Geek Pride Day – uma viagem pela Disneyland em tempos de Quarentena
Publicado a 25 Mai, 2020

Para comemorar o Geek Pride Day, nada melhor que escrever sobre um dos dias mais Geeks que já vivi: a primeira vez que fui à Disneyland Paris… Cue the music!

“A dream is a wish your heart makes
When you’re fast asleep
In dreams you will lose your heartaches
Whatever you wish for, you keep

Have faith in your dreams and someday
Your rainbow will come smiling through
No matter how your heart is grieving
If you keep on believing
The dream that you wish will come true”

Estas são as palavras que pairam no vento do país das mil maravilhas e que fazem da Disneyland Paris o mais perto que conseguimos imaginar do que será viver num lugar encantado e mágico. Esta música, famosa por incorporar um dos filmes tão amados que a Disney nos tem oferecido ao longo dos anos – a Bela Adormecida – é a perfeita melodia de fundo para esta terra onde os sonhos se tornam realidade. De facto, para todos aqueles que cresceram com os filmes clássicos da Disney e que em pequeninos fecharam os olhos e desejaram ao apagar as velas do bolo de aniversário ser uma princesa ou um super herói, ou vir a conhecer um, ali podem ver toda a sua imaginação ganhar vida. Entrar pelas portas da Disneyland é abrir os olhos e entrar para dentro desse desejo, desse sonho.

Dividido em dois parques, qualquer um dos dois nos delicia com referências que nos refrescam a memória e nos fazem sentir crianças outra vez. Embora um seja claramente mais desenhado para gente mais graúda com atracções mais arriscadas, o Walt Disney Studios não fica atrás com a sua decoração, a sua variedade de actividades para a gente mais miúda e espaços mais relaxados que permitem aos pais e filhos criar memórias que muito dificilmente podem ser superadas. Contudo, é difícil não preferir o parque da Disneyland, com as suas montanhas russas, casas assombradas e o famoso castelo da Bela Adormecida que se ergue no horizonte como um farol para crianças perdidas, como diria o Peter Pan.

Quem ao entrar por este parque não se sentir imediatamente numa outra dimensão, levando-nos a questionar se todas as recentes teorias de multiversos não encerrarão um pouco de verdade, dificilmente consegue negar a imponente construção que nos faz qualquer um querer ser uma princesa ou um cavaleiro à espera que um dragão apareça com as suas asas monumentais a fazer sombra ao nosso dia perfeito. Toda a arquitectura que nos rodeia desde o instante em que entramos pelos portões dentro faz lembrar um filme da Mary Poppins e ficamos mesmo em pulgas e curiosos para ver se em algum instante uma senhora com um guarda chuva descerá pelos céus para nos dar uma colher de açúcar ou lançar um papagaio connosco. Todas as lojas, que são muitas, são extraordinárias e os preços, embora altos porque não se esqueçam estamos na Disneyland como também em Paris, não são nada de inalcançável, sendo possível levar para casa um peluche da tua personagem preferida por 10 euros ou um par das famosas orelhas do rato Mickey nas suas mais variadas formas por pouco mais. Um souvenir que vale a pena considerar.

Repleto de actividades, cada uma mais empolgante e maior do que a outra, o parque Disneyland tem uma ou duas que são impossíveis de faltar na lista de qualquer um que o visite – Phanthom Manor, Hyperspace Mountain, It’s a small world e Big Thunder Mountain, são inegavelmente as mais conhecidas e por algum motivo o são. Phantom Manor é um espectáculo extraordinário de hologramas que nos deixa de boca aberta, quase que trazendo um pouco daquele ar dos fantasmas do Harry Potter que vagueiam pelos corredores de Hogwarts (não digam nada a ninguém…), é como ver pessoas translúcidas, o que eu pensei que fosse impossível por definição mas acreditem, é possível. Hyperspace Mountain sem dúvida não é indicado para pessoas com estômago fraco ou epilepsia, uma epopeia de cores e lasers, loops e fotos tiradas nos momentos mais desprevenidos, que nos deixa a pensar se quebrámos a barreira do som enquanto lá estamos. Big Thunder Mountain parece elevar este conceito ainda mais, tendo a vantagem de ser ao ar livre, deixa-nos ao mesmo tempo com o estômago e o coração a palpitar na boca.

