O Homem Vazio

O Homem Vazio tem tanto de incrível como de vazio e julgo que esta é uma boa forma de descrever este livro desde a sua partida. Continuo com a minha pequena aventura de eliminar o meu backlog no que toca à Banda Desenhada. Andava algo curioso para ler este em específico, principalmente porque está programada uma adaptação cinematográfica, produzida pela recente renomeada 20th Century Studios, com data de estreia agendada para agosto de 2020. Pelo que parece e após esta leitura, o filme será diferente do enredo original, com personagens novos e mantendo apenas algumas bases. Se por um lado não me deixa muito confortável quando no cinema fogem em demasia às origens, aqui poderá ser uma boa aposta. Esta é uma história de Cullen Bunn e conta com a arte Vanesa Del Rey, lembrando que em 2018 esta história regressou para mais alguns volumes.

A arte deste volume, que é composta pelos 6 capítulos originais, apresenta-se com um traço bem único para o que tenho andado a ler nos últimos tempos. Julgo que posso mesmo dizer que é algo estranho ver estas ilustrações, com alguns momentos onde parece que falta alguma coisa. O estilo utilizado é tão agradável como confuso, entrelaçando com a sinistra história que nos vai sendo apresentada. Se por um lado, temos um ambiente único e com momentos trabalhados de forma ideal para o enredo, noutro lado nem sempre é fácil de compreender o que está a acontecer e o mais confuso que aqui encontrei foi reconhecer alguns personagens mais secundários. Se há personagens que tem uma linha distinta e bem trabalhada, temos muitos que se confundem no meio de todo o acontecimento. Sinto que arte deste volume se perde em demasia, apesar de alguns momentos que ficaram nitidamente interessantes. Uma experiência estranha e que nem sempre me deixou realmente satisfeito.

A história por si, é altamente sinistra e em toda a sua extensão parece sempre faltar algo. Tal como a arte, não é muito consistente e apesar de ter uma premissa que nos levanta uma enorme dose de questões, parece que se vai perdendo ao longo das páginas e nunca acaba por explicar grande coisa. Quando virei a última página senti-me totalmente perdido e sem perceber como realmente acabou daquela forma. Talvez já houvesse alguns planos para que a história fosse explicada mais à frente, mas o certo é que deixa muito por responder e apesar de algumas das ideias receberem uma conclusão até ao final do livro ainda ficou muita coisa em aberto. A história vaga que nos é apresentada não estabelece pontos de conclusão interessantes no final e acaba por ficar cada vez menos interessante em cada página.

O Homem Vazio é uma mistela de diferentes sensações e se tem pontos muito bons para se ler e observar, tem também muito que nos deixa pouco entusiasmados. Acaba por ser um livro razoável e apesar de achar que muitos podem ter aqui uma bela experiência, por aqui acabou por sair algo vazio. Senti-me mesmo frustrado no final, pois em vários momentos fiquei mesmo muito interessado em concluir algumas ideias que fui criando ao longo da história, mas não houve forma de se responder a tudo e quando virei a última página, a única coisa que saiu de mim, foi: A sério? Termina assim? Talvez possa-me ter passado algo ao lado e não tenha tido a experiência mais perfeita nesta história, mas não me inspirou o suficiente e acabou por se tornar uma ideia razoável.

Capa
5.5
O Homem Vazio / The Empty Man
Assim Assim
História de Arte de
Lançamento dezembro de 2018 1
Distribuição por
  • Tonalidade interessante e representativa dos acontecimentos
  • Traços dos personagens e dos cenários por vezes confusos
  • História demasiado vaga e sem uma ideia final concreta
Eduardo Rodrigues
Escrito por: Eduardo Rodrigues

Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.