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Batora: Lost Haven – Uma bela aventura com espaço para crescer
Publicado a 02 Mai, 2022

Batora: Lost Haven é um jogo isométrico RPG e Hack and Slash ainda em desenvolvimento pelo estúdio Stormind Games. Este videojogo mostra muito potencial mas ainda apresenta algumas áreas onde tem de melhorar. Tive o prazer de ter acesso ao demo do jogo e vou partilhar as razões porque devem experimentar este jogo mas também as áreas onde acho que Batora: Lost Haven tem de melhorar para competir com outros jogos do mesmo estilo.

No demo, o jogo começa já umas horas dentro da história, onde encontramos Avril (a personagem principal) a falar com Batora, sobre como a primeira foi escolhido pelas duas entidades “Sol” e “Lua” para ser a nova protetora do planeta.

Desde logo, no diálogo inicial, podemos notar duas coisa. A personagem principal rapidamente mostra personalidade e intensidade no seu diálogo e Batora, a entidade mais poderosa da Galáxia, que escolhe representar-se como uma idosa, a mostrar-se tão duvidosa como esperançosa com a escolha de Avril como o avatar das Entidades. Por outro lado, é também rapidamente notável que o diálogo e o voice-acting podiam ser melhores. A conversa não parece fluída e algumas vozes se tornam rapidamente irritantes.

Um Planeta Cheio de Vida e História

Depois disso, começamos a história que se vai focar, nesta primeira fase pelo menos, na procura de Mila, a melhor amiga que Avril, que acabou por aterrar numa parte selvagem do planeta. Para além disto, temos uma complexa e interessante gestão e interação com duas fações do planeta que estão constantemente em guerra: os construtores e os destruidores (os nomes não podiam ser mais claros).

E é na história que Batora: Lost Haven tem, de momento, o seu ponto mais forte. Com um sistema de decisão interessante, todas as fações e personagens vão reagir à tua presença e ao teu diálogo de forma diferente, consoante as ações que tomares e que lado da guerra ajudares mais (seja de propósito ou sem querer). Vais navegar por interações com os marcantes e interessantes personagens NPC e vendedores, com complexas ligações sociais entre todos os personagens e grupos.

Cada decisão que tomares vai ter ramificações inesperadas, tanto para a tua aventura como para a tua reação com as fações. Por isso, não as tomes de ânimo leve.

Combate com Ideas Interesasntes mas por Desenvolver

Na tua aventura, vais ter de lutar com muitas criaturas selvagens ou membros das fações, que vão fazer de tudo para te impedir de atingir o teu objetivo. E é aqui que acho que o jogo tem um dos sus pontos mais fracos.

Durante o combate Avril tem duas forças, representantes das entidades da Lua e do Sol, que lhe dão poderes e ações diferentes. Podes trocar entre elas, mas nunca as podes usar ao mesmo tempo.

Esta mecânica é muito interessante, com o Poder do Sol a ser mais focado em ataques físicos com armas, e o poder da Lua mais focado em poderes mágicos. Mas o processo de troca entre ambos os poderes é demasiado lento para um estilo de combate Hack and Slash.

No final, em vez de te permitir combos interessantes entre estes poderes, o jogo quase te obriga a fugir da luta, fazer uma pausa e trocar de poder. Isto faz com que o jogador acabe simplesmente por escolher o seu poder favorito e o utilizar durante toda a luta, ignorando o que é suposto ser um grande foco, tanto para o combate como para a história.

Apesar disso, um componente muito inovador relacionado com o combate é a Skill Tree. Em vez de colocares pontos em habilidades, como na maioria dos outros jogos, esta Skill Tree vai abrindo mais espaços para teres acesso a mais runes, que te tornam mais eficiente no combate.

Ao estilo de FromSoftware Games, ao abrires novas runes inicialmente parece que não faz grande diferença, mas à medida que vais colecionando mais, vais começar a notar verdadeiramente diferença no combate. Um sistema ainda com muito por desenvolver mas no qual vejo muito potencial.

Puzzles Interessantes mas Pouco Diversificados

Para além de tudo isso, Batora: Lost Haven tem também puzzles que terás de resolver com a ajuda, tanto dos teus poderes psíquicos como de interação com os mapas.

A maior parte do teu tempo no jogo vais passar a saltar entre lutas e resolução de puzzles, o que acho muito interessante, mas os puzzles necessitam de mais variedade.

Sou um grande fã de puzzles e por isso adoro esta adição a um jogo de hack and slash, mas após algum tempo, os puzzles parecem repetitivos e tornam-se apenas algo que tens de resolver para chegar à próxima luta. Espero que a Stormind Games consiga torná-los mais interessantes e transformá-los em momentos que os jogadores tenham prazer em jogar.

No final, Batora: Lost Haven não reinventa, para já, o estilo Hack and Slash, mas traz muitas ideias inovadoras que se desenvolvidas corretamente, vão tornar o jogo numa grande entrada no género.

Se a ideia de um jogo isométrico com ambientes inter-galáticos visualmente lindos te atrai, Batora:Lost Haven é definitivamente um jogo que tens de tentar. Com personagens que claramente vão marcar os jogadores e uma complexa mecânica de escolha/consequência, sinto que o jogo apenas tem de melhorar no sistema de combate e diversificar os puzzles para verdadeiramente atrair uma base de fãs grande.

Esta análise foi possível com o apoio da Storming Games/Team 17!
Batora: Lost Haven
  • Positivo
  • Ambiente Isométrico lindo
  • Personagens marcantes
  • Decisões que afetam história e mundo
  • Boa sinergia entre puzzles e combate
  • Negativo
  • Mecanismos de combate demasiado lentos
  • Puzzles repetitivos
  • Voice Acting podia ser melhor
Escrito por:
Diogo Gomes
Milenial com mestrado em Psicologia Clínica com especialização em Sexologia apaixonado por Artes, Videojogos e Tatuagens. Auto-intitulado Rogue que constantemente se perde na sua própria imaginação.