Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition: Uma Lufada de Ar Fresco numa Nova Geração

Fui à procura de um jogo relaxante, acabei a pagar um empréstimo a um guaxinim. A análise de uma ex-viciada em Dreamlight Valley à experiência definitiva de Animal Crossing.

Dar o salto para uma franquia com décadas de história pode ser intimidante. Quando decidi finalmente embarcar na aventura de Animal Crossing: New Horizons, fá-lo-ia através da recém-lançada edição para a Nintendo Switch 2, e, confesso, não sabia bem o que esperar. Nunca tinha jogado nenhum título da saga. A minha bagagem em jogos de “simulação de vida” e gestão resumia-se, quase na totalidade, a centenas de horas investidas em Disney Dreamlight Valley.

Hoje, após semanas a moldar a minha ilha paradisíaca, posso dizer com toda a certeza: entendo perfeitamente o porquê de esta série arrastar milhões de fãs apaixonados. Esta é a minha análise, na perspetiva de uma novata, sobre um dos jogos mais charmosos que já tive o prazer de jogar.

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A História de Uma Saga: Do Japão para o Mundo

Para uma recém-chegada como eu, foi fascinante descobrir as raízes desta franquia. O primeiro Animal Crossing (conhecido no Japão como Doubutsu no Mori ou “Animal Forest”) foi lançado em 2001 para a Nintendo 64. A ideia do seu criador, Katsuya Eguchi, era revolucionária para a época: criar um jogo sem um fim definido, focado na comunicação, na família e na tranquilidade, onde o tempo no jogo passasse ao mesmo ritmo do tempo no mundo real.

Ao longo das décadas, a série evoluiu. Wild World (Nintendo DS) trouxe a portabilidade e o ecrã tátil; City Folk (Wii) expandiu o mundo com um centro urbano; e New Leaf (Nintendo 3DS) colocou-nos na cadeira de “Presidente da Câmara”, dando-nos um controlo sem precedentes sobre a cidade.

Contudo, foi New Horizons, lançado originalmente em 2020 para a primeira Nintendo Switch, que catapultou a série para a estratosfera. Calhando no início de uma pandemia global, o jogo tornou-se um refúgio digital para milhões de pessoas. Agora, com esta versão melhorada na Nintendo Switch 2, o jogo ganha uma nova vida, polindo as arestas do original e apresentando a experiência definitiva de simulação insular.

Bem-vindos à Ilha: O Conceito Base

A premissa de New Horizons é enganosamente simples. Comprámos um “Pacote de Escapadinha” (Odisseias és tu?) para a Ilha Deserta à Nook Inc., uma empresa gerida pelo icónico (e infame) guaxinim capitalista, Tom Nook. Chegamos a uma ilha intocada, acompanhados por dois vizinhos animais gerados aleatoriamente, e o nosso objetivo inicial é literal e figurativamente… montar uma tenda.

Ao contrário de outros jogos que nos inundam com tutoriais exaustivos, Animal Crossing pega na nossa mão apenas o tempo suficiente para nos ensinar a criar uma cana de pesca e uma rede de apanhar insetos. A partir daí, o mundo é nosso. O objetivo? Pagar os nossos empréstimos a Tom Nook para melhorar a nossa casa, atrair novos residentes, construir um museu deslumbrante e transformar uma ilha selvagem num paraíso de cinco estrelas. Tudo isto ao som de uma banda sonora incrivelmente relaxante que muda a cada hora do dia.

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A Experiência de uma Novata: O Choque do “Tempo Real”

A primeira coisa que me chocou foi o relógio interno do jogo. Se jogares às três da manhã na vida real, estará escuro na tua ilha e a maioria dos teus vizinhos estará a dormir. Se encomendares uma ponte, ela não aparece magicamente após clicares num botão, vais ter de esperar até ao dia seguinte.

Inicialmente, esta limitação pareceu-me restritiva. Queria devorar o jogo, progredir rápido, desbloquear tudo. Mas rapidamente apercebi-me do génio por trás desta mecânica. Animal Crossing não é um jogo para se “terminar”, é um jogo para se “habitar”. O facto de nos obrigar a parar e a esperar pelo dia de amanhã torna-se terapêutico. No entanto, para mim, é um pequeno problema porque sendo mãe de um pequeno de 11 meses, muitas vezes só tenho tempo de pegar em Animal Crossing à noite, limitando a vida na ilha e as minhas ações.

O Grande Duelo: Animal Crossing vs. Disney Dreamlight Valley

Dado o meu historial profundo com Disney Dreamlight Valley, foi impossível não passar as minhas primeiras dezenas de horas a comparar os dois jogos. Embora partilhem o mesmo DNA de cozy games, as abordagens não poderiam ser mais diferentes.

