Exército dos Mortos (ou Army of the Dead) é um filme da Netflix, realizado por Zack Snyder. Pronto. Era só isso que queria dizer. Boa noite!
Agora a sério, este é um filme de acção, horror e muita… bolonhesa. Oh, deus, tanto molho de tomate investido nesta longa-metragem de 2 horas e meia. Não chega ao nível do Tarantino, claro, mas este tem pedaços, daí ser bolonhesa e não apenas suminho. Por alguma razão, depois de ver o cartaz e o trailer, fiquei com a impressão de que era uma comédia de James Gunn. Não é, e após os primeiros 30 minutos, consegui finalmente abandonar o pensamento.
Quanto à história, essa segue um grupo de idiotas com pontaria inversamente proporcional à quantidade de neurónios que decide entrar numa Las Vegas pós-apocalíptica e carregadinha de zombies para tentar roubar dinheiro. É, é bastante simples e afinal talvez tenha um bocadinho de comédia.

Então, além do famoso prato italiano, quem mais podemos ver no ecrã? Ora, primeiro, claro, temos Dave Bautista, a interpretar o cabecilha do gangue e pai preocupado com a saudinha da filha (peço desculpa, esqueci-me do nome da personagem). Como seria de esperar, temos a filha (esqueci-me do nome) interpretada por Ella Purnell, que coincide com a típica personagem dos filmes de terror, que é a personificação perfeita do “tu levavas era um par de estalos”. Temos também Ana de la Reguera e Samantha Win que interpretam duas personagens facilmente confundíveis, não fosse por uma usar uma bandana vermelha. Matthias Schweighöfer leva para casa o prémio de “eu lembro-me do nome da tua personagem” (ironicamente, não consigo pronunciar o nome do ator) com a sua interpretação de Dieter, o tipo que toda a gente espera ver morrer nos primeiros 5 minutos e… não vou contar… spoilers.
Omari Hardwick traz-nos o tipo que claramente tenta compensar alguma coisa com uma serra gigantesca. Nora Arnezeder dá-nos “A Coiote” (não conta como nome… é alcunha), guia do grupo nesta Zombieland e publicidade andante a alguma marca de gel de cabelo. Garret Dillahunt traz a sua experiência de Fear the Walking Dead e interpreta aquela personagem que toda a gente sabe que vai fazer asneira e ninguém faz nada quanto a isso (curiosamente, não é spoiler). Tig Notaro aparece no filme de vez em quando e Raúl Castillo é um streamer escrito para chegar aos corações da juventude. Por fim Hiroyuki Sanada mais uma vez carrega o fardo de “aquele ator que toda a gente queria que tivesse mais tempo de antena”.

“Pronto, pronto, mas o filme é bom?”, perguntam impacientemente. O filme é bom para comer pipocas. Tem montes de explosões, visual porreiro, “pew pew” que nunca mais acaba e bolonhesa para comer e congelar. Infelizmente, diria que a melhor parte são os primeiros minutos, que compactam mais emoção que o resto do filme todo. Quando entra na introdução das personagens, consegue ter um ritmo ao mesmo tempo lento (talvez em contraste com o início mais cheio de ação) e rápido demais, num momento que me faz lembrar a formação do gangue do Suicide Squad.
Por fim, posso dizer isto: os zombies são as personagens com mais cérebro do filme. Portanto, é claramente o tipo de filme que se desligarmos o pensamento racional, conseguimos apreciar muito bem. Além disso, tenho que dar pontos por incluírem a personagem mais inteligente de algum filme de terror: aquele tipo que diz “nope, vou-me pôr a andar” e vai mesmo.