Atomic Heart é um título que se tem andado a mostrar há já uns bons anos mas sempre de forma comedida. Olhando para o que foi anunciado e para o que entretanto foi lançado, dá para perceber o porquê: várias foras as iterações que foram existindo e as coisas mudam ao longo da produção, o que é perfeitamente normal.
Também têm estado bem ocupados com uma boa dose de controvérsias, que acabam sempre mexer um pouco com a moral e também com a disponibilidade mediática para causarem mais burburinho numa comunidade que, por norma, tende a ser mais tóxica que compreensiva. Mas, sem entrar em detalhes, quando o assunto envolve a Rússia ou até a União Soviética (dentro do mundo do jogo), nos dias que correm, torna-se complicado.
Ruído à parte, e já me tendo envolvido no primeiro título que a Mundfish andou a preparar nos últimos cinco anos, o que se pode dizer de Atomic Heart?

A primeira sequência do jogo que se divide em outras tantas, serve como espaço de habituação e preparação para o que ainda há de vir. Ficamos a conhecer as principais peças da narrativa, que está bastante envolta em mistério e jogos políticos, tudo suportado por uma União Soviética alternativa que teve um avanço tecnológico incrível nos anos 50. Toda a ação passa-se no centro de investigação conhecido como Facility 3826 e cabe-nos a nós tentar trazer alguma paz a um espaço que tem um objetivo bastante concreto: garantir que acabamos mortos.
Apesar da primeira zona do jogo servir como boas-vindas a um cenário bastante hostil, onde somos ainda algo levados pela mão por um conjuntos de desafios que nos conseguem pôr verdadeiramente à prova, não é um espaço que vamos rapidamente deixar para trás. Vamos conseguir aproveitar à vontade mais de cinco horas de ação, mistério e exploração enquanto nos habituamos a um mundo que nos é estranhamente familiar, mas que tem uma personalidade bem própria.
Por entre corredores e salas que nos colocam obstáculos atrás de obstáculos, temos de lidar habilmente com diferentes inimigos. Os mais comuns são máquinas humanoides que apesar do seu ar peculiar, conseguem partir-nos o pescoço em menos de nada.
Se queremos conseguir ter sequer alguma hipótese de sobrevivência, temos de dar uso a todo um arsenal e melhorias que nos vão transformar em verdadeiras máquinas de matar. Uma máquina de matar que pode ficar sem um braço num instante, ainda assim, uma bela máquina!
Essa “máquina” surge na forma de P-3, um militar que os níveis de paciência são tão estáveis quanto um castelo de cartas. Confesso que me está a ser extremamente difícil conseguir tolerar a péssima atitude do personagem, que tão depressa reclama por ter de abrir uma porta, como também reclama com alguém que lhe deu ajuda, que ele próprio pediu!

A sorte é que tudo o resto está a ser extremamente divertido e entusiasmante de explorar. Há segredos para descobrir, não só a nível de narrativa como da própria exploração, armas para criar, outras para melhorar, vários poderes para desbloquear e evoluir, que tornam a jogabilidade ainda mais divertida e dão a P-3 mais formas de se defender e atacar.
E assim que nos convidam a continuar a nossa aventura por outros caminhos, somos assoberbados por um mapa enorme, que até então não tinha dado nem um ar da sua graça, cheio de zonas para explorar, puzzles para resolver, desafios para completar, tudo coisas que já imagino o P-3 a reclamar mal se vá deparar com elas. E como seria de esperar, novos inimigos que vão arranjar formas bem violentas de tentarem impedir que sejamos bem sucedidos.
Resta agora saber que surpresas me esperam neste mundo aberto, por onde me vão levar e que outros desafios vão surgir. Quem sabe se o charme de P-3 não acaba por melhorar ou então desenvolvo algum síndrome de Estocolmo, que me parece ser o mais provável.