Rogue: Selvagem

Em Rogue: Selvagem, uma pequena unidade de mercenários liderada por Samantha O’Hara (Megan Fox) é enviada a um país da África Ocidental para resgatar a filha do governador regional que foi sequestrada. O resgate não corre como planeado e a equipa tem de fugir precipitadamente de um grupo terrorista liderado por um jovem inglês radicalizado.

Sem munições e em fuga dos terroristas, a equipa refugia-se numa quinta aparentemente abandonada. Depressa se torna claro que a “quinta” era na realidade a base operacional de caçadores furtivos, usada para criar leões para os negócios da medicina tradicional e da caça, mas nem todos os leões partiram…

Com a aproximação dos terroristas e o predador mais perigoso de África no seu encalço, a equipa, na base da cadeia alimentar, tem de sobreviver à noite e resgatar os reféns com vida.

Não vos vou mentir, a única razão pela qual fui ver este filme foi para ver a Megan Fox com uma assault rifle na mão e, como se diz no bom americano, kicking some ass. E meus amigos, como fiquei desiludido. Não só a actriz principal não tem qualquer perfil para fazer de badass como está completamente fora do seu elemento numa equipa de forças especiais. Os restantes actores eram todos comic reliefs gratuitos e foleiros.

A história do filme não tem profundidade nenhuma, caindo em quase todos os clichés de filmes de acção. A personagem com o arco de redenção, a situação “raptaram a filha do governador”, o vilão estrangeiro com alta influência… Provavelmente este filme funcionaria bem nos anos 70, onde todos estes conceitos eram relativamente novos, mas não se percebe como é que em 2020 ainda se fazem filmes de acção com este conteúdo narrativo fácil e sem alma.

Os efeitos especiais estão horríveis. Não há CGI ao nível de Game of Thrones, mas aposto que um episódio de Game of Thrones tem um orçamento para efeitos especiais maior que o orçamento inteiro de Rogue: Selvagem.

Rogue: Selvagem tem umas vibes de filme de terror que conseguiram dar algum interesse ao filme, deixando-nos ansiosos o suficiente para nos interessarmos minimamente no que está a acontecer.

As sequências de acção são a única coisa que se aproveita do filme. A experiência do realizador M.J. Bassett nesta área “salvou” o filme de uma opinião ainda mais negativa.

No final, descobrirmos que o filme é, no fundo, uma campanha de sensibilização contra a caça furtiva dos animais. E mesmo isso, uma mensagem inerentemente positiva, conseguiram estragar simplesmente com uma questão de timing.

Rogue: Selvagem está disponível nas salas de cinemas nacionais desde ontem, 8 de Outubro. A minha opinião pessoal é que guardem o vosso dinheiro (e tempo) para um outro filme que valha mais a pena. Mas como se diz no inglês: you do you, my friend.

Capa
4
Rogue: Selvagem
Rogue
Insuficiente
Realização
Estreia 8 de Outubro de 2020 Duração 01H45M (105 min)
Distribuidor
  • Sequências de acção
  • Megan Fox completamente fora do seu elemento
  • Efeitos especiais horríveis
  • Conteúdo narrativo fácil e sem alma
André Pinto
Escrito por: André Pinto

Engenheiro químico de dia, cinéfilo e gamer à noite, geek a tempo inteiro. Desde muito novo que a minha mãe me dizia "Não percas tempo a ver séries e a jogar esses joguinhos"... Well look at me now, mom! De todas as pancas que tenho, Harry Potter e Doctor Who são, possívelmente, as maiores de todas. Quem quiser combinar uma ida ao cinema, estou por Lisboa. Allons-y!