Cult of the Lamb – Criar um culto nunca foi tão fofo!

O videojogo Cult of the Lamb, mais do que ser um roguelike frenético, é uma escolha excelente para todos os jogadores que buscam um bom desafio ou, por outro lado, um fenomenal passatempo recreativo. Com uma narrativa e estilo de arte que se destacam pelas suas características típicas de um cartoon, o videojogo é uma ode triunfal ao valor aleatório num videojogo indie. Criar um culto nunca foi, de facto, tão fofo.

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Desenvolvido pela Massive Monster e publicado pela Devolver Digital, Cult of the Lamb identifica-se como um rouguelike, lançado a 11 de Agosto de 2022 para os sistemas macOS, Windows e consolas Nintendo Switch, Playstation 4 e 5, Xbox One e Xbox Series X/S. É de destacar que o jogo, fruto de uma empresa constituída por 19 pessoas, conseguiu atingir o marco de um milhão de cópias vendidas na sua primeira semana de lançamento.

Em Cult of the Lamb, assumimos o papel de uma ovelha que carrega o desafio de propagar o nome de uma divindade desconhecida do mundo espiritual. Sendo sacrificados, no início do jogo, pelos quatro males cósmicos, o nosso espírito entra em contacto com essa divindade oculta, identificada de The One Who Awaits.

A premissa do videojogo é bastante clara desde o seu início. De modo a pagar a dívida, vemo-nos obrigados a lançar diferentes cruzadas em cinco regiões distintas, derrotando diferentes inimigos, com a ajuda de um chapéu místico que nos dá diversos poderes cósmicos. A ação tem como princípio de evangelizar a doutrina no culto que estamos a criar. Ao longo do nosso progresso, vamos deparando com diferentes fiéis, que se encontram perdidos, à venda ou no risco de serem sacrificados, cabendo-nos a decisão de os integrar no culto. Um dos bons fatores de Cult of the Lamb é de nos permitir escolher, durante as cruzadas, diferentes rotas, de modo a obter diversos recursos (madeira; pedra; ouro; vegetais) armas (espadas; luvas demoníacas; martelos; machados) ou a enfrentar mais inimigos de modo a receber mais recompensas (moedas de ouro; orbes de fé). Os caminhos e opções em cada cruzada são geradas de forma aleatória, assim como os seus recursos, criando uma série de experiências diferentes, não se tornando repetitivo.

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Terminando uma cruzada com sucesso, Cult of the Lamb posiciona-nos na tarefa de gerir uma pequena vila, ao mais clássico estilo de Animal Crossing, para onde vão todos os fiéis que encontramos durante a cruzada. Somos obrigados a criar uma igreja para cultuar, fazer sermões e doutrinar o evangelho da palavra de The One Who Awaits, assim como a sustentar e providenciar os fiéis de condições mínimas para exercerem o culto, criando camas, tendas, cabanas, campos de cultivo e a preparar refeições. Todas as nossas ações exercem energias positivas e negativas em cada fiel, sendo que cada um, pensa, age e terá uma ligação ao culto diferente do outro.

Ao realizarmos uma ação que ajude o fiel a acreditar e a aceitar o culto, somos recompensados com orbes de fé e um fragmento de pedra doutrinal. As orbes de fé, permitem-nos abrir novas opções para criar/editar a vila, bem como no desbloquear de ajudas para as futuras cruzadas. Quanto aos fragmentos de pedra de doutrinal, após colecionar 3 e fazer com isso uma tábua, podemos escolher melhorar aspetos da doutrina, tais como a relação de posses, o sentido de justiça, a crença na vida pós-morte, no melhorar dos recursos obtidos ou reforçar laços afetivos entre fiéis. Todos os aspetos da doutrina escolhida irão refletir num ritual. Por exemplo, doutrinar a crença na “vida pós-morte” ajudará cada fiel a lidar melhor com a morte de um outro, abrindo espaço para a concretização de funerais em honra do defunto. Por outro lado, é possível dar um Twist macabro na orientação do culto, impondo práticas canibais, sacrificando um fiel, à nossa escolha e de usar a sua carne para alimentar os demais. E por este sentido extremamente vasto e bipolar de Cult of the Lamb que sentimos o peso de escolher e definir cada doutrina de forma cuidadosa, ponderada e sensata.

