Branca de Neve (Rachel Zegler) corre perigo. A Rainha (Gal Gadot), a sua madrasta, ordenou que a matassem e esta vê-se obrigada a refugiar-se na floresta. Lá, ela encontrará sete valiosos aliados que a ajudarão a recuperar o seu lugar no castelo e a honrar o antigo rei, o seu pai.

Depois de todas as polémicas e da Disney parecer ter desistido de promover o próprio filme, cancelando diversos eventos relacionados com a obra, “Branca de Neve”, a releitura da primeira longa-metragem animada da história, chegou aos cinemas. Apesar do filme se encaixar perfeitamente nesta prateleira dos filmes live-action da Disney e que embora compreenda que possam atingir de forma competente o seu público-alvo, penso que em nada agregam ou sequer fazem sentido. “Branca de Neve” cai exatamente nesse limbo, com a adição de alguns problemas claros que catapultaram o filme para a fama meses antes da sua estreia.
Desde contratar uma atriz latina para o papel principal, não empregar atores com nanismo graças ao comentário de Peter Dinklage e permitir que ambas as atrizes viessem a público, primeiro afirmando que o filme original era datado e, depois, lançando farpas uma à outra com base em opiniões políticas, tudo isto foram erros claros por parte da empresa. Mas, na minha opinião, as maiores falhas da obra estão, na verdade, no cerne da questão, a problemática recriação do material original – algo que não foi pedido nem era necessário.
A tentativa de modernizar a história, na minha opinião, é apenas conseguida na narrativa que envolve o personagem de Andrew Burnap, uma vez que o príncipe não foi, de todo, explorado no filme de 1937. Todas as outras mudanças fariam sentido se se tratasse de uma história original. Ao chegar ao espectador já com o rótulo de “Branca de Neve”, as comparações serão inevitáveis e, claro, perde em absolutamente todos os aspetos quando comparado à obra original.

A decisão de transformar os anões em criaturas de CGI não funcionou para mim. Uma vez que os mesmos interagem com diversas personagens humanas, torna-se inevitável que a sua aparência soe algo estranha para o espectador e o elenco também não me agradou. Gal Gadot não me pareceu a escolha mais adequada e Rachel Zegler, apesar da voz incrível, também não.
O design de produção e a fotografia de Mandy Walker são eficazes, mas a direção de Marc Webb parece-me, por vezes, preguiçosa em apostar quase sempre em planos muito gerais para mostrar a grandiosidade dos sets não sabendo, no entanto, guiar a atenção do espectador, o que faz com que os sets pareçam na verdade claustrofóbicos e repetitivos.
No final das contas, “Branca de Neve” é mais um exemplo de como a Disney tem enfrentado dificuldades ao revisitar seus clássicos em formato live-action. A falta de uma visão clara sobre o propósito dessas adaptações resulta em filmes que, apesar de visualmente impressionantes, carecem da magia e do impacto emocional das obras originais. Infelizmente, esta versão não consegue justificar sua existência além do simples apelo comercial, deixando a sensação de que algumas histórias talvez devam permanecer intocadas.