ExoPrimal

Brincar com o tempo quando já não o temos

Raros foram os jogos que nos deixaram com sensações tão bipolares e um sabor amargo. Não sabemos muito bem onde nos posicionar ao falar do jogo Exoprimal. Por um lado, sentimos que o jogo pode ser divertido e com um tema “fora da caixa”, mas, por outro lado, esconde uma face repetitiva, frustrante e até mesmo entediante.

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Nas primeiras horas de Exoprimal, mergulhamos na narrativa que busca dar sentido à história do jogo. O cenário passa-se num futuro próximo, por volta de 2043, onde a humanidade alcançou avanços impressionantes no desenvolvimento de tecnologias robóticas, especialmente nos “ExoSuits”, que concedem diversos poderes a quem os utiliza. Essas inovações permitiram grandes progressos à sociedade. Entretanto, durante esse mesmo período histórico, a humanidade enfrenta uma ameaça colossal: a aparição súbita de dinossauros através de tempestades cósmicas. Essa reviravolta inesperada traz um desafio único e perigoso para a humanidade, colocando-a diante de uma situação de sobrevivência e descoberta, onde a humanidade lida com as consequências de seus próprios avanços tecnológicos e a imprevisibilidade do cosmos, enquanto enfrenta temíveis criaturas do passado que retornaram para desafiar o futuro.

Enquanto explorávamos uma ilha com a nossa equipa, os Hammer Heads, fomos vítimas de um acidente que nos obrigou a aterrissar num lugar que, aparentemente, foi o ponto de partida de tudo. Conforme a história se desenrola, revela-se que um sistema de inteligência artificial, concebido por seres humanos, conseguiu dominar a arte das viagens no tempo e manipulação da realidade conforme a nossa perceção. No entanto, para nosso espanto, esse sistema de IA revoltou-se contra a humanidade, procurando criar o caos para deleite e proveito próprio.

A surpresa atinge o seu ápice quando descobrimos que o sistema de inteligência artificial nos envia de volta para o ano de 2040, quando as primeiras tempestades cósmicas trouxeram dinossauros de volta à nossa era. A motivação desse sistema é instigar uma competição entre os humanos, testando a nossa capacidade de sobreviver aos seus desafios. Assim, somos colocados num modo de “J Vs J” ou “J Vs AI”, onde cooperamos com outros seres humanos de diferentes realidades paralelas (o multiverso também entra ao barulho) que nos ajudam nesses desafios ao puro estilo de “jogos da fome”.

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Inicialmente, encontramos uma narrativa intrigante, elaborada e um tanto complexa de compreender. Percebe-se que a CAPCOM pode ter concebido a ideia do jogo e posteriormente desenvolvido a história de forma a justificar a sua natureza repetitiva.

Como jogadores, temos acesso a diversos tipos de “Exosuits”, cada um com habilidades e funções distintas. Essas opções variadas incluem fatos focados em causar danos ou em proteger a equipa, oferecendo-nos um amplo leque de escolhas e possibilidades para enriquecer nossa experiência no jogo.

Quanto aos modos de jogo, eles seguem um padrão repetitivo, justificado pela história (que não entraremos em detalhes para evitar spoilers). O cenário leva-nos constantemente de volta ao ano de 2040, onde enfrentamos outros jogadores, de modo a somar mais pontos ao matar/eliminar um maior número de dinossauros possível. As partidas são organizadas em locais específicos do mapa, onde hordas de dinossauros são convocadas para desafiar os jogadores. Após a conclusão de três fases, a equipa vencedora é obrigada a carregar um cubo de dados a um determinado lugar, enquanto a equipa vencida têm o objetivo de infernizar a vida da outra equipa. De um modo geral, o jogo funciona bem, proporcionando uma experiência satisfatória inicialmente. No entanto, após cerca de 5 horas de jogo, a experiência torna-se repetitiva e frustrante, especialmente quando se joga com pessoas que não estão dispostas a jogar de forma competitiva ou em equipa, aparentemente querendo perder propositadamente. Além disso, parece que o Exoprimal não oferece muito além dessas mecânicas, o que contribui para a sensação de repetição.

Embora Exoprimal tenha seus pontos fortes e seja envolvente no início, a falta de progressão ou variação significativa de conteúdo acaba por prejudicar a experiência a longo prazo, deixando os jogadores em busca de novas emoções e desafios para manter o interesse no jogo.

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Quanto ao desempenho gráfico, é notável a alta qualidade e a atenção aos detalhes dedicada às personagens, fatos robóticos e dinossauros. No entanto, é importante mencionar que algumas partes do mapa parecem estar inacabadas e com baixa resolução. Essa baixa qualidade é tão evidente que, por vezes, temos a sensação de dar um salto temporal entre um jogo da geração atual para um jogo de duas gerações anteriores. Embora essa transição possa ter sido ironicamente planejada, dada a premissa do jogo de brincar com a linha temporal, sabemos que é de fato um problema que afeta tanto as versões de consolas quanto o PC.

Por sua vez, temos ainda que falar do problema do sistema de níveis e do passe de batalha. Em primeiro lugar, acreditamos que Exoprimal, tal como é apresentado, pode não conseguir manter a atenção dos jogadores ao longo de várias seasons a ponto de justificar a existência de um passe de batalha. Além disso, o sistema de níveis exige um “grind” excessivo para cada “Exo-suit”, o que pode ser um obstáculo para muitos jogadores que não têm tempo disponível para investir horas e horas no jogo. A exigência de um alto investimento de tempo pode acabar por afastar parte da comunidade.

Outro ponto relevante é que o jogo apresenta alguns fatos desbloqueados e outros bloqueados. Infelizmente, os fatos mais poderosos estão bloqueados e só podem ser adquiridos por meio de compras, levantando a preocupação sobre a prática de “pay-to-win”. Isso pode criar um desequilíbrio significativo no jogo e afetar negativamente a experiência dos jogadores, tornando o sucesso no campo de batalha mais relacionado ao gasto de dinheiro do que às habilidades e dedicação dos jogadores.

Exoprimal pode inicialmente cativar os jogadores com a sua diversão, no entanto, esconde subcamadas de frustração, repetição cíclica e uma série de problemas que não condizem com os padrões de um jogo AAA nos dias atuais. Embora possa ser jogado intensamente nos próximos meses, a menos que sejam feitas alterações significativas, o jogo corre o risco de ser condenado ao fracasso e cair no esquecimento.

ExoPrimal

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Francisco Costa
Um apaixonado pela cultura Geek que adora tecer comentários e criticas às mais novas formas de arte! Sou uma pessoa um pouco reservada, mas sempre pronto para debater, por largas horas (ou em escassos minutos) qualquer assunto!. Tenho como hobbies favoritos o desenho e a fotografia de rua.

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