Planeta dos Macacos, de Tim Burton

Tenho de começar este artigo pelo ponto mais fulcral deste filme: foi um flop. Vocês dizem que fez 300 e tal milhões de dólares em receitas e por isso fez muito dinheiro. Têm toda a razão aí, mas o facto de ter um orçamento na casa dos 100 milhões de dólares em 2000 é caso para dizer que a receita precisava de ser muito maior para cobrir este filme, mas principalmente para deixar a FOX contente. Mas voltemos ao princípio.

Planeta dos Macacos, lançado em 2001 pela 20th Century Fox, é um filme de Tim Burton que pretende recomeçar a saga de sucesso de anos anteriores, sendo mesmo um remake do filme com o mesmo nome lançado em 1968. Uma das principais características desta aventura “espacial” é a apresentação de um elenco que podemos considerar de luxo, com Mark Wahlberg a interpretar o corajoso astronauta Leo Davidson, Tim Roth que aqui se apresenta como o General Thade, Helena Bonham Carter é uma chimpanzé que está contra o mal feito aos humanos e tem o nome Ari, já Michael Clarke Duncan é Attar, um oficial militar próximo do General Thade, Paul Giamatti interpreta o orangotango Limbo, enquanto Estella Warren faz aqui o papel de Daena, uma escrava humana que irá acompanhar Leo nas suas batalhas.

Parece que estou a escolher os filmes certos para escrever nesta rubrica. Tal como o anterior, onde podem descobrir a louca produção de Hancock, aqui encontramos algo tão ou mais atribulado. O filme, como já referi foi lançado em 2001, mas o seu desenvolvimento começou lá trás no ano de 1988 quando Adam Rifkin, um estreante realizador em Hollywood, apresentou uma proposta à FOX para o desenvolvimento de uma sequência aos filmes da saga. A FOX queria uma continuação, mas desta vez não do quinto filme já lançado, mas sim uma sequela alternativa ao primeiro filme. O guião apareceu e o estúdio programou a pré-produção, mas uma alteração na direção da FOX, acabou por criar vários conflitos criativos e o projeto terminou antes mesmo de começar.

Vários nomes estiveram na linha da frente para esta produção até termos os finais. Os primeiros dois que estavam na lista para protagonizar este primeiro projeto, antes do seu cancelamento era Tom Cruise e Charlie Sheen. Mais tarde, entram Peter Jackson e Fran Walsh, que apresentam uma proposta onde os famosos símios se encontravam numa época renascentista e este projeto teve Roddy McDowall, conhecido por protagonizar Cornelius e Caesar nos clássicos filmes da saga, como um dos potenciais protagonistas. Escusado será dizer que este projeto acabou no lixo como antes e a aventura de produzir este filme passou a ter Sam Raimi e Oliver Stone como potenciais realizadores, onde acabou o segundo a avançar e a colocar Arnold Schwarzenegger no papel principal. Aqui o projeto avança em bons termos, com um guião que muitos dos envolvidos prezaram por ter imenso potencial, mas nada chega a avançar em demasia, sempre pelos mesmos problemas. A FOX entra nestes próximos anos numa fase atribulada de imensas más decisões e principalmente conflitos criativos com aqueles que realmente são… Criativos.

Planeta dos Macacos acaba por ficar com Tim Burton aos comandos e Mark Wahlberg no papel principal, contando com vários nomes de grande calibre para os papeis principais de macacos. Contudo, depois de tantas mudanças acabou por se tornar em apenas mais um capítulo na história da companhia e com o realizador a vir de uma década de grande campanha cinematográfica começa o novo milénio com um filme que não passa do razoável, quer para os críticos, quer para o público. Esta poderia ter sido a altura ideal para apostar na evolução gráfica dos símios e esquecer o design clássico que parece ter desagradado muitos dos fãs, que na altura do lançamento já começavam a estar habituados a ver produções de grandes efeitos.

Já viram Planeta dos Macacos de Tim Burton? O que acharam?

Capa
Planeta dos Macacos
Planet of the Apes
Realização
Estreia 31 de agosto de 2001 Duração 119
Distribuidor
Eduardo Rodrigues
Escrito por: Eduardo Rodrigues

Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.