No entanto, todas pecam pelo mesmo – sabem a pouco, parece que acabam cedo demais, isto é justificado pelo grande número de pessoas que se alinha durante horas para experienciar aquele breve momento de pico de adrenalina. E não, não é um exagero quando vos falo em horas, Big Thunder Mountain chega a ter um tempo de espera de 3h, por exemplo. Por vezes questionamos-nos se não será tudo uma estratégia de marketing para nos deixar a querer mais, se assim for… resultou. A grande questão que se impõe agora é esta: valerá a espera? Vale se tiverem paciência, se aproveitaram esses momentos na fila para se recomporem e falarem uns com os outros.

Para quem não tem paciência das duas uma, ou correm logo de manhãzinha para tentarem fazer estas atracções o mais rápido possível quando o parque ainda mal abriu e as pessoas estão ainda a chegar, ou podem sempre fazer tantas outras coisas que este parque vos oferece e das quais recomendo a Ilha da Aventura, o Labirinto curioso da Alice ou o dragão animatrónico por baixo do castelo. Embora mais tranquilos do que os outros são sem dúvida dignos de ver e de se perder lá dentro.

Infelizmente algumas das atracções encontravam-se encerradas para obras, sendo uma delas a dos Piratas das Caraíbas consideradas por muitos a melhor de todas as Disneylands espalhadas pelo mundo, mas no grande esquema das coisas um dia não chegaria para as fazer a todas. Para aqueles que querem experimentar tudo o que a Disneyland Paris vos oferece, dois dias no mínimo são necessários. Se puderem apenas um dia, aconselho o parque da Disneyland sem pensar duas vezes.

Finalmente o dia findava, e com uma hora para o herculiano espectáculo de iluminações que encerra o parque todos os dias, era altura de começar a guardar lugar. Se pensam que esperar uma hora sentados ou mais é muito, digo-vos apenas uma coisa, se querem perder tempo para marcar o vosso lugar em algum dos espectáculos da Disneyland este é o momento. Tivemos a sorte de ser o aniversário do Mickey e, por isso, antes da sobremesa do grande espectáculo final tivemos direito a um pequena entrada que nos levou pela história do rato Mickey no cinema, começando com a famosa cena a preta e branco em que o rato mais amado do mundo assobia ao volante de um barco. Logo de seguida, vassouras com vida vieram e varreram por completo os corações de todos os que se encontravam sentados. Ver aquele castelo gigante tornar-se na maior tela de cinema que já vi deixa qualquer um de boca aberta, e mal sabíamos nós que era apenas o início.

Começamos com a cena emblemática do rei leão e logo ali ficámos a saber que o que nos esperava era, apropriadamente, uma montanha russa de emoções. Durante 20 minutos, toda a nossa infância foi projectada das nossas mentes para aquele castelo, cenas que nos fizeram rir e chorar, personagens que ainda nos acompanham, a Bela e o monstro, a pequena sereia e as irmãs Elsa e Anna, que levaram a pequenada ao rubro. Desde os confins dos oceanos repletos de piratas até à mais longínqua galáxia com a suas naves espaciais e princesas menos convencionais, tudo ali existia para cada um de nós partilhar com o nosso vizinho, aproximando estranhos, estreitando amizades, todos cantando a uma só voz e colorindo a noite com fogo de artifício e bolas de fogo. O único detalhe que tenho a apontar a este pedaço de magia nas nossas mãos, é o facto de, por nos encontrarmos na Disneyland Paris, algumas das músicas serem em francês e outras em inglês, o que leva a nos sentirmos um pouco de fora, mesmo se conhecermos o original, mas nada que ver as nossas personagens favoritas não compense.

E não se preocupem com os spoilers, este espectáculo vai mudando e se alguma vez tiverem a oportunidade de o verem, será provavelmente diferente do que nós vimos, será sem dúvida uma surpresa que ninguém poderá estragar por vocês.

Em tempos de quarentena, quando queremos mais do que nunca sair, viajar, ter aventuras e estar com os amigos, fica aqui uma pequena viagem mental pela Disneyland para aumentar ainda mais a vontade de ir e ver por vocês mesmos. Quem sabe um dia podem partilhar connosco a vossa própria experiência. Para nós foi um dia perfeito, um sonho tornado realidade num lugar onde é impossível não estar feliz, por muito que se tente, e acreditem que saber que se tem de ir embora eventualmente é um teste a este último, mas ainda assim um teste que se passa. A quem puder digo apenas que comece a preparar a sua ida e perca todos os seus heartaches na terra onde os sonhos são feitos.

Feliz Geek Pride Day!

Este artigo pertence ao especial

João Simões
Escrito por:
João Simões
Viajante perdido à procura de sentido nas respostas dos outros. O personagem do Forky no Toy Story 4 em plena crise existencial é o meu animal espiritual. Quando ganhar um Óscar agradeço pelo meio à Cris e ao Ed se não me despedirem até lá.