Num ano em que a PlayStation necessita de exclusivos que justifiquem a venda de mais consolas, Astro Bot surge como cometa que ilumina o céu mais escuro. Não só é um excelente jogo de plataformas, como é obrigatório para qualquer fã do género, fã de videojogos em geral ou fã da marca PlayStation.
Vindo de uma galáxia cheia de estrelas
Desde o anúncio oficial do jogo Astro Bot, reservámos algum hype (cuidadoso) para com a nova abordagem que a Team Asobi, a desenvolvedora do jogo, iria operar nesta nova aventura dos mais queridos e adoráveis Bots. Os antecessores AstroBot Playroom e AstroBot Rescue Mission (VR), mais do serem excelentes ensaios do melhor que existe num género de plataformas, eram também uma verdadeira aula de história ou uma grande aventura para todos os fãs da querida consola da Sony.

Se gostaram do género anterior, aconselhamos vivamente a jogarem o Astro Bot, não por ser uma continuação da história anterior, mas pelas boas sensações que transmite, desafios e pelo calor acolhedor de todo o mundo/universo criado para o jogo.
Um por todos e todos por um!
Como diz o velho ditado, “a união faz a força” e em Astro Bot a história remete-nos imediatamente para esse ditado que rapidamente se torna num lema.
Viajando pela galáxia, com todos os 300 bots, tripulando uma nave mãe (desenhada de maneira igual a uma PS5) somos abordados por um alien verde que nos rouba uma peça vital da nossa nave (componente da consola) e faz que todas as outras partes fiquem espalhadas por cinco galáxias destintas.
Para piorar a situação, todos os bots que nos acompanhavam são também lançados para essas galáxias, deixando-nos sozinhos e despenhando-nos num planeta com um clima bastante peculiar. A partir do zero, somos forçados a reconstruir tudo, embarcando numa aventura para explorar diversas galáxias, visitar planetas distintos e resgatar os nossos bots amigos e as peças da nave mãe.
A sinopse da história, supracitada, pode parecer simplista ou até mesmo infantil, à primeira vista. Contudo, é um bom lembrete de que nem todas as histórias dos videojogos têm de ser “fora da caixa” para serem únicas. Se nos remeterem para uma boa aventura e excelentes horas de diversão, certamente, por muito “ingénua” ou “tosca” que a ideia seja, ela funciona. Astro Bot é um símbolo vivo disso, da perfeição na simplicidade.

Desafios abonados de fantásticas recompensas
Mais do que ter de percorrer diversas galáxias em busca das peças da nave mãe e dos nossos amigos Bots, em cada mundo é nos apresentado um desafio singular e ultrapassável através de um determinado power-up que apanhamos logo no início do nível de cada mundo. Desde um cão que usamos como propulsor, uma galinha como jetpack ou um conjunto de luvas em forma de sapos que se estendem. São imensas as possibilidades e desafios devidamente enquadrados em cada mundo.
É durante o processo de exploração e no completar de diversos desafios, que conseguimos, por vezes, encontrar algumas peças de puzzle espalhadas pelo mapa. Cada peça pode depois ser usada no mundo com o qual inicialmente colidimos, que passa a ser a nossa base de operações, para desbloquear novas lojas, acessórios ou até cosméticos para a nossa nave e bots que vamos encontrando.
Por falar em bots, em cada mundo diverge o número de bots no total que temos de encontrar, existindo sempre um contador possível de acompanhar o nosso progresso. Por vezes, terminamos um mundo faltando-nos um bot. Ao refazê-lo, logo no início, podemos desbloquear um frasco com 200 moedas que libera um pássaro robô. Este, com o uso de um sonar, auxilia-nos a localizar os itens mais ocultos, oferecendo uma ajuda valiosa.
Enquanto vamos encontrando os bots, alguns possuem os símbolos que constituem os elementos do comando. Sabemos assim, de antemão, que o bot que encontraremos fará referência a uma personagem da PlayStation ou que foi um portante para uma geração de consolas da mesma. Não queremos estragar a surpresa a ninguém, mas alguns desses “bots” são tão importantes que até nos dão algumas habilidades especiais para explorar e usar em mundos únicos.
Importa também referir que ao longo da nossa jornada iremos enfrentar bosses. Cada um, mais do que ser derrotado de uma forma específica, impõe algum grau de atenção e concentração, mas nada extremamente difícil ou digno de um boss à Souls Like.

