A Ideia de Nós

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A Velha Lenda e o autor Diogo Simões juntaram-se para nos trazer o primeiro livro do autor nesta editora.

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Fiz a pré-venda de A Ideia de Nós, ansioso por ler o meu primeiro livro deste autor, que anteriormente publicou uma obra com temática queer, mas que infelizmente ficou pouco tempo disponível no mercado e não consegui adquirir. Diogo Simões, após assinar com a Velha Lenda, como explicou muito bem no seu blog, viu o livro Dislike ser retirado dos canais comerciais. No entanto, o autor prometeu que o livro retornará.

Em A Ideia de Nós, há o regresso do escritor à literatura LGBTIQA+ e um aviso bem explícito para quem comprou o livro. Este vem acompanhado de um panfleto com informações sobre dados importantíssimos, embora tristes, sobre os casos de violência doméstica em Portugal, bem como uma lista de contactos de associações como a Quebrar o Silêncio, a APAV ou a ILGA .

Mas o início deste livro parece enganar-nos. Levemente, com direito a alguma comédia e ironias, entramos logo na vida de Gabriel, um estudante de arquitetura, que está a concluir o seu estágio no Município de Leiria. Logo nas primeiras páginas, Gabriel conhece Marco, que também trabalha na Câmara, e surgem aí as primeiras faíscas de uma paixão que irá desenrolar-se entre os dois.

Mas como o próprio título indica, e o panfleto informativo que acompanha o livro também sublinha, a ideia de perfeição daquela relação vai, aos poucos, dando lugar a algo mais complexo e problemático.

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Foto: Diogo Simões/Instagram

Devo dizer que este não é o tipo de livro que costumo ler, mas acho que as nossas análises devem ser escritas conforme o tipo de obra que temos em mãos e não baseando-se só nos nossos gostos pessoais.

Posto isto, o início custou-me, porque fui confrontado com um tipo de história e escrita mais leves às quais não estou habituado, mas a meio do livro já não conseguia parar de ler. Cheguei a fazer pausas só para digerir melhor o que tinha acabado de ler. Conforme avançava na leitura, aquela ideia inicial de um Gabriel mais cómico e ligeiro começou a dar lugar a algo mais profundo, levantando questões sobre o que estava realmente a acontecer com a personagem.

Um dos destaques notáveis é a habilidade do autor em construir a personagem Marco de forma excecional, com uma escrita cuidadosa e detalhada. . Desde o início da história, encontramos pistas e avisos habilmente inseridos que preparam o terreno para o que acontecerá adiante. Talvez nem todos os leitores consigam perceber esses sinais, e alguns podem achar a resolução final um pouco apressada. No entanto, é inegável que o autor fez um trabalho excelente ao desenvolver esses elementos ao longo da narrativa.

Não irei alongar-me com mais comentários sobe a história em si, ou outros personagens, pois acredito que a descoberta torna tudo mais interessante. De fato, ao longo da narrativa, podemos notar alguns contrastes curiosos em outras relações presentes, levantando questões intrigantes, como “E se o Gabriel tivesse antes seguido por este caminho?”.

Este romance pode ser descrito, de forma mais direta, como uma história gay e foi uma experiência gratificante sentir-me representado nessas páginas. Seja nas pequenas conversas que Gabriel tinha com as suas amigas e irmã, que sempre foram as nossas maiores aliadas; seja nas partilhas íntimas de receios e medos que só nós vivenciamos na nossa jornada de autodescoberta.

Tanta falta que me fizeram este tipo de histórias no meu crescimento, numa altura em que este tipo de livros (pelo menos na área mais mainstream) eram só romances entre homem e mulher, alienando sempre outros espectros do amor.

No final, ficou-me uma questão. Será que este tipo de livros nunca foi o meu hábito de leitura porque simplesmente não me via representado neles? Representação é inclusão. É também abertura de portas para novos leitores. E aqui felicito o autor e a editora por apostarem neste tipo de conteúdo.

Gostei muito de ler A Ideia de Nós e, certamente, ver aqui algo próximo da minha realidade contribuiu muito para isso. Embora por vezes muito leve, por outras pesado, é um livro que não só entretém, como traz ensinamentos essenciais e uma mensagem poderosa a quem o ler.

Pode uma ideia ser mais forte do que a realidade?

A Ideia de Nós

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Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

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