Drag x Drive

Assim que Drag x Drive foi anunciado eu não sabia se estava a ser alvo de uma partida ou se realmente estava a ver um grupo de personagens sentadas em cadeiras de rodas a encestar bolas de basquetebol num cesto. 

É aquele tipo de coisa que nunca pensaste dizer em voz alta ou até escrever, mas este foi o ano em que isso aconteceu. Eu acho que a minha estranheza com este título da Nintendo se prende muito ao facto de ter sido anunciado em conjunto com uma nova consola. Não haveria problema algum não fosse ele parecer ser apenas uma experiência para tirar partido de uma nova tecnologia presente nos novos Joy-Cons para a Switch 2. 

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Apesar disto, e fazendo um esforço para levar um pouco mais a sério aquilo que estava a ver, fiquei surpreendido por ver este tipo de representatividade num videojogo. Claro que essa representação existe apenas na minha cabeça, pois em nenhum momento durante o jogo está indicado que aquilo em que os personagens se deslocam são cadeiras de rodas. São apenas rodas. Tecnicamente, não estão errados, estamos sob um par de rodas, mas todo este esforço para evitar chamar os bois pelos nomes deixa-me a questionar para onde estava a apontar o compasso moral da Nintendo. Mesmo nas explicações que existem para nos ensinar a jogar, é tudo descrito à volta das rodas. Ou nem nas rodas falam. 

Se antes estava genuinamente curioso por ver esta abordagem da Nintendo em relação a uma debilitação que pouco ou nada é representada no meio, assim que o jogo me chegou às mãos percebi que não estavam sequer minimamente interessados nisso, apenas em arranjar algo que fosse preciso arrastar constantemente os Joy-Cons em cima de uma superfície. As opções eram remos ou cadeiras de rodas. Ganharam as rodas. 

Isto era algo que eu estava disposto a deixar passar, porque mais vale existir algo que visualmente faça com que mais pessoas se sintam representadas, independentemente do nome que lhe chamam, do que não existir nada. Mas para isso acontecer, eu fazer vista grossa, o jogo teria realmente de ser divertido e ser uma experiência satisfatória. 

Não é. 

Desculpem se estavam à espera de alguma preparação até que vos apresentasse esta brilhante conclusão, mas será que realmente alguém esperava outro desfecho? 

Mal entramos no jogo somos logo assoberbados com um tutorial que parece nunca mais acabar. Acho que neste tipo de jogos o que interessa saber é o essencial para nos conseguirmos deslocar e interagir com o jogo propriamente dito. Então vejamos…

Drag x Drive consiste em colocar duas equipas de três jogadores frente a frente num campo de basquetebol. Com um Joy-Con de cada lado, deslizamos numa superfície para que as cadeiras de rodas… perdão, as rodas respetivas a cada lado do jogador se movam em frente. Se só movermos um Joy-Con, só esse lado se vai mover e mudamos a nossa direção. Os botões no topo travam e atiram a bola caso levantemos o Joy-Con no ar. 

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A partir daqui acho que faz parte da descoberta, e da experiência competitiva associada ao tipo de jogo que aqui falamos, perceber que outro tipo de coisas conseguimos fazer para além de nos movermos e encestar. E tudo isto está acessível no menu. Mas não, somos forçados a passar por tudo. 

Assim que estas explicações terminaram, eu estava genuinamente cansado, não só mentalmente como fisicamente. É que estar sentado no sofá, com as mãos ao nosso lado, dobradas, constantemente a ir para a frente e para trás com os Joy-Cons a servir de rato, não é de todo a posição mais natural nem confortável. Mesmo numa mesa a coisa não ficava muito melhor. 

Mas ultrapassado o obstáculo que é andar sob rodas, e felizmente não estou a falar de tentar andar num passeio e haver carros estacionados no meu caminho, porque também não estou a falar de cadeira de rodas, por isso nem sei onde estou a ir buscar estas analogias, havia outro obstáculo maior: a experiência de utilizador. 

