Hancock, de Peter Berg

Hancock é um filme realizado por Peter Berg, distribuido pela Sony e que passou por uma conturbada produção, mas já lá vamos. Escrito originalmente por Vy Vincent Ngo, levando depois uma série de mudanças através de Vince Gilligan, que no final acabou por ser quase todo modificado pela própria Sony. As estrelas que contracenam neste filme são Will Smith como John Hancock, Charlize Theron como Mary e Jason Bateman como Ray, contando ainda com algumas presenças como Eddie Marsan que é o principal vilão, já Thomas Lennon e Johnny Galecki tem breves momentos neste filme.

No primeiro “episódio” desta crónica tive oportunidade de escrever um pouco sobre história e sobre a sua relação com o filme em questão, mas aqui isso não é muito fácil, visto estarmos a falar de super-heróis e até ver eles não são bem reais. De todas as formas há alguns pormenores muito interessantes acerca deste filme e principalmente acerca da sua produção que talvez desconheçam.

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Hancock tem já as suas origens nos anos 90, mais precisamente algures no ano de 1996, Vy Vincent Ngo desenvolveu o primeiro rascunho de um guião que prometia apresentar uma história de super-heróis bem diferente daquilo que os comics nos iam apresentando, o seu título era Tonight, He Comes. Um título que vai buscar toda a sua inspiração a um famoso ensaio do autor de ficção científica Larry Niven. Neste ensaio, intitulado de Man of Steel, Woman of Kleenex, o autor detalha todos os problemas que o famoso Super-Homem teria na sua vida sexual.

Agora imaginem o que seria apresentar um guião de super-heróis, totalmente adulto, numa altura em que os filmes do género ainda estavam longe do estrelato que hoje têm. Nada fácil certo? Por essas e outras razões esta produção acabou por andar de um lado para o outro até finalmente assentar. Uma história negra e diferente, algo longa para o normal e totalmente apontar para um público mais adulto levou a que o primeiro estúdio com o mesmo, a Warner Bros., tivesse recusado redondamente o projeto.

Após passar e saltar por vários estúdios e nenhum querer a sua produção, o produtor Akiva Goldsman entrou no projeto e fez gerar algum interesse acerca deste guião, mas foi necessário que John August e Vince Gilligan criassem algo novo com aquela história, algo que mais facilmente fosse aceite. Gilligan foi um dos rascunhos que seguiu em frente e quando conseguiram colocar Will Smith na produção, então em 2005 a Columbia Pictures deu o passo em frente, adquirindo os direitos para a produção de Tonight, He Comes.

Julgam que terminou aqui esta história? Nem por isso. Depois de Will Smith, entra Gabriele Muccino para a cadeira de realizador e o filme ganha data de lançamento para o Verão de 2006, mas havia um problema… só mais um. O realizador estava ocupado a terminar o seu The Pursuit of Happyness também com Will Smith e o próprio ator estava ainda envolvido no I Am Legend. Com toda esta sobreposição de horários acabou por passar a ter a sua data de lançamento marcada para o verão do ano seguinte, mas… Sim, vocês sabiam que vinha aí mais um mas. No decorrer do ano, Muccino acaba por largar a produção devido a diferenças ideológicas com o estúdio.

Voltamos então à questão do guião continuar a ser demasiado negro para um filme de super-heróis e com a Sony ao barulho e Will Smith sendo o principal monstro de bilheteiras do verão da época, o estúdio queria tirar proveito disso tudo. Sony + verão + blockbuster + Will Smith = Filme para todas as idades, ou o típico PG-13 como dizem nos EUA. Assim entra Peter Berg para a realização e com a ajuda da Sony, pegou no guião de Vince Gilligan e fez as alterações necessárias para ser aceite por todas as idades. Escusado será dizer que o filme termina completamente diferente da ideia original. Agendado finalmente para o Verão de 2008 e agora com o título John Hancock, que finalmente se viria a tornar apenas em Hancock, o filme foi enviado para o comité que trata das questões das idades, umas meras três vezes, até estar suavizado o suficiente.

Isto levou a que a versão cinematográfica tivesse um conjunto grave de incoerências. Felizmente a versão DVD aqui descrita tem uma versão especial com algumas cenas extras que melhoram significativamente a experiência deste filme. Uma história verdadeiramente louca que pode ter destruído um grande filme de super-heróis. Acredito que este guião chegou demasiado cedo e mesmo com todo o tempo de espera para avançar na produção, faltou mais um pouco. Nos dias de hoje, num pós-Deadpool, tenho a certeza que o guião original chegaria aos cinemas e provavelmente seria um sucesso muito maior, quer no público, quer na crítica.

Já viram Hancock? O que acharam?

Capa
Hancock
Realização
Estreia 3 de julho de 2008 Duração 92
Distribuidor
Eduardo Rodrigues
Escrito por: Eduardo Rodrigues

Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.