Após a morte do Papa, o cardeal Thomas Lawrence (Ralph Fiennes) fica responsável por organizar o conclave, uma das mais antigas e secretas cerimónias do mundo, visando a escolha do novo rosto da Igreja Católica. À medida que vai acompanhando o dia a dia dos 108 papáveis, o Decano Lawrence apercebe-se que várias conspirações podem por em causa a fundação da Igreja Cristã.
Inspirado no livro com o mesmo nome, de Robert Harris, “Conclave” de Edward Berger, realizador aclamado por “A Oeste Nada de Novo” (2022), adapta a história para o cinema, acompanhando um conclave e, consequentemente, o dia a dia dos cardeais no Vaticano. A escolha de Berger de isolar completamente todas as personagens do exterior do Vaticano é muito inteligente. Passam-se coisas, inclusive acontecimentos importantes fora do Vaticano, mas nada é mostrado. A obra começa e acaba dentro dos terrenos sagrados da cidade-estado, o que nos deixa, enquanto espectadores, completamente imersos dentro da história que está a ser contada. Berger conta também com uma excelente equipa de design de produção capaz de, por exemplo, construir uma réplica exata da Capela Sistina em apenas 10 dias, que, em conjunto com a direção de fotografia de Stéphane Fontaine, conseguiram criar um dos mais bonitos filmes que já vi, visualmente falando.

O primeiro ato da longa metragem é longo e é onde imagino que vá perder bastantes espectadores, uma vez que o filme procura estabelecer todas as regras do local e apresentar-nos todos os envolvidos, inclusive algumas personagens que depois acabam até por ter pouco ou nenhum destaque, antes de realmente embarcar nos conflitos propriamente ditos. No entanto, o argumento de Peter Straughan é bem conseguido e traz-nos diálogos interessantes, construídos de forma subtil que visam, na maior parte das vezes, alimentar o debate entre a igreja progressista em oposição a uma igreja mais conservadora. Se o filme conseguir manter o espectador durante o seu primeiro ato, tenho a certeza que este argumento conseguirá crescer gradualmente o interesse do mesmo na obra até culminar no seu grand finale.

As atuações, de forma geral, são boas e os nomes de Stanley Tucci e Isabella Rossellini funcionam como personagens secundárias mas o destaque vai para Ralph Fiennes que deve certamente colocar o seu nome na discussão dos Oscars, prémio que, na minha opinião de forma injusta, ainda não venceu.
“Conclave” é um filme que tem as suas falhas e que conta com um longo primeiro ato, mas que vale a pena ser visto no cinema, nem que seja pela atuação fenomenal de Ralph Fiennes ou pelo excelente trabalho da equipa de som e de design de produção.