Entrar num jogo pode ser tão simples como juntar-me aos meus amigos, como também pode ser preciso juntar-me a uma sala (a que eles chamam de parque), que me é atribuída aleatoriamente, e estando nesse parque com mais 12 pessoas fico a “andar” de um lado para o outro à espera que seja integrado numa equipa. Posso fazer alguns desafios, atirar-me contra uns pinos de bowling, configurar o aspeto do meu personagem e das suas… rodas, assim como ficar apenas a ver outros jogadores a passearem-se pelo parque. Alguns minutos depois lá existe um jogo disponível. 

O jogo em si não é de todo a coisa mais divertida e desafiante de se fazer. Quem tem a bola, dificilmente a vai perder até que se aproxime da área do cesto e a atire. Também não deverá falhar porque basta levantar o braço e esticá-lo rapidamente para a frente para que a bola vá automaticamente na direção do cesto (sim, até de costas funciona), mas também temos um indicador visual que representa a probabilidade de acertar. E depois de encestar, a bola fica protegida na área de quem sofreu o ponto e podem pegar e acelerar até à outra ponta para também tentar encestar. 

Aquilo que nos faz perder a bola, é embater de frente com o jogador que a tenha no colo no momento do choque frontal. E depois é pegar na bola e ir até à ponta contrária. Pelo caminho, podemos ir passando a bola para outro jogador no nosso campo de visão, podemos fazer alguns truques ao saltar nas margens do campo, o que também dá pontos extra e nos permite fazer um afundanço no cesto, em cima das nossas rodas. 

Após uns minutos, somos atirados de volta ao parque, aguardamos mais uns minutos e repetimos. De tempos a tempos, todo o parque é atirado para um mini-jogo, como por exemplo uma corrida, mas fora isso vamos apenas esperando pela nossa vez de ter um campo disponível no parque ou podemos assistir aos jogos a decorrer.

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Curiosamente, ou não, dei por mim a agradecer estas pausas, porque realmente a fadiga física, principalmente nos braços, faz-se sentir. Ou talvez não seja exatamente cansaço mas sim desconforto físico de tanto forçar as minhas mãos e braços a uma posição nada natural. 

Tirando tudo isto, eu realmente me questiono sobre qual será o grande propósito de Drag x Drive. Não neste momento, porque tal como está agora é apenas uma mera demonstração técnica das capacidades dos novos Joy-Cons e uns minutos de diversão com amigos para vê-los a sofrer um pouco. Admito que é uma demonstração que realmente mostra o quão responsivos os comandos são e nisso dou-lhes a mão à palmatória.

Mas para além de andarmos sob rodas e atirarmos bolas a cestos, qual é o grande plano daqui para a frente? Há sequer um plano? Acho que há muito que podem fazer para o jogo melhorar. Claro que a minha primeira opção é não obrigar o jogador a usar os Joy-Cons para simular a deslocação das rodas, o que também concordo que iria arruinar o propósito, mas talvez arranjar alternativas seja o caminho. Outra coisa é facilitar entrar diretamente num jogo: deixem os jogadores criar uma sala, ficam à espera que outros se juntem e começam. Também acho que é mais que necessário uma revisão do gameplay, é que parece-me bastante limitado e rapidamente repetitivo. E podemos dizer o mesmo do grafismo do jogo. Tal como do campo em si. Mais campos e mais conteúdo para se jogar. 

Será que isto alguma vez vai acontecer? Ou será que mesmo havendo tudo isto, e ainda mais que nem me ocorre, vai fazer alguma diferença? Haverá assim tantos jogadores a querer entrar num cenário competitivo deste género? Ou dispostos a fazer um esforço agora para que a Nintendo consiga justificar os custos de evoluir o jogo?

São tudo questões para as quais não tenho resposta, mas para aquela pergunta que ninguém quer calar, “Será que vale a pena?”, essa eu consigo responder. Neste momento, não. 

Drag x Drive

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Lançamento: 2025-08-14 Ano: 2025
Distribuição:
Estúdio:
Plataformas:
4
Picture of Marco Almeida
Marco Almeida
Viciado em tudo o que conte uma boa história, desde cinema a videojogos, séries a banda desenhada, e até um bom jogo de tabuleiro. Tudo é motivo para me atirar de cabeça a universos alternativos. E já agora, o Scorsese está errado; o MCU é o pináculo da sétima arte! Quem respira, concorda!

Colaboraram neste artigo

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