Se existiram dois jogos que marcaram uma geração de consolas, e também toda uma geração de jogadores, foram Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Acho que ninguém pensa na Nintendo Switch sem pensar nestes dois títulos. Até podem existir outros, mas estes de certeza que também estão bem gravados na memória de todos nós.
E é por se terem tornado em clássicos instantâneos que no lançamento da Nintendo Switch 2 eles marcaram presença com versões melhoradas para esta nova consola. Breath of the Wild acabou mesmo por ser o pontapé de saída para uma nova consola, a Switch, ainda que também tenha sido lançado na Wii U. Para quem tenha apenas experienciado este título nesta consola, vai de certeza ter uma grande surpresa.

Para começar, somos logo atirados para Hyrule com os muito bem vindos 60 frames por segundo. Acho que podiam nem ter feito mais nada, só o facto de este jogo correr de forma totalmente estável sempre a 60 fps já é uma dádiva vinda dos céus e faz toda a diferença! Vou até aproveitar e talvez recuar numa afirmação que defendia bastante: que há jogos que podem perfeitamente estar a 30 fps para ter um ambiente mais cinematográfico.
Ainda que essa minha afirmação fosse suportada pelo que até então havia saído e estava ainda preso a esses 30 fps, com as constantes atualizações para suportarem o dobro, acho que está mais do que garantido que o ambiente cinematográfico consegue sobreviver a mais fluidez. E torna-se tão mais confortável!
E aqui não é excepção. Se já era bom antes, agora ficou ainda melhor.
A acrescentar a esta capacidade de resposta acrescida, temos ainda uma melhoria nas texturas, que ficaram bem mais definidas. Isto aliado ao aumento da resolução do jogo (inclusive até 4K na televisão), mais a possibilidade de se usar HDR, faz com que explorar e revisitar locais familiares pareça totalmente novo.

Estranhamente, ou não, dei por mim a carregar o meu jogo de há tempos atrás e a perder quase duas horas apenas a andar de um lado para o outro sem fazer propriamente nada. Andei um pouco a cavalo, nadei, subi umas montanhas, apreciei algumas paisagens, derrotei uns quantos inimigos, e estava feliz! E ao recomeçar um novo jogo, que é possível fazer sem perder o nosso anterior, parece que ainda foi mais óbvio a diferença que este atualização fez a Breath of the Wild.
Mas se este continuava jogável mesmo na sua versão original, o mesmo não se pode dizer de Tears of the Kingdom. Tenho de admitir que não o terminei, nem lá perto, porque realmente foi algo sofrível ver várias quebras na resposta da imagem ao meu movimento. Algumas delas toleráveis, outras que arruinaram por completo a experiência.
Dou os parabéns a quem conseguiu ultrapassar este obstáculo, porque realmente é preciso muito poder de abstração para conseguir continuar a prosseguir quando parece que o simples ato de rodar a câmara está contra nós. Até admito que isto pode ser considerado capricho, mas para mim, otimização é essencial seja em que jogo for. Não digo que tenha de ser nos 60 frames por segundo, ainda que ache que essa deveria ser a nova norma, mas se só conseguem chegar aos 30, que se mantenham sempre lá, ou pelo menos 99% do tempo.

Escusado será dizer que se havia jogo que merecia esta atualização, era este! Eu acho que mal o jogo começou, novamente do zero, o meu queixo caiu e não voltou ao sítio até que fiquei rodeado de nuvens e mergulhei de cabeça num lago.
O meu maior espanto acho que nem se prendeu exatamente no aumento dos frames, nem na melhoria das texturas e resolução ou até na existência de HDR, ainda que estes últimos de certeza contribuíram para me fazer ver o quão bonito Tears of the Kingdom realmente é. Talvez a versão original me tenha toldado a visão na altura do seu lançamento, mas agora que não havia nada a impedir-me de realmente apreciar o jogo por aquilo que ele é, fiquei genuinamente impressionado só pelos momentos iniciais de abertura.
Lá está, se calhar tudo isto já era bem notório há um par de anos atrás, mas não conseguia ignorar que tudo seria bem melhor, não fossem existir limitações técnicas. Não sou de dar prioridade a visuais topo de gama em detrimento de bom gameplay e uma boa história, mas se tecnicamente as coisas interferem com tudo o resto, principalmente o gameplay, não consigo forçar-me a ter uma experiência menos boa só para conseguir progredir no jogo.
E agora nem eu nem ninguém precisa de o fazer! Tal como Breath of the Wild, temos as melhorias já mencionadas em cima e se optarmos por jogar na televisão, também continuamos com a resolução nos 4K. Se houve boa altura para pegar nestes dois títulos, é agora!

Para finalizar, os tempos de carregamento do jogo, seja a viajar para outros locais do mapa ou após sermos derrotados ou em que situação for, ficaram bem mais reduzidos. E temos ainda uma app no telemóvel que podemos recorrer que serve como guia do jogo, mas para ser totalmente honesto acho que retira toda a piada à exploração, daí que recomende não ser usada de todo!
Ainda que para muitos possa ser difícil justificar a compra de uma Nintendo Switch 2 pela falta de novos jogos para acompanhar o lançamento da consola, eu estou mais do que satisfeito por saber que os jogos da consola anterior vão agora correr bastante melhor e que, alguns deles, têm direito a estas atualizações adicionais, ainda que sejam pagas ou “gratuitas” para quem tiver a subscrição do serviço online da Nintendo.
E enquanto não chegam novos títulos, o que melhor do que voltar a reviver boas aventuras com melhorias que dão nova vida a estes clássicos?