Assassin’s Creed Odyssey é um videojogo de ação e aventura criado pela Ubisoft Quebec e publicado pela Ubisoft em 2018. Chegou ao Windows, PlayStation 4 e Xbox One.
Duzentas e dez horas e trinta e três minutos depois aqui estou para escrever desta que foi uma verdadeira Odisseia. Já vos disse várias vezes que gosto de tudo o que são os assassinos, mas este jogo foi demais! Se bem se lembram, Origins demonstrou o início dos assassinos, e este vai de certa forma completar o primeiro. Mal saiu, lembro-me de pensar: “este vai demonstrar o início da ordem dos templários!” Bem… Sim e não. No final este jogo trouxe-me mais questões da sua génese do que certezas, mas falaremos disso mais para a frente!

Começamos este belíssimo título mais ou menos onde ficámos no Origins. Layla pertence à Irmandade dos Assassinos. Trabalhando no seu novo grupo de amigos, continua à procura de artefactos interessantes para os meninos e faca ao pulos, e com isto dá-se com um livro escrito por Herodoto e com a lança de Leonidas! Uau! Leonidas, um espartano com os amigos no sítio e mais trezentos a decorá-lo, enfrentou Xerxes, o Persa, conseguindo o seu sonho de uma morte gloriosa!
Layla, ao analisar a lança descrita no livro de Herodoto por ser de um lendário mysthios, encontra o ADN de duas pessoas diferentes, Alexios e Kassandra. Em tecnologia de ponta terá reconstituir as memórias de uma destas pessoas, de tal maneira que nos é permitido ter opções na simulação, pois a mesma é uma reconstrução! Como um ou uma mysthios, mergulhamos no mundo deslumbrante da Antiga Grécia!

Um gigante mapa com imensas localizações históricas para visitar, como todos os monumentos que conhecemos dos livros de história e dos variados postais de visita, aos nossos pés! O mundo é habitado de missões comparáveis aos trabalhos de Hércules, a heróis destemidos e habilidosos que nos podem fazer sofrer, túmulos e monumentos a heróis considerados semi-deuses, e uma simulação fiel à fauna e flora da região.
O jogo desenrola-se na terceira pessoa, onde com o que encontramos nas missões e o que podemos comprar em ferreiros, vamos nos equipando para enfrentar as nossas missões e perigos. Todas as missões têm um cunho pessoal, ou de pessoas que vamos conhecendo no mundo, de desconhecidos que pedem ajuda e estão dispostos a pagar por ela, outras que poderemos aceitar dada a nossa profissão de mercenário, e duas principais, juntar a nossa família e derrotar o Culto do Kosmos. Quanto a estes dois últimos ficaremos por aqui, não quero dar Spoilers!
Ao longo da nossa viagem pelo mundo grego e as suas maravilhosas ilhas, vamos recolhendo tudo o que nos é permitido para sobreviver. Desde conjuntos de armadura e armas para nos defendermos, assim como ganhar experiência e evoluirmos em habilidades que melhor se adaptem ao nosso estilo de jogar. Entre assassino, guerreiro e arco, vamos escolhendo as habilidades e desenvolvemo-las até um máximo de três níveis, enquanto o nosso nível de experiência pode atingir o máximo de noventa e nove. Se existir uma armadura ou arma muito especial ou muito forte, como as lendárias, também temos possibilidade de a evoluir nos ferreiros, com um custo em dinheiro e em recursos naturais.

Os recursos naturais existentes são a madeira, o ferro, as peles, e gemas de vidro ou preciosas! Para as obter também podemos desfazer as armaduras ou armas que já não nos interessam! Tudo isto para dizer que tudo se compra como tudo se vende, como para os mais forretas tudo se pode recolher, em contrapartida com o tempo que demoramos. Para cacetada temos facas, espadas, bastões, machados de vários tipos e feitios! Elas mostram-se ainda melhor quando obtemos um ataque especial que é overpower, um ataque que utiliza a nossa habilidade para desferir um poderoso ataque ao nosso inimigo!
No meio da guerra do Peloponeso entre a Atenas e Esparta, nós somos uns vendidos, tentando ao máximo ganhar experiência e dinheiro com as missões que realizamos! Não vos posso mentir que o jogo é interessantíssimo, e a jogabilidade irrepreensível. Em termos de controlos não existe nenhuma dificuldade, e temos sempre de ter uma estratégia ao abordar qualquer inimigo. Como em títulos anteriores, onde o pináculo foi o Black Flag, aqui voltamos a ter barquinhos para combate, e com mecânicas iguaizinhas. Evoluímos a barcaça através do dinheiro e dos recursos naturais, e no combate em alto mar podemos destruir ou abordar os barcos. Também pelo mundo temos a possibilidade de recrutar tenentes que capacitam o nosso vaso de guerra para ambientes mais austeros.
No meio de ondas e de montanhas, a atenção ao detalhe e às cores usadas é perfeito, e o jogo em si viciante. No entanto, o que é que este jogo tem haver com Assassin’s? Agora é que são elas… Se o jogo é perfeito em termos de jogabilidade e interessante em termos de história, peca muito no que é essencial, onde é que entra a parte dos assassinos. Em todo o jogo, deu-me sempre uma constante febre de diversão nos combates entre as duas nações, na invasão dos fortes, ao ser perseguido por outros mercenários, mas ligação concreta com os outros títulos, só uma surpresa a meio do jogo, mais nada!

Por si só, como é que o Animus, uma máquina de reconstrução de memórias a partir do ADN, evoluí de tal maneira que podemos fazer escolhas no passado e ter finais e resultados diferentes mediante essas escolhas? É verdade que a exploração dos artefactos “daqueles que vieram antes de nós” nos fazem lembrar que isto é um jogo de assassinos, mas mais que isto, nada!
Ao conversar com o meu amigo Madeira, da mesma opinião que eu, desvendou-me aquilo que eu não sabia, que a história do DLC do First Blade é muito mais interessante e tem muito mais haver com os assassinos do que realmente aquilo que acabei de jogar, e eu acredito. Neste ponto fiquei imensamente desiludido, pois passava bem com um jogo que só se chamasse Odyssey, belo e irrepreensível. O único problema é o Assassin’s, e acrescento que como os carros não se compram às peças, os jogos não se compram às partes, mas por inteiro! O que falta fazer, façam em outro título que cá estaremos alegremente para o jogar! Um abraço a todos!