Barbie

Ou por outras palavras, “I’m a Barbie girl in a not so Barbie world”…

Barbie, o mais recente filme de Greta Gerwig, é uma maravilhosa e ousada realização cinematográfica, que cativa tanto tecnicamente quanto emocionalmente. Com mestria, Gerwig tece uma narrativa que explora a complexa história da icónica boneca, refletindo sobre as mudanças nas ideias de papéis de género e feminilidade ao longo das décadas.

Mediante uma abordagem inteligente, o filme apresenta uma reviravolta moderna do mito grego de Pigmalião, onde são as meninas e mulheres que dão vida à personagem Barbie através da sua imaginação. Essa rica conexão entre mitologia e contemporaneidade é um dos pontos fortes da trama, mostrando como a Barbie se tornou uma figura cultural emblemática e evolutiva, capaz de espelhar as transformações sociais e culturais ao longo do tempo.

A cena em que os calcanhares de Barbie descem devido aos pensamentos sobre a morte é um momento emocionante e impactante que representa a transição da boneca de um mundo fantasioso para a realidade, adicionando camadas emocionais à trama, e começando de facto o verdadeiro filme a que Gerwig se propôs trazer para o grande ecrã. A interpretação habilidosa de Margot Robbie traz sutileza e profundidade à cena, transmitindo a complexidade emocional do momento.

Visualmente deslumbrante, Barbie é um verdadeiro banquete para os olhos, com detalhes meticulosos no figurino, produção e cinematografia que criam um universo colorido e mágico em Barbie Land. O trabalho excecional da vencedora do Óscar, Jacqueline Durran, no design de figurinos e de Sarah Greenwood na produção ajuda a dar vida a esse mundo fantástico. A cinematografia de Rodrigo Prieto também merece elogios, proporcionando ao filme um brilho visual que amplifica a atmosfera onírica e imaginativa.

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O elenco é liderado com mestria por Margot Robbie, que entrega uma atuação impressionante como Barbie. Ela capta a essência da personagem com energia contagiante, transmitindo tanto o otimismo inabalável quanto a vulnerabilidade interna de Barbie. A química entre Robbie e Ryan Gosling, que interpreta o carismático Ken, é outra das delícias do filme. Gosling traz uma aura divertida e despretensiosa ao papel, tornando-o um verdadeiro destaque. Barbie conta com um elenco de atores secundários talentosos que elevam ainda mais o filme. Kate McKinnon é uma presença memorável como a excêntrica “Weird Barbie”, que guia a protagonista na sua jornada de autodescoberta. Issa Rae brilha como a Presidente Barbie, trazendo força e confiança à personagem. Alexandra Shipp e Simu Liu também se destacam. America Ferrera acrescenta uma dose de humor e relevância à trama como uma funcionária da Mattel. Juntos contribuem para a riqueza e diversidade do universo de Barbie, tornando-o uma experiência cinematográfica ainda mais enriquecedora.

Embora a narrativa seja predominantemente envolvente e repleta de humor, Barbie também aborda questões relevantes, como as normas de género e o controlo social das mulheres. A transição suave entre o mundo de sonhos de Barbie e a realidade adiciona camadas emocionais à trama, permitindo que o público se identifique com a jornada de autodescoberta da protagonista.

Embora a maioria das escolhas do filme seja acertada, há momentos em que a narrativa perde um pouco do seu ímpeto ao explicar excessivamente alguns temas. No entanto, essas pequenas falhas não diminuem o impacto global do filme, que continua a ser uma experiência cinematográfica envolvente e inspiradora. O filme ganha apenas com cada pequeno detalhe que acontece em primeiro e segundo plano, sendo um daqueles raros momentos em que tudo o que está no ecrã, para onde quer que se olhe, encanta e faz sorrir. Cada personagem cumpre o seu papel, cada cena está excecionalmente bem cuidada, cada detalhe é hilariante, cada momento musical divertido, cada mensagem relevante.

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Barbie é uma realização cinematográfica admirável que vai além das expectativas ao revigorar uma figura cultural tão conhecida e amada. Com uma mistura cativante de nostalgia, humor e reflexão, o filme de Greta Gerwig, habilmente escrito por Greta Gerwig e o seu parceiro Noah Baumbach, apresentando uma narrativa envolvente que equilibra humor e reflexão, celebra a importância da imaginação e o poder transformador da cultura pop. A abordagem inteligente ao conectar a mitologia com a imaginação das meninas e mulheres que dão vida à Barbie acrescenta profundidade ao roteiro. É uma experiência cinematográfica que encanta os fãs da boneca e ressoa com o público, fazendo com que Barbie seja um filme imperdível para todos os que valorizam o poder do entretenimento inteligente, com a vantagem acrescida de que com cada visualização estamos sujeitos a encontrar algo que passou despercebido e encantarmo-nos de novo. Um filme que nos faz querer revisitar uma e outra vez e perceber que a sua verdadeira riqueza está na sua subtileza e não na sua grandiosidade.

Barbie

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João Simões
Viajante perdido à procura de sentido nas respostas dos outros. O personagem do Forky no Toy Story 4 em plena crise existencial é o meu animal espiritual. Quando ganhar um Óscar agradeço pelo meio à Cris e ao Ed se não me despedirem até lá.

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