Libertem Willy

Com a existência de uma enorme palete de filmes com grande sucesso, é normal que esta longa metragem tenha passado ao lado de muita gente. Esta obra não se distingue apenas pelo seu êxito, pelos atores de grande calibre ou pela sua magnífica banda sonora, mas pelo legado que deixou, legado esse que ainda nos dias de hoje, inspira milhões de pessoas a lutar por aqueles que não têm voz.

Libertem Willy, é uma história sobre duas almas que estavam destinadas a encontrar-se e mostrar ao público que a amizade pode apresentar-se de maneiras que nunca esperamos.

Jason James Richter interpreta o protagonista Jesse, um rapaz de doze anos que tem uma infância bastante complicada. E com a ajuda do seu amigo Perry (Michael Bacall), decidem fugir da instituição onde se encontravam para ganhar a sua independência. Mas as coisas não correm bem e ambos são perseguidos pela polícia devido a pequenos furtos,  e acabam num parque marinho, onde Jesse conhece a sua “alma gémea” Willy (Keiko), uma orca que tinha sido capturada e vendida ao parque.

Nas instalações dos serviços sociais, por intermediário de um conhecido seu, Dwight (Mykelti Williamson), descobre que uma família, os Greenwood (Michael Madsen e Jayne Atkinson) querem adoptá-lo, independentemente do seu passado e mesmo os problemas que causou.

Jesse vê agora a sua vida completamente mudada, além de ter uma família com a qual não tem a melhor das relações, vai ter de arranjar tudo aquilo que estragou no parque marinho. É aí que ele conhece os seus “carcereiros” Randolph (August Schellenberg) e Rae (Lory Petty), que tentam ensinar ao rapaz que não se deve aproximar de Willy e respeitar o seu espaço, que como é óbvio não acontece e os dois formam uma ligação forte, quase como se fossem irmãos. Ao ver a ligação entre os dois, Randolph e Rae ajudam Jesse a treinar a orca, com um único objectivo, melhorar as condições de vida dela dentro do parque. Para isso, os donos organizam um evento/espetáculo, que não corre como o previsto, e então para recuperar todo o dinheiro perdido, eles decidem tirar a vida a Willy, fazendo parecer um acidente.

Os três juntamente com os Greenwood, resolvem levar o animal gigante para o mar, onde pode finalmente reaver a sua família. Como é lógico, isto nunca aconteceria na vida real, o mais provável era chamar a polícia e o controlo animal.

Naquela altura era impensável que um filme deste género tivesse sucesso, mas como disse em cima, teve e pessoas por todo o mundo começaram a fazer a mesma pergunta: “Agora que Willy está livre, o que irá acontecer a Keiko?”;”Vai continuar num tanque de cimento para o resto da vida a atuar?”

Foi então que se deu uma das maiores ondas de solidariedade, e milhões de pessoas por todo o mundo conseguiram juntar varias centenas de milhares de dólares, para que Keiko fosse libertado.

Mas não era assim tão simples, não se poderia pegar numa baleia que esteve anos em cativeiro e largá-la no mar. Então com o dinheiro angariado, construiu-se um centro de reabilitação onde o animal iria passar os próximos anos da sua vida até estar completamente recuperado de doenças como papiloma, falta de peso e massa muscular.

A parte mais difícil, era encontrar a sua família, que vivia na Islândia, o que não se sabe se realmente aconteceu. Aquando da sua mudança para uma sea pen na sua terra natal, todos os dias os cuidadores acompanhavam Keiko no seu passeio para encontrar a sua família, mas sempre que se aproximava de um grupo de orcas, esta dava meia volta. Até que um dia, Keiko, do nada se juntou a um dos grupos que por ali passava e viajaram até à Noruega, onde mais tarde, acaba por falecer no dia 12 de Dezembro de 2003 com apenas 27 anos de idade devido a uma pneumonia.

Esta franquia conta com três sequelas: Free Willy 2: The Adventure Home, Free Willy 3: The Rescue, e Free Willy: Escape from Pirate’s Cove, e ainda uma série de televisão animada intitulada de  Free Willy.

A história da orca Keiko comoveu o mundo, desde a sua captura e sua venda a um parque no México, desde a sua participação no filme, com as várias tentativas de readaptá-lo ao ambiente natural, e finalmente, com sua morte. Ao ficar conhecida pelo filme, a orca Keiko moveu milhares de pessoas contra a captura de mamíferos marinhos para serem usados em espectáculos.

Este filme sempre me acompanhou durante a minha infância até aos dias de hoje,e é engraçado como me lembro das primeiras vezes que o vi, não passava da introdução, porque para mim, aquilo era o filme, e o resto como mudava de cena, sempre pensei que era outro filme. Até que um dia obrigaram-me a ver tudo até ao fim, e não poderia estar mais agradecido por isso, apaixonei-me ainda mais pelo filme, e anos mais tarde descobri tudo o que ele representa. Por isso aconselho-vos a vê-lo, não só pelo entretenimento, mas pelas lições que nos mostram.

Capa
Libertem Willy
Free Willy
Realização
Estreia 17 de junho de 1994 Duração 112 min
Distribuidor
Mário Torres
Escrito por: Mário Torres

Sou de Coimbra, sou uma pessoa que gosta de tudo um pouco, especialmente desporto e animes, e quando estes dois últimos se juntam… Também sou fã de videojogos, preferindo a PlayStation e a Nintendo, e claro gosto de um bom filme.