Em Londres, a cineasta premiada Zoe Stevenson (Lily James) documenta a jornada do seu melhor amigo Kazim (Shazad Latif) que decide encontrar o seu par através de um casamento assistido, de acordo com a herança paquistanesa de sua família. No processo, ela questiona a sua própria atitude em relação aos relacionamentos.

Enquanto Zoe, ao longo do filme, procura responder à pergunta “Como se encontra um amor duradouro no mundo de hoje?”, acompanhamos o processo de casamento “assistido” de Kaz, intercalado com os testemunhos da sua família, o que torna a narrativa mais pessoal e intimista.
A personagem de Shazad Latif reflete as dificuldades de viver num mundo ocidental e ao mesmo tempo manter a fidelidade às raízes culturais paquistanesas, bem como a luta do mundo oriental em abraçar a cultura ocidental, transportando-nos entre a Londres cinzenta, chuvosa e melancólica e as cores vibrantes, danças cheias de ritmo e a emoção na música da cultura paquistanesa.

Paralelamente à vida romântica aparentemente orientada e estável de Kaz, a de Zoe é absolutamente caótica, navegando entre a frivolidade das dating apps, os arranjinhos amorosos desapontantes e o medo absoluto de ser vulnerável. E para quê ter terapia, quando podes contar contos de fadas às tuas sobrinhas aptados às tuas desilusões amorosas?
O filme peca por ir beber ao clichê da mulher solteira, mas independente, cuja mãe/pai/figura mais velha quer obsessivamente que arranjem alguém para não ficar sozinha, porque só quer o seu bem. No entanto, Lily James consegue trazer mais dimensão e uma certa profundidade a Zoe , que nos permite de certa forma conectarmos com a personagem.

Então… e o amor? não é um filme que veio revolucionar o género das comédias românticas, nem tão pouco trazer-nos algo de novo, mas é de certa forma refrescante, com piadas certeiras e momentos enternecedores, sem ser demasiado profundo (bem, sempre estamos a falar de uma comédia romântica), e uma Emma Thompson leve e bem-disposta, que nos arranca facilmente um sorriso,
Com várias tiradas cómicas e referências a Harry Potter e até à Princesa Diana, cheio de cor e música, é um filme alegre e de certa forma despreocupado, que cumpre o seu propósito e nos leva numa viagem a que já estamos habituados e à certeza de um final feliz.