogo demasiado fácil para os jogadores mais ávidos por puzzles que puxem por nós (como eu), perguntamos a Raul Siqueira se haverá alguma forma de não usar este scanner e a resposta, para meu grande alívio, é de que será totalmente opcional. Podemos usar o scanner para procurar mais detalhes sobre a história dos túmulos e templos, mas não teremos de o usar sempre na resolução dos puzzles.

As acrobacias, tão pedidas pelos fãs, também estão de volta em força. São usadas na escalada, nas plataformas, em combate e até só por diversão em momentos em que a equipa nos faz questão de mostrar ao vivo: sim, a Lara acrobática está de volta.

Se isso é realista ou não, pouco importa. Os fãs sabem que Tomb Raider nunca foi sobre ser totalmente realista e é com agrado que a sala, repleta de jornalistas e criadores de conteúdo, assiste à demonstração deste recurso que promete mais variedade na jogabilidade.

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Respeitar o passado, com um olhar moderno

Já a chegar ao final desta demo, que dura cerca de 20 minutos, é nos mostrado que ao colecionar as relíquias escondidas pelos níveis iremos desbloquear algumas recompensas, como o fato clássico de Tomb Raider: Legend que nos é mostrado logo a ser usado por Lara. O jogador poderá, se assim entender, mudar o aspeto de Lara quando quiser.

E esta homenagem ao adorado Legend, remete-me para o novo sistema de focus, que ao ser recarregado nos permitirá abrandar o tempo e ter assim uma ajuda essencial em combates mais intensos. Este lembra-me, sim, o Adrenaline Mode que já tivemos em Legend, mas agora numa versão mais aproximada dos jogos mais modernos.

Quando a demo termina e passamos para a sessão de perguntas e respostas, a minha questão recai sobre as áreas mais abertas do jogo. É óbvia a tentativa de trazer novidade aos níveis, que se apresentam mais amplos, com mais grandeza, mais detalhes de vegetação e água, como cascatas que antes não existiam ali. Mas até que ponto teremos áreas abertas? Serão estas mais semelhantes aos hubs abertos da trilogia Survivor ou mais fechadas?

Raul Siqueira agradece-me, elogiando a questão, e responde diretamente: “Queremos dar liberdade ao jogador, convidar à exploração, e dar-lhe uma sensação de surpresa. Por isso, os níveis permitem explorar um pouco mais além do caminho definido, mas sem nunca se tornarem em áreas mais abertas como na trilogia passada”.

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A espera

O maior elogio que posso dar ao que vi nesta demonstração é que já só queria ser eu a jogá-la. Mesmo tratando-se ainda de uma versão alfa do jogo, este nível pareceu-me já muito perto de finalizado.

Este Tomb Raider: Legacy of Atlantis sente-se mesmo como um regresso às origens, mas ao mesmo tempo como algo totalmente novo na franquia, sem nos fazer sentir que estamos simplesmente a jogar outra vez o mesmo jogo.. É com essa certeza que saio da sala da nossa reunião para o lobby todo decorado com imagens da nova Lara Croft, como um templo ao ícone que marcou gerações.

Lá fora, nos corredores concorridos da gamescom, ninguém imagina o que acabámos de ver e ainda terei de guardar, por algum tempo, os segredos que este túmulo encerra.

Tiro uma fotografia junto a uma parede que orgulhosamente expõe Lara com as duas pistolas em ação. Estou autorizado a partilhá-la, dizendo apenas que vi uma demo (mais nada), e não passa muito tempo até ter uma legião de fãs de Tomb Raider com perguntas e vários pedidos nas minhas redes. Peço-lhes que esperem mais um pouco. O entusiasmo por este título é palpável e os fãs implacáveis. E os estúdios a cargo dele, a Crystal Dynamics e o Flying Wild Hog, sabem-no bem.

Quando me despeço da equipa por detrás deste título, da equipa de desenvolvimento aos responsáveis de relações públicas e marketing aqui presentes, já vem outra leva de jornalistas a entrar para mais uma demonstração.

Como uma engrenagem bem colocada num dos puzzles que abrirá portas à nossa passagem quando Tomb Raider: Legacy of Atlantis chegar a 12 de fevereiro de 2027, cada olhar curioso que entra naquela sala é mais uma peça no caminho deste novo capítulo, de olhos postos no futuro.

Sem nunca esquecer o seu passado.

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Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

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