Finalmente, temos a inicial trilogia pretendida por James Cameron terminada e agora olhamos para o passado e para o futuro.
James Cameron conseguiu fazer um feito ousado, que na minha humilde opinião, é equiparável ao de George Lucas com Star Wars e não é difícil explicar o mesmo. Temos aqui um filme (uma trilogia na verdade) que nos mostra um universo com elementos de ficção científica e fantasia que vislumbram aos olhos das novas gerações, criando uma fandom enorme que inspira todos os que disfrutam (ou passam a disfrutar) destas obras.
Avatar: Fogo e Cinzas é mais uma obra-prima visual da franquia, que continua a expandir este universo fascinante através da apresentação de novas tribos, narrativas e elementos de interesse. Desde os detalhes mais discretos ao fundo até aos grandes componentes do enredo, como Eywa, a consciência de Pandora que interliga de forma quase etérea toda a fauna e flora do planeta.
É importante perceber que o filme não é superior em narrativa ao anterior, Avatar: O Caminho da Água, mas o objetivo não é esse. James Cameron já afirmou que este terceiro capítulo funciona como a conclusão da história atual e que haverá um intervalo de cerca de oito anos até ao quarto filme. Dentro desse enquadramento, é seguro dizer que esta obra levanta questões pertinentes que aguardam resposta. Se há algo que este capítulo faz de forma marcante é aprofundar a dinâmica da família Sully enquanto encerra alguns enredos paralelos.
A introdução dos novos clãs também é uma excelente adição, proporcionando algumas das sequências de ação mais empolgantes do filme e revelando um aspeto até agora pouco explorado: as rivalidades internas entre os na’vi. Entre estes novos clãs destacam-se o clã Tlalim, uma espécie de navegadores aéreos e mercadores que utilizam embarcações conduzidas por medusas flutuantes chamadas lonataya, liderado por Peylak, interpretado por David Thewlis, e o clã Mangkwan, que assume um papel mais antagonista na narrativa. Este último é comandado pela implacável Varang, interpretada por Oona Chaplin, oferecendo uma perspetiva inédita sobre os na’vi, bem ilustrada ao longo do filme.

Naturalmente, como é habitual nesta saga, o lançamento de um novo filme de Avatar volta a marcar um avanço notável nos efeitos especiais e na forma como vivenciamos a experiência cinematográfica no grande ecrã. O primeiro filme já havia sido uma verdadeira obra-prima visual, e o segundo elevou ainda mais esse patamar. Assim, é seguro afirmar que este terceiro capítulo volta a duplicar a excelência audiovisual alcançada anteriormente.
De facto, é necessário demarcar o quão importante é este filme como uma continuação de obras cinematográficas que transcendem o que de típico vemos no cinema. O fenómeno que estes filmes são sempre que são lançados demonstram isso, são autênticas demonstrações performativas de arte com dança, música e até o combate contém isso mesmo.
Uma das melhores partes que temos no Avatar: O Caminho da Água é a introdução dos Tulkun, uma espécie de baleias nativas de Pandora que são conscientes, sencientes e inteligentes ao ponto de terem a sua comunicação complexa e uma relação especial com os na’vi. Este enredo continua em Avatar: Fogo e Cinzas e consegue mais uma vez, provar um dos pontos mais interessantes deste universo além da beleza que são cenas aquáticas ao longo destes filmes.

Se existe um facto sobre este filme é o quão bom é ver na sala de cinema, tive a oportunidade de ver em IMAX 3D e posso garantir (como alguém que usa óculos e tem facilidade em ficar enjoado e/ou com dores de cabeça a ver filmes em 3D, ainda para mais num filme de 3 horas e 17 minutos!) este foi o melhor filme que já vi nesse mesmo formato, foi uma experiência quase natural.
Uma última nota, é de mencionar também o excelente trabalho nestes projetos por parte de Jon Landau, um dos produtores iniciais que, tristemente, faleceu no ano passado mas deixou um legado incrível neste universo que imensos fãs fez (e faz) pelo mundo inteiro encantando e inspirando um pouco em todos os lados.