Dune – Duna: Parte Dois

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O Magnum Opus de Villeneuve

A longa esperada sequela do sucesso de Denis Villeneuve de 2021, que mesmo em tempo de pandemia conseguiu deixar marca na bilheteira mundial, chega finalmente aos cinemas, após ser adiado uns meses devido às greves de Hollywood.

Adaptando a segunda parte do livro escrito em 1965 por Frank Herbert, Villeneuve melhora em todos os sentidos o que fez no primeiro filme, tendo sido, em grande parte, ajudado pela divisão do livro em duas partes. Em Duna – Dune (2021), Villeneuve introduz o mundo, as personagens e o principal catalisador para a narrativa que se segue, permitindo que as 2h40 da parte dois, já tendo o setup feito, seja muita resolução e desenvolvimento de personagens, sem se preocupar em explicar o universo.

Após a tragédia traição dos Harkonnen com o Imperador no último filme ter obrigado Paul Atreides (Timothée Chalamet), o último sobrevivente da Grande Casa de Atreides, e a sua mãe Lady Jessica (Rebecca Ferguson), a refugiarem-se no perigoso deserto de Arrakis com os Fremen, uma civilização indígena, que acredita que Paul é um messias. Duna Parte 2 começa onde a primeira parte terminou, com os personagens a caminho da cidade Fremen, dando oportunidade a Paul e à audiência para conhecer esta cultura. Paul passa por múltiplos desafios para ser respeitado e visto como um membro do grupo, que por vez ou outra me deixaram perdido na cronologia. Ao mesmo tempo, os Harkonnen tentam a todo o custo exterminar os Fremen, levando a vários momentos de guerra entre as duas civilizações. Estas cenas proporcionam momentos de ação brilhantemente coreografadas e excitantes ao ponto de roer as unhas. De facto, se acharam que no primeiro faltava ação, nada temam, este filme tem ação para dar e vender.

À medida que Paul se vai fazendo parte dos Fremen, o peso da profecia implantada pelas Bene Geserit naquele planeta vai crescendo. Sabendo que se trata de manipulação das feiticeiras, Paul resiste a esta profecia, e encontra conforto na cética Chani (Zendaya). Com Chani, a audiência testemunha um aspecto mais afetuoso e humano de Paul. Ela evolui de uma personagem pouco desenvolvida no primeiro filme para uma protagonista complexo e multifacetado. Chalamet adiciona uma dimensão ao papel que estava ausente no filme anterior, possibilitando a exploração das principais temáticas de poder, religião e controlo.

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Duna Parte Dois é um daqueles filmes repletos não apenas de cenas emocionantes, mas cujos diálogos continuam a ressoar em nós muito além dos créditos finais. O filme é enriquecido por questões como o poder da religião e as guerras travadas em seu nome, assim como o controlo sobre os outros e sobre nós mesmos, proporcionando um conteúdo substancial que vai além dos efeitos visuais e da ação. Essas temáticas são essencialmente exploradas pela justaposição das visões fundamentalistas do religioso Sitlgar (interpretado por Javier Bardem), juntamente com a manipuladora Jessica, contrastando com a postura cética de Chani. Zendaya, para surpresa de poucos, desempenha um papel deslumbrante como uma bússola ética para Paul. Apesar da aparente gravidade e seriedade dos temas abordados, o filme também apresenta momentos leves e cómicos, muitas vezes arrancando gargalhadas da plateia no decorrer da projeção.

Conforme a guerra em Arrakis intensifica, Vladimir Harkonnen (Stellan Skarsgård) vê-se obrigado a trazer o seu psicótico sobrinho Feyd-Rautha (Austin Butler), para lidar com a situação. Nesse momento, a narrativa em Arrakis é momentaneamente interrompida, transportando-nos para o Sol Negro de Geidi Prime. É lá que Austin Butler domina cada centímetro da tela com uma performance notavelmente carismática e arrepiante.

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Como tenho destacado, todos os atores desempenham papéis excepcionais. De fato, as únicas decepções foram Anya Taylor-Joy e Florence Pugh, não por falha delas, uma vez que executaram competente e proficientemente os seus papéis com o limitado enredo que lhes foi fornecido. No entanto, somos deixados com a promessa de mais desenvolvimento dessas personagens em futuros filmes.

Se tiver de procurar defeito na narrativa, é com ar de mesquinhez que aponto que questionei várias vezes sobre como uma sociedade isolada no deserto, aparentemente com acesso limitado à tecnologia, poderia conduzir uma guerra numa escala tão significativa contra o poderoso império galáctico. No entanto, para ser totalmente honesto, este é um detalhe tão pequeno em comparação com a maestria geral do enredo que mal afetou a imersão no filme.

Sem revelar mais detalhes da história, posso confirmar que o último terço do filme não dececiona, proporcionando uma conclusão explosiva e emocionante, imprópria para os mais sensíveis, e deixando espaço para uma possível terceira parte.

Para além de ter mudado para melhor (peço desculpa aos puristas de Herbert) a narrativa, a fotografia épica que nos foi apresentada em 2021, não só continua a ser um festim para os olhos, como Villeneuve brinca com a palete de cores e traz nas cenas criativas e imersivas, que decerto serão estudadas por gerações. Hans Zimmer volta também com o seu melhor arsenal, numa banda sonora imersiva, alienígena, mas ao mesmo tempo familiar e emotiva, que embala o filme, quer nas cenas de drama, quer em ação. É de também louvar o design sonoro, que múltiplas vezes nos imerge tanto no filme como a própria cinematografia, e também o figurino, que apresenta fatos que irão permanecer icónicos e lendários na história do cinema.

Dune – Duna: Parte Dois, em todos os aspetos, representa uma evolução do já incrível primeiro filme, solidificando Denis Villeneuve como um dos maiores cineastas desta geração. Numa narrativa excitante, recheada de performances louváveis, som e cinematografia imersivos, este filme merece ser visto no maior ecrã possível.

Duna - Dune Parte Dois

Dune: Part Two
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Rodrigo Fernandes
Biólogo em ascensão que usa a ficção como escapatória aos aborrecidos artigos científicos. Sou o clássico geek de óculos que adora ler sobre feiticeiros e guerras em mundos imaginários. Se não estiver agarrado a um livro de fantasia épica, estarei com certeza colado à mais recente série de TV ou com a mão no comando da PS. Ocasionalmente também me aventuro pelo mundo das animes e mangas. A minha missão de vida é forçar toda a gente a ver e adorar Avatar: A Lenda de Aang e estou sempre aberto a discutir porque é que os Lannister são a melhor casa de Westeros.

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