63 Days

63 Days é um jogo isométrico de acção tática em tempo real que segue as pisadas de War Mongrels, lançamento anterior do estúdio Destructive Creations. Este 63 Days traz agora promessa de ter ido mais além nessas mecânicas de jogo, apresentando-se como uma clara evolução.

blank
imagem: 63 Days (capturada numa Xbox Series X)

A rebelião de Varsóvia

O passado dia 1 de agosto assinalou o 80º aniversário da Revolta de Varsóvia, um valente esforço para libertar a capital polaca e derrotar a ocupação alemã em 1944, que durou exatamente 63 dias, antes de conhecer o seu trágico fim. Com um nome apropriado, 63 Days presta homenagem aos heróis improváveis que conduziram esse movimento e desenha um retrato fiel do que terá sido uma tentativa desesperada, condenada ao fracasso desde o início. É neste ambiente, e bem envolvidos pela banda-sonora do famoso Adam Skorupa (The Witcher e The Witcher 2) que damos os primeiros passos neste jogo.

É impossível não tecer comparações a clássicos do género como Commandos, mas a primeira missão traça logo algumas diferenças: aqui não somos corajosos soldados, mas sim pessoas absolutamente comuns, dois irmãos, que se juntaram a uma rebelião. Com o avançar das missões, vamos desbloquear novos personagens, que nunca deixam de ter essa aura de ser humano completamente banal a lutar pela sua liberdade. É esta vida das pessoas comuns, e nisto até vamos conhecendo a vida familiar dos irmãos, que faz de 63 Days algo especial e não apenas um clone dos jogos que o inspiraram. Para além disso, apesar de tratar de um momento bastante sério da História polaca (e mundial!), nunca deixa de ter algum humor e ironia, que acrescentam ainda mais a esse sentimento.

blank

imagem: 63 Days (capturada numa Xbox Series X)

Uma missão difícil

Mas nada disto significa que estamos perante um título de fácil abordagem. Muito pelo contrário, 63 Days oferece um desafio muito alto logo na primeira missão. Preparem-se para fazerem muito save/load. Recomendo mesmo que gravem sempre que puderem. Vão ser apanhados, mortos e entrar em frustração muitas vezes. Embora entenda o desafio proposto, não deixei de sentir algum exagero, e sinto que isto poderá afastar muitos jogadores. É que não se trata só de querer apresentar uma dificuldade acima da média (joguei sempre no modo dificuldade normal). O problema é que passa muitas vezes a sensação de que não há um balanço. Muitas vezes somos apanhados em momentos que parecem desproporcionados ou em que a IA dos inimigos não parece ajustada e aqui não pude deixar de pensar em jogos clássicos que eternizaram este género. Havia sempre dificuldade, sim, mas uma dificuldade justa. 63 Days é capaz de nos deixar a tentar e tentar e voltar a tentar com os mesmos dois inimigos durante muito tempo, retirando assim algum do fator diversão ao jogo. Ainda assim, nunca me fez desistir. É porque vale a pena… tentar.

blank

imagem: 63 Days (capturada numa Xbox Series X)

Homenagem aos clássicos

63 Days nunca faz exatamente por reinventar a jogabilidade, mas tenta antes apoiar-se numa base bem sólida deixada pelos jogos que o antecederam no género. Como já referi, é impossível não falar de Commandos aqui, mas não deixam de existir algumas tentativas de criar algo original. O modo planeamento, em que conseguimos abrandar muito o ritmo até quase parar o tempo, permite-nos planear os melhores ataques com os nossos personagens e depois, com o uso de uma tecla, desencadear essa cadeia de ataques para uma ação mais eficaz. É quase como como entrar num modo por turnos e que ajuda muito sobretudo a quem, como eu, jogar numa consola.

Nisto, é louvável ainda o esforço da equipa para tornar o UI (user interface) agradável a quem não joga no PC, onde este é muito mais funcional. Embora tenha voltado a sentir que este tipo de jogos nunca será ideal para se jogar numa consola, o UI funciona aqui muito bem e, apesar de trazer alguma curva de aprendizagem, quando damos por nós já estamos a executar comandos com toda a naturalidade. Há ainda a opção de personalizar um pouco daquilo que vemos no ecrã, recorrendo às opções. Por exemplo, optei por esconder as indicações das “teclas” e atalhos, deixando o meu ecrã de jogo mais limpo, e ter essa opção nas consolas é excelente.

Com pormenores que nos localizam no tempo histórico, como rádios que passam áudios com discursos de Hitler, posters da propaganda nazi que podem ser colecionados, e o uso de personagens bem típicos da época, 63 Days é uma aposta segura sem nunca deixar de ser actual, e um título que irá agradar a todos os fás de ação tática em tempo real mais orientada para a furtividade.

63 Days

63 Days
blank
Lançamento: 2024-09-26
Distribuidora:
8
Picture of Filipe Branco
Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE