Eu sou um vendido a tudo o que é rogue-likes. Há algo em mim que me deixa os olhos a brilhar quando vejo esta palavrinha atirada para o meio da descrição de um qualquer jogo. Ao continuar a ler até posso perder o interesse, mas existir esta possibilidade é meio caminho andado para já me terem conquistado.
Claro que com isto há também muita coisa que me passa à frente que não é propriamente a melhor. Ideias já gastas, outras aquecidas no micro-ondas como se fosse aquele esparguete de há dois dias, com uma amostra de molho de tomate e carne picada, ou algumas que só se podem considerar rogue-like porque fizeram os mínimos olímpicos para se qualificarem para entrar neste género. E só por serem qualquer coisa “-like” já estão a ter a vida facilitada porque as regras podem ser mais facilmente contornadas.
Mas onde é que Deadly Days: Roadtrip cai dentro deste género já tão explorado?
Assim à papo seco, posso dizer que é um daqueles casos que tem tudo o que é esperado mas não se consegue decifrar bem o porquê de estarmos a jogar.

À primeira vista, aquilo que mais me puxou o interesse foi estarmos perante um visual isométrico e que explora algo pixelizado, mas tridimensional, em vez do habitual 2D. É uma mistura que resulta bem, porque dá algum charme ao que estamos a ver, é fácil de criar algo com substância e ajuda a que consigamos identificar vários elementos num instante. A única coisa que posso apontar o dedo acaba por ser as animações dos personagens. Ou a falta de animações, visto que eles apenas são movidos para cima e para baixo para simular que estão a andar e pouco mais. Talvez não fosse preciso mais, mas tendo em conta que estou sempre a reparar nisso penso que só tinha a ganhar. Infelizmente, olhando para os planos futuros que eles têm, não irá acontecer.
A banda sonora, e até os efeitos sonoros, não surpreendem. Tão depressa parece totalmente apropriado a um apocalipse zombie como de repente parece que estamos num qualquer jogo infantil. Entendo que talvez estejam a puxar à temática de cada bioma, mas ainda assim deveria ser mais apropriado ao que decorre no jogo propriamente dito.
Ainda que pareça que o caso está mal parado para Deadly Days: Roadtrip, as más notícias acabam aqui! Tudo o resto que a Pixelsplit tem para oferecer, está bastante bem conseguido, a começar por aquilo que mais interessa: a jogabilidade.

É simples? Sim, podemos dizer que sim, porque é andar de um lado para o outro a disparar, tentar não ser atacado, acumular pontos e conseguir continuar a melhorar a nossa mochila. Ao contrário de outros em que o nosso personagem ganha habilidades e continua com elas até ao final daquele percurso, aqui temos de fazer gestão de inventário para conseguir as melhores combinações possíveis de itens e armas, o que vai resultar em habilidades e ataques melhorados.
A melhor forma de explicar isto é remeter a Resident Evil, onde organizar o nosso inventário por si só é já um desafio. Arrumar uma arma num canto, puxar balas para outro, colocar um item entre a arma e uma granada, para conseguir enfiar uma chave logo abaixo do kit de primeiros socorros. O que aqui torna tudo mais interessante é existirem certos itens que possuem áreas adjacentes, ou especificamente definidas noutro local qualquer, com melhorias. Se queremos mais dano, podemos aproximar as armas de fogo de artifício. E quem diz mais dano, diz possibilidade de pegar fogo a inimigos, ou envenenar, mais velocidade no movimento ou nas balas, deixar um rasto de fogo ao esquivar-nos, entre tantas outras possibilidades que só vão existir se estivermos a expandir e gerir eficazmente a nossa mochila.
As possibilidades vão ser mais que muitas, e vão continuar a crescer ainda mais enquanto vamos desbloqueando melhorias permanentes no nosso acampamento. Desde aumentar a nossa vida como desbloquear ainda mais armas e itens, como a possibilidade de ter um espaço para criar novas armas e equipamento, o jogo não parece parar de crescer com a nossa evolução. E o estúdio já tem planeado continuar a adicionar ainda mais conteúdo daqui para a frente.
E desenganem-se se acham que tudo isto faz com que Deadly Days: Roadtrip fique fácil, porque é realmente difícil conseguir completar um percurso.
Se calhar, a razão pela qual continuo a querer voltar é exatamente esta: a de existir uma constante evolução daquilo que temos acesso e o desafio continuar a existir. Além disso, é um título que rapidamente nos coloca no meio da ação, que é divertido e não nos obriga a muito para conseguir aproveitar devidamente esta experiência.