Concord – Versão PS5

Tal como avaliamos durante o Beta aberto do videojogo Concord, consideramos que não estaríamos a efetuar um bom trabalho de análise se avaliássemos o jogo com uma ótima nota. Bem pelo contrário. Por respeito aos jogadores, avisamos que Concord está muito longe de ser um jogo perfeito.

A premonição de um Flop

Se leram atentamente a nossa avaliação ao jogo, durante o Beta fechado e aberto do jogo Concord, certamente aperceber-se-iam que de reservamos imensas incertezas quanto à qualidade final do tão prometido hero shooter intergaláctico. 

Por onde começar? Bom… talvez pela base de tudo, o conceito do jogo. 

Sabemos que determinados hero shooters (Overwatch, Paladins, Valorant, entre outros) estabelecidos no mercado à alguns anos, conseguiram uma boa base de jogadores que jogam ludicamente ou competitivamente os mesmos. Certamente a Playstation Studios pensou que poderia “recrutar” e apelar estes jogadores sazonais, que saltam de hero shooter em hero shooter para o Concord, vencendo, com isso, fama e protagonismo no género. Não poderia ter sido a decisão mais errada. 

Ao contrário do que acontece nos outros jogos, que são free to play, Concord taxa um preço considerável de 40 euros para a versão standard e 60 euros pelas versões Deluxe. Logo aqui, não compreendem que um dos motivos que levou, por exemplo, o Overwatch a mudar de estratégia nos últimos anos foi exatamente este fator. Qualquer hero shooter, em pleno século XXI, que queira fazer sucesso, deve ser, em primeiro lugar, free to play. O grande montante e valor acrescido a estes géneros de jogos é feito através de battle pass’s e skins ou cosméticos de armas para as personagens. Se não estão convencidos desta realidade, pesquisem os valores que Valorant recebe, mensalmente ou anualmente através de micro-transações. No caso do Concord, nem isso temos no início, mas já fomos informados que no futuro as micro-transações existirão. 

blank

Por sua vez, segundo informações internas da desenvolvedora, a Fire Walk Studios, revelou, na Official PlayStation Podcast (episódio nº490), de que o jogo esteve em desenvolvimento durante 8 anos. Não negamos que durante esse tempo, o estúdio foi várias vezes reformulado, nem esquecemos que existiu também uma pandemia que deixou tudo a meio gás. Contudo, nem as alterações ao estúdio, nem a pandemia, podem ser usados como “desculpa” para a qualidade final do jogo. Acreditamos que durante todo este tempo, várias intervenções poderiam ter sido feitas e que Concord teria beneficiado muito de visões externas, em vez de se ter fechado em si, sem o olhar ou a opinião do público.

Acreditamos que teria sido mais benéfico criar um modo história para cada personagem jogável (de 2 a 3 horas) do que estabelecer um género de jogo PvP, profundamente saturado e insuficiente para fazer frente (ou integrar-se) no mesmo patamar de todos os PvP’s ou Hero Shooters que atualmente existem.

Relatividade temporal ou mau timing?

Em plena data de lançamento, Concord não conseguiu atingir números favoráveis. Circula nas diferentes redes socais uma imagem extraída da plataforma Steam que regista, o total de 171 jogadores “in game” na dita “prime time” do primeiro fim de semana após lançamento oficial do jogo. Segundo a atual estatística do Metacritic, o jogo está cotado entre os 60% a 70% pelos críticos, caindo abruptamente na opinião pública, para 10% a 15% de aprovação. São também diversas as mensagens de utilizadores na Steam a alertarem outros jogadores para não comprarem o jogo. Poderíamos tentar compreender o “porquê” desta discrepância de valores, entre críticos oficiais e o público, mas levar-nos-ia a outros temas.

blank

Acreditamos que nenhum tipo de boicote esteja a ser feito ao jogo. O que está a acontecer, a nosso entender, é o que já citamos num parágrafo anterior. A maneira de como o jogo, durante todo o seu desenvolvimento, nunca se abriu ou mostrou ao público. Para uma empresa que queria efetuar um jogo PvP é importante reforçar e estabelecer laços de compreensão e comunicação com o público. Os jogadores estão fartos de se submeter a qualquer género ou jogo só porque existe uma marca de renome a coordenar o mesmo. Quando os jogadores não gostam, não compram, protestando com a carteira. Por outro lado, achamos estranho o jogo Concord ser lançado quase no mesmo dia que o Black Myth Wukong (um jogo atualmente muito acarinhado pela opinião dos críticos e público) jogável tanto no PC como na PlayStation 5. Não teria sido melhor esperar que o hype de um jogo rescaldasse para lançar um outro, isto num ano em que a PlayStation se encontra um pouco retraída de “novos exclusivos”?

Ficamos assim presos a um paradigma. Concord, não só não é um jogo de não cumpre aquilo que pretende ser, como anda perdido no tempo. Mesmo que queiramos relativizar as coisas, torna-se difícil quando o calendário e timing de novos lançamentos, de outros jogos (de outros géneros) lançam Concord para um verdadeiro buraco negro do esquecimento. As únicas recordações que o jogo terá é do seu lançamento abrupto e de como o mesmo fracassou nas suas promessas.

