O 3.º Andar: Terror na Rua Malasana – Análise com minor Spoilers

Para ser honesto, não tinha ouvido falar muito do filme O 3.º Andar: Terror na Rua Malasana, apesar de ser um dos poucos filmes que os cinemas têm em exibição por causa deste limbo em que a indústria do cinema se encontra por causa do Covid-19. Depois de o ver no Motel X, percebi porque foi o primeiro filme apresentado na sessão de abertura/apresentação do evento.

Sendo um evento focado em histórias de terror, é natural que um filme como O 3.º Andar: Terror na Rua Malasana tenha sido escolhido como a primeira imagem. Desde o início, que a história toca em vários clichés associados ao género: uma família que se muda para uma nova casa e uma nova cidade por causa de problemas pessoais; uma casa assombrada pelo espírito da ocupante anterior; os membros mais novos da família que definitivamente não queriam mudar de casa, cujas opiniões e pedidos de ajuda por causa de uma suposta assombração são tratados como desculpas por não gostarem da casa pelos pais, que tentam ignorar todos os sinais de assombração e tentam forçar toda a gente a adaptar-se à nova realidade e um espírito que tenta ter em morte o que não conseguiu ter em vida.

Mas, também mantendo o espírito de apresentar novas ideias inovadoras do Motel X, O 3.º Andar: Terror na Rua Malasana, apesar de seguir a clássica história de terror, consegue adicionar novos twists que tornam a história muito interessante e com uma mensagem moderna.

Depois de o filme garantir que toca em todos os clichés expectados de um filme de terror nos dois primeiros atos, surpreende a audiência com uma reviravolta inesperada que destrói todas as expectativas que até agora tinha criado e substitui-as com uma poderosa e emocional mensagem sobre identidade de género, empatia e compreensão num terceiro acto que é o ponto alto do filme.

E é com isto que O 3.º Andar: Terror na Rua Malasana, se diferencia de todos os outros filmes de terror que possam ter visto. Albert Pintó pega nas nossas expectativas relativamente a terror em filmes, e usa-as para nos manipular, e fazer-nos sentir tão perdidos/as como a família que vemos no ecrã de forma a dar mais impacto  à sua mensagem,

A pressão social só ajuda a desenvolver patologias psicológicas e um pouco de empatia e compreensão pode fazer a diferença entre alguém se sentir aceite e feliz ou se perder numa identidade negada.

Por isso, se filmes de terror e mensagens sobre problemas modernos é algo que gostam nas vossas idas ao cinema, O 3.º Andar: Terror na Rua Malasana é um filme que preenche todos os requisitos e cujo final vai valer a pena todos os clichés do início.

Capa
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O 3.º Andar: Terror na Rua Malasana
Malasaña 32
Realização
Estreia 10 de Setembro de 2020 Duração 01H30M (90 min)
Distribuidor
  • Mensagem Moderna e Contemporânea
  • Bons Sustos
  • Personagens pouco desenvolvidos
  • Resolução final acontece demasiado rápido
Diogo Gomes
Escrito por: Diogo Gomes

Milenial com mestrado em Psicologia Clínica com especialização em Sexologia apaixonado por Artes, Videojogos e Tatuagens. Auto-intitulado Rogue que constantemente se perde na sua própria imaginação.