Para qualquer fã de Dungeons and Dragons (D&D), o nome Vox Machina é um dos seus temas de conversa preferidos. Mas para quem possa estar a ler este artigo e não souber do que estou a falar, A Lenda de Vox Machina é uma série de animação de humor negro e adulto baseada na primeira campanha de Dungeons and Dragons jogada pelo grupo Critical Role, que tem como Dungeon Master (DM) o famoso Matt Mercer.
Com o crescimento do seu número de fãs, o Canal de Twitch Critical Role ficou tão famoso que a sua equipa de produção decidiu lançar um KickStarter para investirem numa série de animação que foi rapidamente comprada pela Amazon. E como um fã de Dungeons and Dragons, só tenho a dizer que não podia estar mais feliz com a série.
Uma série baseada em Dungeons and Dragons
Com 12 episódios, com uma duração entre 23 e 27 minutos cada episódio, A Lenda de Vox Machina segue as aventuras de Percy (o Humano Gunslinger interpretado e jogado por Taliesin Jaffe), Grog (o Goliath Bárbaro interpretado e jogado por Travis Willingham), Pike (a gnomo Cleric interpretada e jogada por Ashley Johnson), Scanlan (o Gnomo Bard interpretado e jogado por Sam Riegel), Keyleth (a Meio-Elfo Druid interpretada e jogada por Marisha Ray), Vax (o Meio-Elfo Rogue interpretado e jogado por Liam O´Brien), Vex (a Meia-Elfa Ranger, gémea de Vax, interpretada e jogada por Laura Bailey) e o seu urso Trinket. Um grupo de oito heróis improváveis, auto-titulados de Vox Machina.

Antes de começar a ver a série estava um pouco hesitante. Dungeons & Dragons é um jogo de improvisação e interação no qual os momentos não planeados são o que tornam o jogo especial. Não sabia como se iria adaptar para algo que tem de estar tão planeado e escrito como uma série de televisão, mas a equipa de produção de Critical Role consegui-o na perfeição.
Começando com a história da chamada “Sessão 0”, onde o grupo é apresentado ao tentar a difícil tarefa de derrotar um Dragão Azul. A história evolui para o arco de Whiteston, muito focado em Percy e a sua família. onde o grupo tem de lutar com um grupo de Vampiros, Necromancers e muitos zombies, ao mesmo tempo que lida com uma maldição autoinfligida por Percy na busca incessável por vingança. A Lenda de Vox Machina consegue captar na perfeição tudo o que qualquer fã aprecia nas sessões de D&D de Critical Role.
Não só as personagens são excelentemente interpretadas pelos seus jogadores originais, mas também o humor negro, adulto e sexual que dão o charme a mundo criado por Matt Mercer criam o equilíbrio perfeito com a fantasia.

Para além disso, com um elenco de voice-actors tão talentoso como este e com personagens tão bem passadas para os nossos ecrãs, até novos fãs do RPG de tabuleiro vão adorar esta história e perceber o complexo sistema de raças e classes.
A diversão de jogar um Bárbaro com baixa inteligência e com uma paixão por lutar como Grog, a importância das complexas Backstories como a de Percy,aA improvisação necessária para interpretar um bardo como Scanlan, ou calculismo de jogar uma Ranger como Vex, tudo isto não poderia estar mais claro no guião. Sem obviamente esquecer as características que fazem todos estes personagens tão únicos e marcantes.
Para qualquer fã de D&D como eu, é também muito divertido ver como o grupo de atores e produtores decidiram interpretar os sucessos e os falhanços ditados pelos dados e como estes são postos na história. Como por exemplo, o Grog desmaiar no início da luta final por ter claramente falhado um saving role. Até posso dizer que ver a série me ajudou a ser um melhor jogador de D&D.
Uma história que qualquer fã de fantasia vai gostar
A história tem tudo o que qualquer fã de fantasia pode gostar, uma história complexa, cheia de criaturas fantásticas e lutas que te vão deixar agarrado/a ao ecrã. Em conjunto com a mensagem progressiva e moderna, as complexas e em sempre modificação relações dos personagens e os momentos emocionais, como a amizade ternurenta entre Grog e Pike ou os momentos onde o grupo se une para ajudar Percy a lidar com o seu trauma e a sua maldição, tornam a história mais humana e apelativa.

Nesta primeira temporada, pelas razões que expliquei anteriormente, Percy foi um dos personagens de grande foco, mas com uma escrita muito regular e equilibrada nenhum dos outros personagens foi esquecido. Todos foram desenvolvidos ao ponto de todos nós querermos ver mais deles em próximas temporadas.
Com uma segunda temporada já confirmada a seguir o mesmo grupo de heróis e com um final cliffhanger tão marcante, mal posso esperar para a conclusão da produção dos próximos episódios e poder voltar a este mundo fantásticos e continuar a seguir as aventuras da Lenda de Vox Machina e dos seus heróis.