Baronesa Karen Blixen: 141 Anos do Banquete Mais Famoso da Dinamarca

No dia em que celebraria 141 anos, mergulhamos no universo da Baronesa dinamarquesa e do seu inesquecível "A Festa de Babette". Uma narrativa curta, mas poderosa, que prova como a arte e a generosidade pura podem aquecer os corações mais gelados e transformar tons cinzentos em explosões de cor.
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Por terras dinamarquesas há mais de uma semana, decidi explorar que escritores esta nação gelada tem para oferecer e deparei-me com esta mulher extraordinária: Karen Blixen. Nascida a 17 de Abril de 1882 na Dinamarca, tornou-se célebre pelos seus contos góticos e reflexões profundas sobre o tempo, perda e redenção. Viveu longos anos no Quénia com o marido, de quem herdou o título de Baronesa. Em 1931, regressou à Dinamarca falida e divorciada. Foi por essa altura, aos 46 anos, que se dedicou seriamente à escrita. Em 1934, publicou o seu primeiro livro “Seven Gothic Tales” (Sete Contos Góticos) sob o pseudónimo de Isak Dinesen nos Estados Unidos da América.

Aos 52 anos, destacou-se com a publicação do seu segundo livro “Out of Africa” (Africa Minha, 1937), uma celebração dos seus anos pelo Quénia, dos seus amores, das amizades com os povos locais e da comunhão com os animais e as paisagens. É provavelmente uma das mais belas narrativas sobre África. Contudo, não é sobre este o livro que vos quero escrever.

Para esta exploração literária, escolhi o conto “Babettes Gæstebud” (“A Festa de Babette”, 1958) e é sobre ele que vos quero escrever. Escrito quando Karen Blixen tinha 73 anos, este texto de apenas 64 páginas narra a vida de duas senhoras idosas, filhas de um pastor protestante, numa aldeia remota na costa da Noruega, após a morte do pai.

O relato revela o passado das irmãs Martine e Philippa, mas o coração da história passa-se com a chegada de Babette, uma francesa misteriosa fugida da Comuna de Paris, sem dinheiro e completamente só. Ela pede auxilio e abrigo às duas idosas, que a acolhem com piedade. Em gratidão, Babette oferece serviços domésticos gratuitos, mergulhando nos tons cinzentos da vila e no silêncio dos seus poucos habitantes; um mundo abraçado pelo frio invernal e pela ausência de alegria.

Anos mais tarde e depois de um acontecimento peculiar: Babette propõe um luxuoso banquete francês à austera comunidade para celebrar o centenário do nascimento do pai das irmãs. Com ingredientes refinados e especiarias requintadas, a francesa espera que esta refeição consiga: primeiro agradecer toda a amabilidade e hospitalidade da comunidade e segundo, poder devolver cor às paredes sombrias, aquecer corações gelados e iluminar rostos fechados.

“A Festa de Babette” supera a ideia de um mero banquete, trata-se de um manifesto à arte, ao prazer, ao amor e à generosidade. Através dos pratos servidos, Babette prova que um ato de dádiva pura, sem esperar nenhuma recompensa, pode reconciliar almas, curar ressentimentos antigos e abrir portas à alegria.

Que esta celebração dos 141 anos de Karen Blixen inspire todos os leitores a mergulharem nas suas narrativas eternas sobre graça, perda, redenção, esperança e amor. Aos 73 anos, quando escreveu “A Festa de Babette”, a baronesa provou que a criatividade não tem idade e que um banquete de palavras pode aquecer corações, tal como os pratos de Babette. Um feliz aniversário a esta escritora maravilhosa que continua a nos ensinar a arte de viver plenamente, em qualquer fase da vida.

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Valérie Agostinho
Designer gráfica especializada em design editorial, com mestrado em Práticas Tipográficas e Editoriais Contemporâneas, com grande interesse em investigação relacionada com a terceira idade e o seu empoderamento na literatura. Adoro criar projetos literários e fanzines.

Colaboraram neste artigo

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