Baby Steps

Uma nova experiência com Bennett Foddy

Bennett Foddy regressa com mais um jogo desafiante onde a paciência e a precisão são chave. Baby Steps é um sucessor digno de Getting Over It, mantendo o seu ADN de frustração e humor pelo qual os seus jogos ficaram famosos. Com uma nova abordagem à movimentação do jogador, o jogo consegue inovar dentro do género, mostrando assim que ainda há espaço para inovar neste tipo de experiências. 

Havia uma certa expectativa para perceber como é que um jogo deste estilo iria introduzir um elemento narrativo com princípio, meio e fim, algo totalmente diferente de jogos anteriores por parte de Foddy, onde o objetivo era apenas um, ir do ponto A ao ponto B, seguindo muito um aspeto linear. É verdade que havia a possibilidade de utilizar atalhos, mas isso dependia mais da capacidade do jogador do que pela criação de escolha por parte do criador.  

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Uma narrativa em ácidos

Baby Steps e Getting Over It distinguem-se de forma clara na forma como abordam a sua narrativa. Não é apenas o facto de Baby Steps apresentar uma história estruturada, mas também pelo tipo de humor que cada um adota. Enquanto Getting Over It oferecia uma experiência mais contemplativa, quase filosófica, com reflexões suaves sobre frustração e persistência, Baby Steps oferece uma experiência muito mais energética e psicótica (um pouco como se o autor tivesse estado sobre o efeito de substâncias completamente diferentes). 

Baby Steps apresenta-nos Nate, uma pessoa solitária e apática que passa a vida na cave dos pais sem qualquer tipo de objetivos de vida, onde o seu dia a dia é apenas e só estar deitado no sofá em frente à TV e a deixar o tempo passar. No entanto, tudo muda quando inesperadamente ele é transportado para uma espécie de universo paralelo, onde as regras normais da mortalidade não existem. É nesse novo universo que Nate se vê forçado a dar os seus primeiros passos rumo a algo, um objetivo. 

O objetivo do jogo é simples, chegar ao topo da montanha, agora chegar lá é que já é outra história. Pelo meio da nossa jornada, Nate cruza-se com inúmeras personagens excêntricas que tentam oferecer-lhe ajuda, desde conselhos a objetos úteis, como um mapa ou até uns simples sapatos. Contudo, Nate é fiel à sua teimosia e insegurança e rejeita qualquer forma de auxílio, tornando a sua jornada muito mais difícil e frustrante. 

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 Gameplay desafiadora mas justa

Desde o primeiro instante do jogo, o jogador tem acesso a todas as mecânicas essenciais, que neste caso são apenas duas, pressionar o L2 para levantar a perna esquerda e pressionar o R2 para levantar a direita. Isto poderia tornar o jogo repetitivo e desinteressante muito rapidamente, mas curiosamente é o oposto que se sucede. 

Cada passo dado e cada pequeno avanço ou obstáculo superado, transmite uma sensação real de progresso e de conquista. Com isto a jornada até ao topo deixa de ser apenas um objetivo do jogo e passa a ser um desafio pessoal, algo que sentimos genuinamente vontade de completar. 

No entanto, essa mesma confiança que vamos ganhando rapidamente se torna numa armadilha. À medida que nós começamos a sentir-nos mais capazes e a tentar acelerar o ritmo, os erros multiplicam-se, e, tal como o ditado diz “depressa e bem não há quem”. 

O jogo dá uma total liberdade ao jogador de escolher o seu próprio caminho, não existe um caminho único ou pré-definido a seguir. O mundo de Baby Steps funciona quase como um grande círculo, permitindo que o jogador se “perca” enquanto explora diferentes formas de ultrapassar os obstáculos. E essa acaba por ser a melhor solução, pois isso irá conduzir a dois desfechos: ou o jogador encontra um caminho mais acessível ou o jogador volta ao ponto de partida desse nível (ou de quando tomou a decisão de procurar outro acesso). 

Devido ao tipo de mecânica utilizado seria de esperar encontrar alguns bugs, como a personagem a contorcer-se de forma estranha ou a ficar presa em certos elementos do mundo. No entanto, esses bugs mesmo acontecendo, não são em grande quantidade, Foddy fez um bom trabalho nesse aspeto. 

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Algo a experimentar

Mesmo sabendo que Baby Steps seria a primeira experiência open world e narrativa de Bennett Foddynão seria de esperar uma grande revolução estética comparativamente aos seus antecessores e isso veio a comprovar-se. Ainda assim, chegar ao topo da montanha e contemplar aquela vista é uma recompensa bastante satisfatória. 

O jogo encontra-se na loja da PlayStation a 20€, um valor que considero justo para a experiência que oferece tanto a nível de jogabilidade como relativo ao tempo de jogo. Para completar o jogo pela primeira vez, o jogador deverá levar umas 9 a 10 horas a terminar, isto sem contar com as missões secundárias, algo que não acredito que muitos tentem sem antes aperfeiçoarem os movimentos da personagem, e isso é algo que leva tempo e muita prática. Depois de o terminar, surge ainda o desafio pessoal de querer alcançar o topo o mais rapidamente possível, adicionando assim mais um aspeto de rejogabilidade ao jogo. 

Baby Steps

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Lançamento: 2025-09-23
Distribuidora:
Plataformas:
8
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Francisco Santos
Apaixonado por jogos e cinema. Tento partilhar essa paixão com as outras pessoas.

Colaboraram neste artigo

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