Concord (BETA) – Primeiras Impressões no PC

Concord(o), não está fácil. Tenho de admitir que fui um daqueles casos em que fiquei algo apático ao ver o anúncio de Concord no passado mês de Maio. Inicialmente até me deixou algo entusiasmado porque a cinemática estava, a nível de ambiente e tom, a acertar em cheio. Ao saber que estávamos perante um título competitivo online, é que me deixou algo de pé atrás. 

A minha grande preocupação não se prende com essa parte. Era mesmo na jogabilidade e oferta, se iam conseguir entregar um jogo que consiga vingar num mercado que mudou bastante desde que existiram os primeiros grandes lançamentos do género. 

No primeiro fim de semana de beta, ainda fechada, conseguimos experienciar esta nova aposta dos estúdios da Sony, mais concretamente da Firewalk Studios, o convencional team deathmatch, o trophy hunt onde após eliminarmos cada adversário temos de recolher um item para contabilizar o ponto, e ainda Cargo Run, que consiste em apanhar um objecto e ir depositá-lo num determinado ponto e defender até o contador terminar. Mas ao contrário dos outros dois modos, este não permite que se volte à ronda após sermos eliminados. Vimos assim três dos seis modos que vão existir no lançamento oficial a 23 de Agosto. 

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Concord está muito mais bem conseguido daquilo que estava à espera. Visualmente é suficiente dizer que tira total partido do Unreal Engine 5. Certos personagens chegam a ser assustadores de tão expressivos e reais que parecem ser. A nível sonoro está, curiosamente, bem acima daquilo que existe no mercado atualmente. Não só os efeitos e vozes estão incríveis, como a nível de jogo propriamente dito funciona na perfeição. Foi dos poucos jogos que qualquer indicação sonora do que se estava a passar era totalmente de confiança. Se ouvia passos, sabia exatamente onde estavam os inimigos. Os tiros ao fundo conseguem indicar a origem lindamente. Está tudo muito bem aprimorado, o que resulta numa apresentação global exemplar. 

A jogabilidade também é extremamente divertida e quando conseguimos que todos os elementos da equipa joguem juntos, torna-se numa experiência que tem tanto de intensa como gratificante. A melhor maneira de descrever Concord pegando em jogos atuais, é uma mistura entre Destiny, Halo, Valorant e Overwatch. Tudo na dose certa para que funcione sem se tornar estranho. O que também não é estranho é que se pareça com alguns dos títulos previamente mencionados já que este estúdio tem à frente antigos membros da Bungie

Qual está então a ser o grande problema de Concord? A opinião pública. 

Estamos em uma época na indústria de jogos em que é extremamente difícil para um novo IP sobreviver numa enchente de novos títulos e experiências que competem constantemente por atenção. Assim, as críticas acabam por se concentrar em aspetos como a inclusão de pronomes para os personagens (o que não afeta o jogo em nada), a necessidade de se conectar a uma conta PlayStation Network (algo comum entre muitos jogos), ou ainda dizem que o jogo é aborrecido (o que pode ser verdade para quem não aprecia o género). Alegam também que o jogo tem mau aspeto, o que é totalmente falso, já que é um dos títulos mais bonitos que vi este ano, talvez o melhor. Embora alguns reclamem da dificuldade em entender os personagens, basta ler duas linhas de texto para ter tudo explicado. Mesmo que acabem por não ler, é bastante óbvio aquilo que cada um faz após fazer um ou dois jogos e as sinergias entre os vários membros da equipa acabam por acontecer bastante naturalmente. 

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Ainda assim, por alguma razão, o jogo continua a não ter grande aceitação, o que me leva a uma única conclusão: tudo o resto não interessa, quando te pedem 40 euros por um novo jogo competitivo quando tens literalmente Call of Duty, Overwatch 2, Valorant, e outros tantos títulos, totalmente gratuitos. 

Muito honestamente, eu compreendo e até concordo. Se é um valor justo? Talvez. 

Estamos a falar de um novo título que vai ser lançado ao mercado com variados mapas, muito bem desenhados, diferentes modos de jogo, alguns já nossos conhecidos, outros nem tanto, com 16 personagens distintos e, na grande maioria, bem afinados, tudo englobado numa experiência premium e repleta de conteúdo. 

Se nos dias de hoje é justificado? Provavelmente não. 

Goste-se ou não, o caminho vai ser pagar por conteúdo adicional e não pelo jogo base. Se queremos algo mais, temos subscrições ou extras. É isso que o público procura, e a constante entrada de lucro é algo que também interessa aos estúdios. A minha esperança é que com o feedback que o público tem estado a mostrar, exista uma mudança de paradigma na Sony e na Firewalk Studios e que percebam que a estratégia para o Concord precisa ser outra. A nível de jogo têm tudo no sítio, é só preciso tornar a oferta mais aliciante para o consumidor, que nem precisa de passar pelo gratuito, apenas por algo mais justo e que não comprometa futuros conteúdos pagos. Caso contrário, nem sei se vai sequer ter oportunidade de se adaptar no futuro, quanto mais de conseguir existir no presente. O que é pena, porque é dos jogos competitivos mais divertidos que joguei recentemente, e ainda não vi tudo.

Concord

Concord
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Nível de Hype:

Muito

Lançamento: 2024-08-23
Distribuição:
Plataformas:
Picture of Marco Almeida
Marco Almeida
Viciado em tudo o que conte uma boa história, desde cinema a videojogos, séries a banda desenhada, e até um bom jogo de tabuleiro. Tudo é motivo para me atirar de cabeça a universos alternativos. E já agora, o Scorsese está errado; o MCU é o pináculo da sétima arte! Quem respira, concorda!

Colaboraram neste artigo

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