A Verdade – Menos dramático, mais cómico

A Verdade reúne um conjunto agradável de atores – com caras conhecidas – e um plot que se assiste, bem, com gosto e de uma forma rápida. Com cerca de 1h40 minutos de duração, A Verdade trata-se de um filme dramático que algumas gargalhadas – para não dizer muitas – faz entoar na sala de cinema.

Relata uma história atual, em torno de uma atriz madura, Fabienne Dangeville, interpretada por Catherine Deneuve, que começa por contar ao espectador um pouco de si, numa entrevista que se encontra a fazer em sua casa. Isto claro, antes da chegada da sua filha Lumir, cuja personagem é interpretada por Juliette Binoche, esposa de Hank (Ethan Hawke).

A filha, bastante diferente da mãe, acaba por vir de Nova Iorque até Paris, onde passa um bom conjunto de dias na casa onde foi criada. E é aqui que se começa a conhecer ambas as personagens e a relação entre elas. Durante todo esse processo, há momentos mais dramáticos, mais cómicos, sérios ou incógnitos. Todavia, de um modo generalizado, o fio condutor que guia a sua aproximação é elegante e capaz de dar a conhecer um pouco mais sobre ambas.

Por outras palavras, no desenrolar dessa grande linha condutora, o espectador conhece Hank, Charlotte, Pierre e, finalmente, Manon Lenoir, que acaba por se demonstrar o desbloqueador da história em si. A verdade é que A Verdade não parece ser tão dramática como eventualmente se poderia imaginar. Aliás, tampouco envolvente ou passível de criar a potencial queda de uma lágrima no decorrer dos acontecimentos.

A Verdade peca, por isso, na criação de uma envolvência maior para com o espectador e nalguns momentos de transição entre atos – literal e figurativamente. Não só porque, por um lado, a passagem de uma determinada cena para outra parece algo sem sentido, como, do mesmo modo, é acompanhada por um efeito antigo de desvanecer da tela.

Finalmente, foi a relação entre mãe e filha, repleta de desentendimentos que surgem por via de detalhes menores, que permitiu que o mesmo fosse melhor do que antevia. Sem sombra de dúvida. Afinal, o papel interpretado por Juliette Binoche acabou por se demonstrar determinante para todo o filme.

Assim, A Verdade mostra-se como sendo interessante, mas não especial. Na categoria de Drama, o mesmo foi menos capaz do que, por ventura, numa vertente cómica. Isto é, a grande questão é o desenrolar de acontecimentos que, para o fim que visava, poderia ter sido bem mais caricato e feroz do que foi realmente.

Seja como for, vale a pena a sua visualização, num serão animado, mas concentrado, durante o fim-de-semana. Ainda que não se trate de um título que lembrarás para sempre ou que virá à memória em primeira instância na escolha de um filme para assistir, a verdade é que é equilibrado, pouco dramático e com uma pitada delicada de humor, que tornarão toda a experiência de o ver ainda mais tranquila.

Esta análise foi possível com o apoio da NOS Lusomundo Audiovisuais!
Capa
6.5
A Verdade
La Vérité
Satisfatório
Realização
Estreia 19 de março de 2020 Duração 106 min
Distribuidor
  • Momentos cómicos
  • Interpretação de Juliette Binoche
  • Não tão dramático quanto esperado
  • Incoerência entre algumas cenas
Pedro Henrique Carvalho
Escrito por: Pedro Henrique Carvalho

A Web descreve o Geek como alguém obcecado por um determinado Hobby ou objetivo. Assim sendo, seja na área da Cultura ou do Entretenimento, como em tantas outras, creio que me enquadro num nível acima do humildemente razoável.