Catilina entre a Espada e as Mulheres

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Onde estás Catilina? Mal te vi.

Normalmente, romances históricos levantam grande polémica nos círculos intelectualóides. Quem gosta de ler romances, naturalmente não se importa se o livro tem algumas falhas históricas desde que as personagens principais sejam “deliciosas”, mas para os historiadores e convencidos qualquer erro causa uma certa irritação miudinha só apaziguada pela constante derramação de críticas. Porém, Fonseca Alves resolveu a situação, utilizando personagens já conhecidas por serem apaixonantes e, ao mesmo tempo, tendo o cuidado de não inventar loucuras inaceitáveis.

Como fã de romances históricos, admito inicialmente estar hesitante acerca deste livro que se encontrava em cima da minha secretária já há algum tempo. Não por odiar erros históricos, mas antes por achar que conhecimento histórico e experiência artística em excesso podem tornar qualquer tema num aborrecimento.

Tema do Livro

Contudo, fui positivamente surpreendida. O que encontrei neste livre foi, simplesmente, parte da vida mítica de Lúcio Sérgio Catilina, um político romano e comandante de exército, muitas vezes relembrado como um traidor da República Romana (isto antes de Júlio César).

A história é muitíssimo interessante, como qualquer história do Período Clássico tende a ser. Mas Alves faz um excelente trabalho ao pintar-nos um mundo que é ao mesmo tempo belo e repulsivo. Neste mundo onde os homens devem lutar para manter a cabeça, os homens bons são muitas vezes forçados a combater uns contra os outros.

Personagens e o Papel da Mulher

No entanto, o livro é curto, pois olhamos apenas para os últimos dias da vida de Catilina. Este apaixona-se por Flávia, uma mulher vivaça, e luta numa guerra que não tem como vencer. Por causa desta limitação de tempo, achei estes momentos rápidos e desagradáveis. As personagens principais, que podiam ser tão ricas em personalidade, acabam por desempenhar papéis menores neste mundo gigantesco. Por outras palavras, não há uma única personagem principal.

Apreciei o foco nas mulheres, independente de denotar por parte do narrador uma paixão excessiva pelo papel maternal. As melhores personagens são mulheres. Elas praticamente governam Roma… Só que elas nunca podem alcançar nada e tudo o que fazem é falar e cuidar umas das outras. Portanto tudo o que as mulheres alcançam é temporário e sem grande relevância para o livro em si. Os homens, por outro lado, são… simples. Catilina é um homem de curtas palavras, bonito e desejado por todos, mas ao mesmo tempo um tolo pela sua falta de cautela. Para piorar a situação, Catilina desaparece em grande parte do livro, fazendo-me questionar se o objetivo de batizar o livro de Catilina Entre a Espada e as Mulheres não seria antes um simples golpe publicitário.

Conclusão

Num olhar geral, a história é genial e, independentemente de quão superficiais os personagens acabam por ser, facilmente nos identificamos nelas, temendo a morte dos que consideramos justos e honrados. No entanto, continuo a desejar que este livro fosse mais apropriado para todos os leitores, em vez de uma tentativa de ser um livro intelectual. As personagens não são naturais, o narrador usa palavras caras com demasiada frequência, acabando por se repetir. Além disso, não é como se os intelectuais já não conhecessem a história de Catilina.

Consequentemente, aconselho Isabel Stilwell. Escrita mais simples, mas mais agradável para todos os leitores.

Catilina Entre a Espada e as Mulheres

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Isabel Rezende
Descrever-me-iam em poucas palavras, antissocial, com cara de rufia, cabelo curto, esquisita e com uma atitudezinha de mosca. Escrevo desde os 13 anos, mas só comecei a ler seriamente aos 17 anos. No meu primeiro ano de licenciatura li dois dicionários, curou-me o ódio pelos livros. Sou uma alma velha num corpo de criança, tudo me surpreende ou me enfurece.

Colaboraram neste artigo

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