Bullet Train – É por isto que prefiro ir de expresso

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Ou por outras palavras, a CP que se ponha a pau com os ninjas…

Bullet Train, tal como o nome indica, transporta-nos num comboio de alta velocidade ao longo do Japão, e carrega em si um conjunto de personagens que se interligam como carruagens. Os elos que os unem são ao longo do filme revelados, outros mais óbvios, outros mais surpreendentes. O resultado é um filme de ação que entretém e que não nos deixa respirar, passando de cena de luta para cena de luta, à mesma velocidade com que o comboio viaja.

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Os personagens são abstratos e conscientemente cómicos, conseguindo assim não ser unidimensionais. Embora todos tenham um objetivo em comum, todos também têm um passado ao qual tentam fugir, acrescentando-lhes várias camadas. Todos assassinos sob contrato ou indivíduos violentos ligados ao mundo do crime, algo que os une é terem rancor ou serem objeto de rancor um dos outros. Todos, ou quase todos, apresentam histórias de fundo trágicas e sentimentais. Os que não apresentam são puramente malévolos e, infelizmente, descartáveis. Acima de tudo, todos gostam de um bom monólogo, o que muitas vezes nos deixa a desejar que calem a boca.

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Que personagens são estas que acabam por ser a alma e a desilusão de um filme que quer tanto ser de ação, mas que no fundo se perde num estudo incompleto de personagem?

Brad Pitt é a nossa estrela principal no seu papel como Ladybug, um ex-assassino ordenado a embarcar no comboio, roubar uma maleta e descer na paragem a seguir. A sua história é que não deveria ali estar, pois de facto está ali apenas para substituir outro assassino que ficou indisponível no último minuto. A esta tragédia acrescenta-se ainda o facto de ter acabado de sair de um retiro para o controlo da raiva, que o levou a não querer matar sendo que, por isso, não carrega uma arma consigo. Os companheiros de cena do nosso Ladybug são uma equipe de homicidas excêntricos: Joey King é “A Príncipe”, apresentando-se como uma adolescente inocente horrorizada com a crueldade dos homens, mas que imediatamente se revela como uma máquina de destruição inteligente e implacável. Brian Tyree Henry e Aaron Taylor-Johnson são irmãos que foram de missão em missão acumulando uma contagem de corpos aparentemente na casa dos três dígitos, e que agora se encontram no comboio protegendo a maleta e escoltando o deprimido filho de vinte e poucos anos (Logan Lerman) de um terrível chefe do crime conhecido como a Morte Branca.

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O enredo inicialmente parece orientado e com um objetivo em mente, mas à medida que o roteiro adiciona novos lutadores à mistura – alguns dos quais sem qualquer necessidade ou sentido – e estabelece que todos estão tangencialmente conectados. Bullet Train transforma-se numa exposição barata, embora sincera, sobre destino, sorte e carma.

Segundo um estilo que mistura Quentin Tarantino e Guy Ritchie, os nossos assassinos vão atrás uns dos outros com qualquer objeto que conseguem colocar as mãos, gozando uns com os outros enquanto lutam, mas rapidamente mudando de tom quando um morre, o que muitas vezes afeta o filme pela incapacidade do elenco de fazer essa mudança de forma credível e autêntica.

Em última análise, Bullet Train resulta nas suas sequências de ação, mas falha na criação de algo sincero, deixando-me a pensar no que poderia ser se fosse ao encontro de uma abordagem como nos apresenta “Spider-Man: Into the Spider-Verse”.

Bullet Train - Comboio Bala

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Lançamento: 2022-08-04
Realizador: Argumento:
Duração: 126 min
Distribuidora:
7.5
Picture of João Simões
João Simões
Viajante perdido à procura de sentido nas respostas dos outros. O personagem do Forky no Toy Story 4 em plena crise existencial é o meu animal espiritual. Quando ganhar um Óscar agradeço pelo meio à Cris e ao Ed se não me despedirem até lá.

Colaboraram neste artigo

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