1. O Ritmo e a Progressão

  • Dreamlight Valley: É um jogo guiado por quests (missões). Há sempre uma lista interminável de tarefas a cumprir. A Minnie precisa de 100 barras de argila, o Wall-E quer construir um jardim, a Ursula tem um esquema maléfico para desvendar. O jogo incentiva o “grind” constante e o progresso é rápido se jogarmos muitas horas seguidas.
  • Animal Crossing: É a antítese disso. Não há lista de missões (além dos mini-objetivos do Nook Mileage Program). A progressão é intrinsecamente motivada. Queres fazer um jardim botânico? Faz. Queres focar-te apenas em pescar tubarões? Força. Animal Crossing não te diz o que fazer, o que exige alguma imaginação por parte do jogador, mas resulta numa experiência muito menos stressante.

2. Os Vizinhos: Carisma Animado vs. Nostalgia da Disney

  • Dreamlight Valley: O grande trunfo é, claro, a propriedade intelectual da Disney. Falamos com o Mickey, cozinhamos com o Remy, pescamos com o Pateta. Têm histórias definidas e personalidades que conhecemos dos filmes. Ouvimos de fundo aquelas músicas que nos trazem tanta nostalgia.
  • Animal Crossing: Aqui, os vizinhos são arquétipos (o desportista, a vaidosa, o preguiçoso, o rabugento). Ao início, senti falta da familiaridade da Disney. Mas há algo de incrivelmente charmoso e imprevisível nos habitantes de Animal Crossing. As interações parecem mais orgânicas e hilariantes do que os diálogos planeados de Dreamlight Valley.
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3. Customização e Construção (Terraforming)

  • Dreamlight Valley: Decorar o vale é fácil. Entras num menu “tipo Deus”, metes casas onde queres, rodas objetos, e pronto. O mundo é teu em segundos.
  • Animal Crossing: Aqui o processo é manual e, admito, muito mais moroso. Tens de colocar os objetos um a um no mundo. Contudo, quando finalmente desbloqueias a ferramenta de Terraforming, o Animal Crossing destrói o Dreamlight Valley por completo. Podes cavar rios, construir cascatas majestosas, erguer montanhas e criar labirintos. A liberdade arquitetónica em Animal Crossing é de um nível completamente distinto. O resultado final sente-se verdadeiramente teu, porque cada bloco de terra foi cavado pelas tuas mãos virtuais.

4. A Vida Selvagem e o Museu

Um dos pontos onde Animal Crossing vence é no colecionismo. O Museu gerido pela coruja Blathers é, sem exageros, um dos edifícios virtuais mais bonitos que já vi num videojogo. Apanhar insetos, peixes, criaturas marinhas e desenterrar fósseis para os ver exibidos num ecossistema ricamente detalhado, com iluminação dinâmica, é imensamente satisfatório. Em Dreamlight Valley, peixes e joias são apenas moeda de troca ou ingredientes; em Animal Crossing, são peças de história natural.

A “Nintendo Switch 2 Edition”: O Que Traz de Novo?

Apesar de ser a minha primeira vez num Animal Crossing, quis saber quais eram as grandes diferenças que o jogo apresenta na nova Switch. As melhorias para a Switch 2 Edition incluem melhor resolução, tempo de espera menores, compatibilidade com o modo mouse para ficar mais fácil e rápido de decorar, um megafone (que usa o microfone da consola) para chamar os residentes animais e compatibilidade da câmara do Nintendo Switch 2 no modo online. Para além destes upgrades, na versão Nintendo Switch 2 Edition, até 12 pessoas podem jogar juntas numa só ilha online ou até oito jogadores através de uma ligação local sem fios.

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Para quem já tem o Animal Crossing na Switch 1, podem adquirir um Upgrade Pack por um valor reduzido (pelo valor de 4.99€) para obter as melhorias da Switch 2, em vez de comprar o jogo completo novamente.

O Veredicto Final

Como alguém que chegou tarde à festa, posso admitir que Animal Crossing: New Horizons não é apenas um videojogo, é uma espécie de terapia digital diária.

Embora o início lento me tenha feito questionar se este jogo seria para mim, especialmente vindo do modelo imediato e repleto de tarefas de Disney Dreamlight Valley , a paciência rendeu frutos maravilhosos. O jogo ensinou-me a apreciar os pequenos detalhes e a calmaria do jogo.

A edição da Nintendo Switch 2 é, indiscutivelmente, a forma perfeita de experienciar este clássico moderno. Se, como eu, nunca deste uma oportunidade a Animal Crossing, faz um favor a ti mesmo e compra um bilhete para este voo da Nook Inc. Pode não ter a ação épica de um RPG ou a urgência de um shooter, mas garanto que te vai roubar o coração – um dia, uma hora, e um fóssil de cada vez.

Animal Crossing: New Horizons

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Lançamento: 2026-01-15
Distribuição:
Estúdio:
Plataformas:
8.5
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Cristiana Ramos
Dividida entre o mundo da Ciência e o mundo Geek. Viciada em livros e viagens. Espectadora assídua no cinema, especialmente se aparecer um certo Deus com cabelos loiros. Adora filmes de terror. Louca por cães, mas eles são tão fofos! Romântica incurável (apesar de não admitir).

Colaboraram neste artigo

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