Common’hood

Mais do que um jogo, um ato comunitário pelo bem do mundo

Common’hood trata-se de um jogo de sobrevivência num cenário pós-apocalíptico, que testa as nossas capacidades de gerenciamento de recursos e desenvolvimento pessoal de empatia pelo próximo.

Numa eventual experiência a solo, o jogo pode tornar-se um pouco entediante, uma vez que se torna repetitiva a tarefa de recolha de materiais, mas criativa e interessante a ideia de como os vamos usar. Ficámos impressionados, positivamente, pelos milhares de combinações que podemos fazer e recorrer para construir quartos, divisórias, secções, escadas, portas, janelas, entre outros. A liberdade criativa é um aspeto forte em Common’hood. Contudo, jogando em comunidade (modo multiplayer), a dificuldade acresce nas escolhas/opções que tomamos. Como serão os materiais usados, para que fins e para que motivos, obrigando, muitas das vezes, ao diálogo e debate. Soubemos da existência de lobbies onde se fazem votações para escolher um representante (um monitor e até mesmo um “presidente” da comunidade), de modo a tornar a experiência mais fluída e, fazendo jus ao título do jogo, “um ato comunitário”.

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Aproveitamos ainda para mencionar a questão do jogo nos obrigar a manter e cuidar do novo espaço em que habitamos, tendo especial atenção para as cultivações e jardinagem permitidas (plantar vegetais), de modo a manter a comunidade alimentada. Chegámos a assistir a discussões engraçadas (e outras nem tanto), se a comunidade devia focar-se mais na plantação de batatas ou de cenouras.

Não sendo “o último grito dos avanços gráficos”, Common’hood tem um estilo cativante que reserva lugar e espaço de destaque ao detalhe das coisas que nos rodeiam e não tanto para as personagens que usamos. Devemos ainda salientar o cuidado musical aplicado, que nos faz “mergulhar” neste novo mundo.

Não existem inimigos para matar. O jogo é um mundo de ações e construções que promove o diálogo e nos ajuda imenso a tomar decisões. Não dando muitos pormenores sobre a história (de modo a evitar spoilers), Common’hood foca-se muito na narrativa, apelando à sensibilidade do jogador, fomentando o seu espírito de equipa, equilíbrio moral/ético, inflamando-nos uma forte sensação de empatia e condescendência para com o próximo. É ainda de salientar a sensibilização para as alterações climáticas, da necessidade de reduzirmos a nossa pegada de carbono e de assegurar a vida para as gerações futuras, num mundo que parece querer contrariar o que é logico e o que “supostamente” deve ser o correto. Contra tudo e até mesmo contra a própria lei feudal, em Common’hood é raro deixarmos de estabelecer comparações com todo o tipo de problemas mundanos. A mudança começa sempre com um primeiro passo.

Posto isto, não é á toa que Common’hood está indicado pelo INDIECADE para “jogo como maior impacto social”, e pelo Games for Change para “Best Civics Game”.

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Como aspetos menos positivos do jogo, temos somente que apontar a quebra de alguns FPS e da “monotonia” repetitiva, embora propositada, em algumas das tarefas do jogo. Compreendemos que a narrativa do jogo tem como objetivo de sensibilizar o jogador para vários problemas, contudo demos muitas vezes, a bocejar e a “desligar” do contexto. Por sua vez, temos também que referir a dificuldade em compreender as mecânicas base do jogo, pois o tutorial não é muito “amigável” de se compreender ou de perceber. Acresce maior dificuldade quando jogamos o jogo numa consola, através de um comando. Parece que não existiu um esforço, por parte da desenvolvedora, em tornar o jogo mais simplificado a nível dos controlos para quem recorre ao uso de um comando/controlador.

Como valores postivos, destaca-se mesmo pela forte mensagem moral, ética e “simplicidade” de como a narrativa se desenrola. Não nos admirávamos se incluíssem jogar Common’hood enquanto tarefa numa aula de cidadania ativa nas escolas Portuguesas.

Common'hood

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Lançamento: 2022-09-11
Distribuidora:
Plataformas:
8.5
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Francisco Costa
Um apaixonado pela cultura Geek que adora tecer comentários e criticas às mais novas formas de arte! Sou uma pessoa um pouco reservada, mas sempre pronto para debater, por largas horas (ou em escassos minutos) qualquer assunto!. Tenho como hobbies favoritos o desenho e a fotografia de rua.

Colaboraram neste artigo

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