A famosa saga de estratégia em tempo real da Microsoft está de regresso para mais uma campanha incrível.
Age of Empires chegou ao mundo pela primeira vez em 1997 pelas mãos da Ensemble Studios, que viria a fechar em 2009, deixando todos os fãs desta saga de estratégia a imaginar que nunca mais veriam um novo capítulo. Nesta época, foram demasiados os estúdios da Microsoft a fechar e a deixar enormes legados para trás, sem grandes previsões para o futuro destas famosas sagas. Não foi uma boa altura para a Microsoft e os seus estúdios relacionados com videojogos.
Alguns anos mais tarde, a Microsoft começou a movimentar novamente alguns estúdios debaixo do seu nome, com a aquisição de vários grandes estúdios e a criação de muitos outros. Aos poucos, foram surgindo alguns anúncios que davam esperança aos fãs e foi com o desenvolvimento de versões definitivas e remasterizadas dos três primeiros jogos de Age of Empires que surge finalmente a apresentação do quarto jogo da saga.
Apresentado em 2017, o jogo esteve em completo silêncio ao longo dos anos seguintes, mantendo-se a esperança dos fãs, graças ao lançamento dos outros três capítulos. Foi já em 2019 que Phil Spencer confirmou que o jogo se mantinha em desenvolvimento. Agora no dia 28 de outubro de 2021, o jogo chega finalmente ao mercado, catorze anos depois do último lançamento novo relacionado com a saga.
Desenvolvido pela Relic Entertainment, um estúdio da SEGA que já foi designado como THQ Canada, conhecido por desenvolver alguns dos mais famosos jogos de estratégia em tempo real das últimas décadas. Sagas como Homeworld ou Company of Heroes estão no catálogo deste estúdio. Por isso, à partida, saberíamos que Age of Empires IV estava em boas mãos. A acompanhar a Relic Entertainment, tivemos também o World’s Edge Studio, criado no seio da Xbox Game Studios e com a missão de produzir jogos da franquia Age of Empires.

Age of Empires IV não esquece as origens
Desde o primeiro momento que o abri, este jogo foi uma autêntica bomba nostálgica. Apesar do refinamento óbvio em muitas das questões técnicas, o jogo não esquece as suas origens e mantém o estilo de jogo que tão bem conhecemos. Não me senti nada estranho a regressar à saga, depois de tantos anos, e principalmente não tentaram inventar demasiado. A Relic Entertainment fez um excelente trabalho em manter a essência de Age of Empires intacta, oferecendo uma experiência atual e bem desenhada.
A nível de funcionalidades e sistema de estratégia, o jogo encaixa exatamente onde o terceiro nos deixou. A ideia é a mesma. Os funcionamentos são os mesmos, mas agora estão melhores e mais atuais. A primeira entrada que fiz no jogo foi com o tutorial, de forma a perceber o que aqui encontro de novo ou não. Mas rapidamente me adaptei aos controlos, que continuam todos dentro da mesma esquemática. A forma como desenvolvemos os nossos batalhões, como exploramos os recursos e como atuamos em relação aos nossos inimigos são igualmente semelhantes ao que tínhamos antes.
Deixem-me voltar a repetir que este não é o mesmo jogo que os anteriores e tem certas melhorias que são habituais de ver em jogos de estratégia atuais. No entanto e como já referi, é um jogo que não esquece de maneira nenhuma o que está para trás e evolui em bons termos. Adorei a experiencia de voltar a Age of Empires e rapidamente fiquei agarrado à história. Há pouco tempo escrevi sobre um jogo de estratégia por turnos, que me deu muito prazer jogar, mas sem dúvida que os RTS estão entre os meus favoritos na estratégia, por isso aqui foi ainda melhor.