Segredos bem guardados
À medida que exploramos os diversos mundos, encontramos buracos negros que nos transportam para galáxias paralelas. Cada um, acessível em certos mundos, leva-nos a uma nova realidade. Talvez tenha sido este elemento de surpresa, e a forma gradual como o jogo se expande, que nos faz perceber que Astro Bot é, de fato, um universo repleto de sensações incríveis, apelando, de maneira quase “gritante” (num sentido metafórico), para ser explorado.
Por outro lado, ficámos ainda mais surpreendidos ao nos depararmos, durante a nossa jornada, com cometas ou estrelas de formas curiosamente familiares, que desbloqueiam novos desafios, como a busca pelos diferentes símbolos do comando da consola. Sem dúvida, esses mundos, embora não sejam obrigatórios para terminar o jogo, oferecem verdadeiros desafios que nos colocam à prova e nos fazem suar um pouco.

Um jogo de chorar e querer jogar mais
Durante a nossa aventura, em cada galáxia (sendo esta distinta/com um nome ou designação próprio) sentimo-nos impressionados e cada vez mais cativados em querer explorar e aventurar-nos em todos os mundos. Essa sensação foi constantemente crescente, quer pela criatividade genial da equipa desenvolvedora como dos próprios artistas envolvidos no jogo. Desde planetas profundamente gelados até grandes desertos com pirâmides de ouro, todos os elementos apresentados eram únicos. Deste modo, nunca sentidos nenhum tipo de frustração de experienciar “um mundo igual ou parecido com outro”.
A genialidade criativa caminha lado a lado com a programação neste jogo. Mais do que apenas alinhar as diferentes componentes que formam a base de um jogo de plataformas, somos constantemente levados a revisitar os mundos, sempre descobrindo algo novo ou uma referência a um jogo da PlayStation ou a personagens icónicas de várias franquias, desde a primeira geração da consola.
Perfeito para toda a família e amigos
Durante a nossa análise, em acesso antecipado, com o decorrer a história do jogo e dos diferentes níveis (mundos) que nos são colocados à frente, apercebemo-nos de que a nossa aventura poderia, e muito bem, ser acompanhada por outras pessoas enquanto fonte principal de entretenimento.
Astro Bot é um jogo perfeito para jogar com a família reunida ou entre amigos, no mesmo sofá ou até mesmo numa festa. Este poder ou aura que o jogo possuí de aproximar as pessoas, de chamar a atenção – quer pelos bots fofinhos ou pelas cores vibrantes – deveria ser alvo de um estudo mais aprofundado. Nós confessamos que o que nos prendeu, imediatamente, foram as piadas e os paralelismos com os múltiplos universos de videojogos que se cruzam durante a nossa aventura.

Veredito? Este jogo é obrigatório!
Não poupamos elogios a Astro Bot, não só pela diversão que nos proporcionou como pelas diversas sensações agradáveis que nos causou. Na maioria das vezes, sentimos que estamos a viajar para o passado, revivendo experiências de jogos da nossa infância. Essa jornada é única para cada jogador, sendo vivida de forma diferente, dependendo da sua experiência ou familiaridade com esses clássicos. Quer pelas diferentes personagens de outros videojogos que aparecem como cameos disfarçados de bots, ou pelas reminiscências a mundos ligados a outros jogos, Astro Bot é pura diversão! O melhor de tudo é que de facto, segundo o lema da PlayStation, é um jogo “para os jogadores”, pensado para os jogadores, planeado para os jogadores e que certamente será acolhido com todo o amor pelos jogadores!
Não nos impressiona a ideia de ver o Astro Bot na disputa pela categoria de melhor jogo de plataformas de 2024. Assim como também não nos impressiona a ideia de que alguém compre uma PS5 só para jogar Astro Bot, pois de facto, sem sombra de dúvidas, o jogo consegue fazer isso!