Talento lançado ao vácuo

Se tomarmos as afirmações do diretor da Fire Walk Studios como verdadeiras, podemos considerar que durante 8 anos, a PlayStation Studios desperdiçou imenso talento que poderia, muito bem, ter sido aproveitado para outras franquias e, quem sabe, para novos exclusivos. Não nos interpretem mal, mas custa-nos ver tanto talento desperdiçado, principalmente da direção artística e de todos os envolvidos na criação das personagens, lore do universo, ambientes, cinemáticas, entre outros aspetos. O jogo poderia oferecer tanto, mas prendeu-se de tal forma ao conceito do PvP Hero Shooter, que não dá o verdadeiro salto de fé. Isso é o que nos realmente custa. Ver todo este talento a ser remetido para um estilo de jogo vazio, repetitivo, sem sequer proporcionar uma experiência de trabalho de equipa ou até mesmo competitivo. Jogos como o Marvel Rivals, por exemplo, chegaram até a implementar isso no seu Beta. Concord não chega, nem sequer de perto à dimensão colossal ou astronómica dos hero shooters já estabelecidos no mercado. Se tivesse sido bem coordenado, certamente, mais do que acolhido pelo público-alvo, seria adorado pela sua inclusividade, pelas características das personagens do jogo, pela singularidade que propunha face aos outros PvP’s.

blank

Uma confusão sem precedentes

Com uma larga experiência e anos de jogo noutros PvP’s e Hero Shooters, Concord colocou-nos numa posição extremamente embaraçosa. Em primeiro lugar, com três modos de jogo (Mata-Mata, Conquista do Ponto e Entrega de Carga), o sistema criado para o jogo não está orientado da melhor forma. Com os três modos separados, os jogadores escolhem somente a primeira opção “Mata-mata” remetendo os modos “Conquista do Ponto” para segundo patamar e a “Entrega de Carga” para último. Desde o lançamento do Beta até aos dias de hoje, achamos que este último modo seja um animal em vias de extinção, pela raridade do mesmo. Se não fosse pela pouca taxa de jogadores a jogar o jogo ou pela má orientação do menu de jogo, acreditaríamos que teríamos uma maior seleção de opções dos diferentes modos. Entendemos que todo este problema seria mitigado se a desenvolvedora criasse um botão a dizer “jogar” e nesse mesmo, já estivessem inseridos, em modelo “Shuffle” todos os modos disponíveis.

Devemos ainda reforçar a desconeção dos diferentes mapas. Ter o mesmo mapa para os diferentes modos de jogo não é benéfico para os jogadores. Enquanto os mapas podem ser apelativos para o modo “mata-mata”, o mesmo é usado para a “defesa do ponto” tornando-se profundamente desequilibrado para as equipas. Seria mais interessante ter mapas especificados para cada como de jogo, criando-os de forma equilibrada para todos, do que reutilizar o mesmo para todos os modos.

blank

Por outro lado, temos mesmo de falar sobre os diferentes “roles” ou características das personagens. Para que um PvP possa e consiga funcionar em condições, tanto em trabalho ou espírito de equipa como em termos competitivos, não pode abrir mão de explicar a importância de cada posição ou de expor as melhores combinações para os novos jogadores. Fartamo-nos de perder jogos à custa de pessoas incapazes de cooperar, uma vez que toda a equipa era composta por DPS e não tinha Healers ou Tanks para curar ou mitigar o dano sofrido. É como querer jogar um jogo de futebol só com pontas de lança e esperar vencer o jogo sem um guarda-redes ou defesas.

Futuro incerto

Fazíamos votos de que Concord conseguisse captar a atenção dos jogadores e de ser um relevante sucesso no género que propõe. Contudo, não podemos agarrar-nos a essa utopia, tendo em conta os diversos embaraços que assinalamos, tanto na nossa análise durante o Beta como na nossa atual análise final. Quase que chegamos ao ponto em dizer que do Beta para o lançamento do jogo final não existiu nenhum esforço de resolução de problemas. Isso não é bom para a longevidade do presente jogo. Com duas seasons programadas, nem sequer sabemos que o jogo terá audiência suficiente para se manter nos próximos meses. Em tom de comparação, não nos admirava-mos se Concord competisse com Suicide Squad na posição do jogo mais mal avaliado pelo público. É de “Concordar” que algo terá de mudar rapidamente.

Concord

blank
Lançamento: 2024-08-20 Ano: 2024
Distribuição:
Plataformas:
3.5
Picture of Francisco Costa
Francisco Costa
Um apaixonado pela cultura Geek que adora tecer comentários e criticas às mais novas formas de arte! Sou uma pessoa um pouco reservada, mas sempre pronto para debater, por largas horas (ou em escassos minutos) qualquer assunto!. Tenho como hobbies favoritos o desenho e a fotografia de rua.

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE