2026 está a ser marcado pela abundante oferta de filmes de terror, mas será que Backrooms consegue conquistar um lugar de destaque?
Realizado por Kane Parsons, Backrooms é a longa-metragem cuja história começou nos fóruns do 4chan e evoluiu para uma das creepypastas mais famosas da internet.
Para contextualizar, o conceito começou com um post no 4chan em que vários utilizadores partilhavam fotografias que geravam desconforto de algum modo. Rapidamente, a ideia ganhou tração e começaram a surgir histórias sobre os diferentes tipos de “backrooms”. Entidades foram criadas, supostamente habitando aquele espaço, e o culto nasceu.
Em 2022, um utilizador decidiu fazer upload de uma curta-metragem em estilo found footage, criada maioritariamente com recurso ao software Blender. Esse utilizador era Kane Parsons que, com apenas 16 anos, se tornou na maior referência do universo dos backrooms. Após o sucesso da curta, a distribuidora A24 ofereceu-lhe um contrato e temos agora o produto final.

O filme começa com uma ode ao vídeo original de Parsons. Em estilo found footage, seguimos os passos de alguém perdido nos backrooms. Vemos o espaço amarelo labiríntico que caracteriza esta história de culto e descobrimos rapidamente que o nosso cameraman não está sozinho quando uma entidade o ataca.
Clark (Chiwetel Ejiofor — 12 Years a Slave) é o dono de uma loja de móveis com pouco ou nenhum sucesso. Enquanto tenta ultrapassar o divórcio, é acompanhado pela terapeuta Mary (Renate Reinsve — Sentimental Value e The Worst Person in the World), embora até essa relação se revele complicada.
Numa noite aparentemente banal, enquanto dorme dentro da sua loja, Clark descobre uma porta que o transporta até aos backrooms. Movido pela curiosidade, tenta mapear o espaço e reunir provas em vídeo daquele fenómeno até que, também ele, se cruza com as entidades que lá habitam.
Backrooms, como seria de esperar, tem como principal inspiração a curta-metragem de 2022. O espaço amarelo e labiríntico, as entidades e o clima constante de suspense recuperam tudo aquilo que tornou a obra original de Parsons tão eficaz.
Onde o filme realmente brilha é, sem dúvida, nos seus aspetos de terror. Como já tinha provado anteriormente, Parsons consegue capturar e construir um clima de medo e insegurança como poucos. Para os amantes do género, isso por si só já será mais do que suficiente. O trabalho de câmara, a sonoplastia e as interpretações de Renate Reinsve e Chiwetel Ejiofor carregam o filme, oferecendo-nos uma experiência de terror que vale a pena ser vista.

Existe uma tentativa de desenvolver os dois protagonistas e explorar as suas motivações, mas essa componente acaba por ficar aquém do esperado. Não existe um esforço particularmente profundo na construção emocional das personagens. Parsons parece demasiado interessado em transportar-nos rapidamente para o universo dos backrooms e em mostrar a sua nova visão daquele mundo.
Ainda assim, os contextos apresentados são bem-vindos e ajudam a desmistificar este mito urbano, oferecendo-nos quase uma resposta para aquilo que estamos a ver.
Não esperem sair de Backrooms com todas as respostas às vossas questões. Tal como o próprio espaço labiríntico que caracteriza esta história, também as respostas que nos são dadas permanecem ambíguas. E talvez seja precisamente aí que reside o maior triunfo de Kane Parsons: perceber que o medo funciona melhor quando nem tudo pode ser explicado.
Backrooms vai convencer os amantes do seu lore sem grande dificuldade, mas também abrir a porta a uma nova geração de fãs. Kane Parsons prova que o fenómeno da internet não era apenas uma moda passageira e entrega um dos filmes de terror mais sólidos de 2026 até agora.