Neste jogo de terror e suspense, cada jogador vai desempenhar o papel de um explorador enquanto se descobrem novas salas numa velha casa assombrada. Contudo, nunca sabes o que (ou quem…) vais encontrar do outro lado de cada porta que abres.
Apesar de começar como um jogo cooperativo, em que todos os jogadores podem ir discutindo e decidindo os próximos passos, chegará a altura em que a maldição começa. Nessa fase, um dos jogadores vai revelar-se como traidor, enquanto os outros se tornarão heróis, que continuarão a jogar juntos para conseguir sair da casa com vida!
Mas então, qual o objetivo?
O principal objetivo do jogo é, na primeira fase, conseguir desvendar a casa e tornar o nosso explorador mais forte. Durante esta primeira parte, ninguém pode morrer. Na segunda fase, depois da maldição começar, o nosso objetivo passa a ser o de cumprir uma determinada condição, quer sejamos um dos heróis ou o traidor. Porquê uma “determinada condição”? Porque, e este é um dos pontos fortes do jogo, o Betrayal at House on the Hill pode ter 50 finais diferentes! Sim, leram bem: apesar da primeira fase se desenrolar sempre de forma semelhante, nunca se sabe o que vai acontecer no final!
Como se joga?

Cada jogador começa, então, por escolher o seu explorador, que terá determinadas características: físicas (Speed e Might) e mentais (Sanity e Knowledge). Algumas cartas e efeitos do jogo vão alterar as características com que os nossos exploradores começam o jogo e, se na segunda fase do jogo algum dos valores descer abaixo de um determinado nível, o explorador morre.
Em cada jogada, o explorador pode fazer até 4 ações diferentes, em qualquer ordem: mover-se pela casa (o número máximo de casas depende da Speed do explorador), abrir uma nova divisão da casa, usar uma carta, fazer um lançamento de dados ou atacar (apenas na fase da maldição).
Abrir uma nova divisão
No início do jogo, apenas conhecemos a entrada da casa, a entrada do 1º piso e a entrada da cave. Se o jogador quiser descobrir uma nova divisão, terá de virar uma das cartas de divisão e colocá-la junto a uma das portas disponíveis. Atenção: a carta tem de ser colocada no piso de que faz parte: Upper, Ground ou Basement. Além disso, o explorador terá de entrar para a nova divisão, pelo que esta tem se se encontrar a uma distância que lhe seja possível avançar com o seu valor de Speed!
Quando abrimos uma nova divisão, nunca sabemos ao certo o que vai acontecer. Podemos entrar numa catacumba, que nos obrigue a lançar os dados para tentar sair, numa sala que nos permita aumentar os nossos traços mentais ou físicos ou podemos entrar numa divisão onde seja obrigatório tirar uma carta… Assim, a nossa casa vai ter, em cada jogo, uma disposição diferente.
As Cartas
Como já vimos, algumas divisões obrigam-nos a ir buscar uma carta: Event, Item ou Omen. Isto apenas se aplica ao jogador que abrir a divisão. A partir daí, mesmo que um explorador passe por essa sala, já não é obrigado a tirar a carta.
Event Card – o explorador terá de ler a carta em voz alta e cumprir as suas instruções. Estas cartas podem obrigar lançamentos de dados entre exploradores que, como consequência, alterem os seus traços físicos ou mentais.
Item Card – Estas cartas permitem ao explorador ir juntando itens que poderão ser úteis durante o resto do jogo: uma armadura, um revólver, …
Omen Card – O explorador terá de ler a carta em voz alta e ganha o Omen respetivo. Pode, também, ter de realizar alguma ação, dependendo da carta.
As cartas Item e Omen podem, ao longo do jogo, ser usadas, trocadas com outros exploradores ou até roubadas!
Bem, então… quando começa a maldição?
Pois é, durante a primeira fase do jogo, sempre que o explorador tirar uma carta Omen, terá de lançar 6 dados. Se o resultado do lançamento for superior ao número de cartas Omen que já estão na mesa, os exploradores continuam a descobrir a casa. Se o lançamento for inferior, bem… então a maldição começa!
Que maldição? E quem é o traidor?
Existem, como já foi dito, 50 maldições completamente diferentes! E é agora que vamos descobrir em qual delas os exploradores estão metidos! Para isso, é necessário consultar uma matriz, com dois fatores de entrada: a carta Omen que deu origem ao lançamento e a divisão onde o explorador que fez o lançamento se encontrava. Cruzando estes dois dados, é obtido um número entre 1 e 50: esta é a maldição que vai ser jogada! Os exploradores poderão ter de fugir de múmias, ter cuidado com fantasmas ou garantir que não são apanhados por monstros!
Ao contrário do que se possa pensar, o traidor não é o explorador que fez o lançamento que desencadeou a maldição. É, também, o livro que irá nomear o traidor.
A Maldição
Chegados à segunda fase do jogo, é aconselhado que o traidor saia da sala e leve consigo o “Traitor’s Tome” – um livro que contém a explicação, para cada uma das 50 maldições, daquele que será o objetivo do traidor para vencer o jogo. Na sala, fica o grupo de heróis, que também terá de consultar “Secrets of Survival” para perceber como podem escapar com vida desta maldição!
Quando todos estiverem prontos, continuam o jogo: agora, heróis contra traidores! Aqui, os heróis terão de usar os itens que foram conseguindo conquistar e trabalhar em equipa para vencer o traidor. Este, por seu lado, terá de cumprir a sua tarefa (pode ter o apoio de monstros, que espalhará pela casa e que poderá movimentar) e impedir que os exploradores consigam impedi-lo!
O primeiro a cumprir o objetivo ganha o jogo!
Análise
Betrayal at House on the Hill é, sem dúvida, um bom jogo cooperativo com um toque de suspense e terror, ideal para uma noite de jogos com amigos. O setup do game é interessante, com várias peças, peões personalizados consoante o explorador, tokens, entre outros complementos.
O facto de cada jogo ser sempre diferente é um excelente bónus: afinal, mesmo que a maldição seja a mesma que noutro jogo que já tenha sido feito, a casa foi explorada de forma diferente e toda a mecânica terá de mudar.
Como pontos menos positivos, salientam-se dois. Em primeiro lugar, a grande dependência da língua inglesa. O jogo não foi traduzido para português e é muito difícil jogá-lo sem um bom domínio do inglês. Especialmente se um explorador com menos domínio da língua acabar por ser o traidor e tiver de ser capaz de ler e perceber, sozinho, qual vai ser a sua missão para a segunda fase do jogo. A língua inglesa está, neste jogo, presente em tudo… nas cartas, nas divisões da casa, nos livros do traidor e dos heróis. Por outro lado, o jogo pede alguma experiência. Para alguém que não costume passar algum tempo com jogos de tabuleiro, esta não iria ser, provavelmente, uma boa primeira experiência, já que tem algumas estratégias e mecânicas envolvidas.
Quanto ao tempo de uma partida, e apesar da a caixa dar 1 hora como tempo de referência, a verdade é que costuma alongar-se, acabando por chegar, com grande facilidade, aos 120 minutos de jogo. Portanto, se têm pouco tempo disponível, não arrisquem e esperem por um dia em que possam jogar com calma e desfrutar do jogo.
Em suma, Betrayal at House on the Hill é um jogo que prende os jogadores ao tabuleiro, que os deixa curiosos sobre o que vai ser descoberto na casa e que obriga a pensar em estratégias diferentes de cada vez que é jogado. A forma como estão escritas as histórias das maldições, bem como as cartas que vão sendo ganhas ao longo do jogo, é um deleite para qualquer amante de terror e sobrenatural.