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É ainda de destacar o enorme aspeto heterogéneo dos fiéis que tanto pode ser favorável durante a gameplay, ou uma verdadeira dor de cabeça. Por exemplo, durante a nossa primeira run, tivemos o azar de recrutar 3 fiéis de natureza cética com grande propensão para a adversidade e revolta. Tendo morrido numa das nossas cruzadas, o que faz todos os fiéis percam fé, levou a que estes 3 fiéis criassem uma revolta interna, divulgando uma “contra doutrina”. De modo de mitigar os efeitos da perda constante de fé, tivemos de fazer desaparecer por meios pouco éticos, moralmente muito duvidosos e com um vasto leque de opções para cada um dos fiéis. Por outro lado, numa segunda run, tivemos mais sorte, não encontrando nenhum problema do género. Talvez seja exatamente, neste exemplo que constatamos o maior ponto de destaque do jogo: o seu sentido aleatório.

Ao longo da nossa jornada, durante as cruzadas, vamos encontrando NPC’s que nos ajudam de desbloquear ou nos vendem diferentes cartas de Tarot que contêm condições específicas. Cada uma pode afetar, direta ou indiretamente, a quantidade de dano que causamos aos inimigos, a regeneração de vida, a nossa sorte a encontrar mais espólios e recursos, etc. Existem, no total, 36 cartas para desbloquear. Os NPC’s permitem-nos ainda abrir novos espaços no mundo físico, onde, além na nossa vila, estabelecem as suas lojas e ajudam-nos a recrutar novos fieis ou até mesmo a passar o tempo com outras atividades e desafios (minijogos).

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Durante o tempo que estivemos a jogar Cult of the Lamb, estávamos a enfrentar diferentes desafios e inimigos durante as cruzadas ou a editar e estabelecer novos laços afetivos com os fiéis, sendo que o jogo permite a transição constante na ação. É ainda de destacar que, mesmo após derrotar o Boss final, temos a liberdade de continuar as cruzadas e a manter vivo o culto, sendo que o jogo, na sua base, não tem “fim”.

Como aspetos positivos, salientamos: a narrativa da história que, mesmo com os diferentes twists macabros o videojogo permite-nos sempre ter o poder de decisão do tipo de doutrina que exercemos e queremos ver refletida no culto; as atividades secundárias ligadas à criação da vila e ao gerir dos recursos para novas construções (e sim, limpar as fezes dos fieis, embora seja um ato constante e repetitivo até que se torna engraçado); a criatividade pela forma de como o jogo gera o seu processo aleatório; a Arte, e equipa de artistas por conseguirem fundir um estilo cartoonesco, ao estilo O Incrível Mundo de Gumball ou Gravity Falls com ícones e elementos inspirados em cultos pagãos ou demoníacos; e o ambiente atribuídos aos diferentes mundos que exploramos durante as cruzadas.

Como aspetos negativos, indicamos: a existência de algumas quebras de frames durante a jogabilidade, muito comuns quando enfrentávamos Bosses e existiam imensos ataques na tela, o que num jogo roguelike é um enorme problema; O sentido repetitivo de combate, muito preso ao tipo de arma que usamos (espada – ataque rápido mas fraco/ machado – ataque ligeiramente lento mas com dano considerável / martelo – ataque lentíssimo mas com imenso dano) ficou a desejar um pouco; o problema dos tutoriais pouco informativos, sendo que, no que toca à edição da vila, muitas vezes, para refazer ou modificar certos aspetos, tivemos de recorrer ao Youtube para compreender como utilizar ou fazer recurso de um determinado elemento.

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Vencedor de 4 prémios, a 05 de Outubro de 2022, na Australian Game Developer Awards (jogo do ano; melhor trilha sonora; direção de arte e gameplay), venceu ainda o prémio de Best Indie Game do Golden Joystick Awards, em 22 de Novebro de 2022.

Sendo somente para um jogador, é ainda de salientar que o videojogo permite a escolha entre uma experiência fácil ou Hardcore, dependendo do que cada jogador procura ao selecionar a dificuldade. Cult of the Lamb com todos os seus prós e contras, é um jogo interessante e um “must have” para qualquer amante do estilo roguelike.

Ainda este ano, a 24 de Abril, existirá uma atualização/expansão totalmente gratuita, designada de Relics of the Old Faith, que contará com a adição de novos desafios, mecânicas e de uma nova história.

Cult of the Lamb

Cult of the Lamb
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Francisco Costa
Um apaixonado pela cultura Geek que adora tecer comentários e criticas às mais novas formas de arte! Sou uma pessoa um pouco reservada, mas sempre pronto para debater, por largas horas (ou em escassos minutos) qualquer assunto!. Tenho como hobbies favoritos o desenho e a fotografia de rua.

Colaboraram neste artigo

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