Dead Ringers

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De boas intenções está o Inferno cheio

Baseado no filme Dead Ringers de David Croenberg e no livro Twins de Bari Wood e Jack Geasland, A Amazon Studios e a Annapurna TV trazem-nos Dead Ringers, uma minissérie protagonizada por nem mais nem menos que Rachel Weisz, que além de interpretar as gémeas Mantle, é também uma das produtoras da série, juntamente com Alice Birch.

Enquanto que tanto livro como o filme em que a série é baseada, o protagonista é um homem, (inclusive na obra de Cronenberg os gêmeos Mantle são interpretados por Jeremy Irons), aqui temos uma mudança de género que a meu ver e tendo em conta o tema principal, funciona muitíssimo bem.

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O primeiro episódio dá o tom a toda a série: sinistra e sombria, frenética e com um humor corrosivo e cru, que não agrada a todos, mas que me prendeu desde os primeiros instantes.

Elliot e Beverly Mantle partilham o objetivo de abrir a sua própria clinica de obstetrícia e de revolucionarem a maneira como as mulheres dão à luz. E enquanto Beverly quer genuinamente melhorar a experiência da maternidade, Elliot é ambiciosa e sem escrúpulos e pretende levar os limites da ética e da ciência até onde a sua curiosidade a levar.

É aqui que entra Rebecca (Jennifer Ehle), cínica e privilegiada, que apesar de inicialmente relutante, se interessa pelo projeto das irmãs Mantle, sobretudo pela personalidade, vamos dizer… excêntrica de Elliot, assim como da sua genialidade e carisma, e que partilha da sua visão capitalista para rentabilizar a clínica.

O que contrasta com a timidez e aparente altruísmo de Beverly, que pretende genuinamente ajudar toda a comunidade e não só da classe burguesa.

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Rachel Weisz é genial a interpretar as gémeas na sua trajetória muitas vezes moralmente questionável e ocupa toda a narrativa de tal forma, que por vezes senti que as personagens secundárias são apenas acessórios e pontos de partida para criar conflito entre as irmãs.

E é fascinante o tanto que une as irmãs Mantle, como também o também as separa, assim como o amor que que nutrem uma pela outra, que está sempre demasiado próximo da obsessão e da co-dependência.

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Com uma estética muito própria, que lhe confere uma atmosfera tétrica, mas visualmente fascinante e de certa forma atraente (que não deixa de me fazer recordar a série Hannibal), nunca nos deixa ficar demasiado confortáveis, sendo ainda completada de forma brilhante por uma banda sonora, que ajuda a manter todo o tom da série.

Gostei especialmente dos dilemas éticos que surgem com a evolução da reprodução medicamente assistida, do privilégio de classes, assim como do call out à violência obstetrícia a que muitas mulheres, especialmente de cor e pobres, foram sujeitas às mãos de ditos “pais da obstetrícia”, para investigação deste ramo da medicina, que ainda hoje é subvalorizado.

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Achei a série genial, tendo correspondido às minhas expectativas, e que conta com um excelente elenco e uma história que nos deixa desarmados, porque nem sempre vai na direção que julgamos e o final, bem… terão de ver por vocês mesmos.  

No entanto, especial aviso a quem for sensível a temas como o aborto, infertilidade e violência obstetrícia.

Dead Ringers

Dead Ringers
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Patrícia Guerreiro
Do Baixo Alentejo para Lisboa, cresci rodeada de literatura fantásta, filmes de terror e uma obsessão nada saúdavel por Naruto. Atualmente casada com a minha outra metade geek e a limpar caixas de areia, continuo a navegar esta vida de classe operária, entre crises de ansiedade e a minha paixão por filmes de terror.

Colaboraram neste artigo

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