Cuidado com os trabalhadores inteligentes!
Hoje trago-vos, finalmente, a análise do Euphoria: Build a Better Dystopia. No entanto, eu próprio não sei o que escrever, pois o jogo em questão é um pouco difícil de explicar. Mas vamos lá tentar! Euphoria: Build a Better Dystopia é um jogo de alocação de trabalhadores, sendo que esses trabalhadores são dados D6, de 2 a 6 jogadores. O jogo apresentam uma dificuldade de 3.11 em 5, de acordo com o Board Game Geek. Agora, a parte que mais me impressionou: o jogo tem uma duração média de 60 minutos. Normalmente, a Stonemaier Games não faz jogos rápidos ou, pelo menos, os jogos mais conhecidos deles são jogos mais demorados e densamente estratégicos como Scythe, Viticulture e Tapestry. O que é facto é que no fim de saberem como jogar este jogo, o tempo de jogo não passa muito da uma hora. No entanto, na primeira vez que jogamos, meu deus. Daí as minhas dificuldades no início desta análise: não há uma forma fácil de explicar este jogo, muito menos, de a ensinar a outras pessoas.
Objetivo do Jogo
O jogador que colocar primeiro as 10 estrelas no tabuleiro, é o vencedor.
Como jogar
Existem duas ações essenciais: colocar um trabalhador e retirar o(s) trabalhador(es).
Na ação de colocar um trabalhador, podemos, tal como o nome da ação indica, colocar um trabalhador num local destinado à colocação destes (já lá vamos) e receber, imediatamente, os benefícios que daí resultem. Se, no início do nosso turno, tivermos dados com o mesmo nível de conhecimento (mesmo número nos dados), podemos jogar todos os dados que partilhem esse número num só turno, possibilitando, assim, mais do que uma colocação de trabalhador no tabuleiro.
Como forma de estratégia, uma vez que não podemos passar o turno, podemos resolver a nossa carta dilema, pagando o respetivo custo e escolhendo uma das duas opções que nos são apresentadas. Desta forma, se eu quiser impedir outro jogador de obter certos benefícios, posso atrasá-lo em, pelo menos, um turno, antes dele o fazer.
Numa segunda opção de ação, podemos então retirar um ou todos os trabalhadores do tabuleiro. Para o fazer, temos uma de duas opções:
- Ou pagamos o respetivo custo (um pêssego ou uma nuvem – sim, vou tratar os recursos tal como os vemos e não como o jogo diz que são) e aumentamos a moral dos nossos trabalhadores em dois corações;
- Ou não pagamos nada, perdemos um de moral e retiramos os trabalhadores que quisermos. Se escolhermos esta opção, podemos fazê-lo mesmo se tivermos a moral a 1.
Ora, vistas as ações que podemos fazer, resta saber onde colocar os trabalhadores. Antes de mais, existem três tipos diferentes de locais:
- Locais de uso temporário: simbolizadas por quadrados a tracejado, estas casas caracterizam-se pelo facto de apenas um jogador as poder utilizar, de cada vez. No entanto, caso um jogador estiver a ocupar essas casas, temos a possibilidade de empurrar esse mesmo jogador. Isto tem dois resultados distintos, um para o jogador que coloca o seu trabalhador e outro para o oponente. Para o jogador que acaba de colocar o trabalhador, resolve a ação normalmente, retirando o benefício da casa onde o colocou. Para o jogador que acaba de ver o seu trabalhador empurrado, este pega no seu trabalhador, roda o dado e faz a sua verificação de conhecimento (mecânica que já explico). Depois de o fazer, terá mais um trabalhador para colocar no turno a seguir. Ou seja, podemos fazer o que queremos nestas casas, mas podemos dar uma oportunidade ao oponente der ter um turno de borla. Vai depender da estratégia de cada um.
- Locais multiuso: estes são locais de uso partilhado. Todos os jogadores podem colocar aqui trabalhadores, colocando um ou mais e retiram, daí os devidos benefícios, dependendo do nível de conhecimento somado de todos os trabalhadores até ao momento colocados. Existem quatro locais destes espalhados pelo tabuleiro e, todos eles, partilham a mesma divisão: 1 a 4, 5 a 8 e mais de 9. Basta somar o conhecimento de todos os dados lá colocados, como referi, e retirar os devidos benefícios.
- Locais de uso único: estes locais são aqueles utilizados para a construção de mercados. Assim que estes estejam construídos, os espaços que agora vos falo ficam tapados pelo mercado em causa, impossibilitando, assim, que sejam novamente utilizados. Desta forma, tais locais apenas podem ser acionados uma só vez. Se porventura, retirarmos o nosso trabalhador desses locais, temos de voltar a pagar o custo associado a essa casa, mesmo que já tenhamos pago antes! Por isso, atenção antes de o remover!
Existem imensos locais onde podem colocar os vossos trabalhadores. Posto isto, vou apenas referir aqueles mais importantes ou aqueles que ainda não vos falei, por exemplo, os locais multiuso. Há apenas uma coisa que quero acrescentar a este ponto. Se assim quisermos, podemos trocar recursos com os restantes jogadores, fazendo uma proposta aberta, no fim de colocar o trabalhador no local em questão.
Locais de construção
Os locais de construção são, como já vimos, locais de uso único. Aqui, os jogadores pagam os respetivos recursos e quando o mercado tiver todos os recursos para ser construído, a carta do mercado (que foi aleatoriamente colocada no início do jogo) é virada, revelando o mercado e possibilitando uma nova ação para todos os jogadores. Os requisitos necessários para a construção dos mercados variam consoante o número de jogadores em jogo. Cá em casa, por exemplo, jogamos muito a dois e, portanto, temos apenas de cumprir dois dos quatro materiais necessários para a construção destes mercados – que são seis ao todo.
Cada jogador que ajudar na construção de cada mercado deve colocar uma das suas dez estrelas nesses mesmos mercados. Quem não ajudar, tem como resultado uma consequência negativa para o seu jogo, como por exemplo, cada vez que calhar um cinco num dado, perder um recurso.
Isto pode ser travado com os chamados mercados de artefactos, que são aqueles já construídos desde o início do jogo. Nestes espaços em hexágono, que se encontram em cada uma das fações do jogo, podemos pagar três cartas de artefacto e colocar uma estrela no mercado ou nos territórios de cada fação, isto é, se eles ainda não estiverem completos.