Gráficos atuais, mas nem tanto assim
A nível técnico o jogo comporta-se muito bem. Não tive qualquer problema com o computador onde joguei este título. Para quem já leu outras opiniões já sabe, mas relembro que faço estes testes num i5 10400, com 16GB de RAM e uma GTX 1660 Super. Não levei as opções ao limite nas minhas sessões, mas joguei com um nível de detalhe perfeito para o que estamos habituados a ver nos dias de hoje. No meio disto, dizer que a performance foi sempre no ponto da perfeição, sem quebras de frames ou de deixar o computador a arrastar-se.
O aspeto que o jogo nos apresenta é aquilo que esperava deste género. A apresentação de um jogo destes tem de estar polida, mas o grafismo ultra realista não faz assim tanta diferença, na minha opinião. Dito isto, este jogo apresenta um aspeto gráfico dos dias de hoje, com qualidade nas suas texturas e efeitos. Não é o mais perfeito que já vi. Aliás, sinto que por vezes me parece um jogo já com dois ou três anos na sua imagem. Se isso é um problema? Para mim, não o é. No entanto, tenho de deixar referido que este não é o jogo com o aspeto gráfico mais bonito de 2021.
Em contra partida, a campanha histórica apresenta-se quase como um documentário e como eu adorei esse aspeto. Conforme nos são contados os pormenores do que levou aos acontecimentos da batalha que temos de realizar, são utilizadas filmagens reais que nos transportam para os locais exatos onde as mesmas aconteceram. Não só isso, como nos são apresentados grafismos em cima desses vídeos de imagem real que nos dão um deslumbre de como tudo aconteceu. Para mim, esta forma de nos representar a história é muito interessante e abre possibilidades a Age of Empires IV de se tornar muito mais que um simples jogo. Conseguir olhar para este jogo, ou para a continuação desta saga como uma ferramenta de entretenimento que nos consegue dar algum contexto da história real é realmente muito interessante.

Muito conteúdo para explorar
Age of Empires IV oferece uma enorme variedade de conteúdo para explorar logo na abertura. Não só temos a habitual campanha que nos levará por um conjunto de situações da história real, como temos alguns dos modos muito interessantes para explorar. Desde de desafios para um jogador até modos online para vários jogadores, que irão oferecer muitas horas de diversão. A jogar em co-op contra a AI ou contra outros jogadores podemos partir em batalhas de 1v1, 2v2, 3v3 e até 4v4.
Antes de se aventurarem no mundo online, terão imenso para se entreter em modo solo, com vários desafios que vos irão colocar à prova. Para aqueles que adoravam o free for all, também está por aqui. Explorar os mapas, recuperar os recursos para evoluir a nossa pequena vila para um império poderoso e dar cabo de todos os nossos inimigos. Não há política em Age of Empires, apenas batalhas de algumas centenas de personagens que fazem tudo pelo seu império.
O jogo conta ainda com alguns elementos de desafios diários que vos farão regressar ao jogo constantemente para ganhar mais experiência e assim subirem de nível. Isto tudo leva a um formato online que pode tornar este um jogo de estratégia com componente de esports. Os níveis, os embates online com rank, grupos, equipas e muito mais. A equipa parece querer elevar Age of Empires para outro nível, mas isso será conversa para mais tarde.

Age of Empires IV é o que esperava
Estar de regresso a Age of Empires é incrível e foi tão bom como jogar há 15 anos atrás. Aliás, posso mesmo dizer que foi até melhor, visto que a saudade já era imensa. Este é realmente um dos meus géneros de videojogos favoritos e poder voltar a este universo foi muito satisfatório. O jogo saiu exatamente como esperava e mesmo que nem tudo esteja polido ao pormenor, é uma experiência que vale muito a pena.
Age of Empires IV faz tudo bem dentro do seu estilo. Não tenta ser mais do que aquilo que é, podendo mesmo dizer que até seria possível arriscar um pouco mais em certos momentos. Contudo, com uma saga há tantos anos adormecida é bom entrar com alguma cautela e apresentar algo que agrade os fãs, mas que se encontre ferramentas e formas de jogar modernas. Estou realmente satisfeito com a experiência que tenho tido neste jogo e a par com os três primeiros, tenho a certeza que me vai levar a mais umas centenas de horas de jogo.
Se são fãs da saga não vão ficar desiludidos. A Relic Entertainment é forte no género e sabe como agarrar o jogador e mais uma vez faz um trabalho de grande qualidade. Um jogo obrigatório neste final de 2021!