Far Far West – O shooter cooperativo que me surpreendeu

Far Far West chegou sorrateiramente e provou ser muito mais do que um simples jogo de tiros. Com uma mistura de cowboys, magia e steampunk, é uma surpresa imperdível.

Há uns tempos atrás, assim não há tanto tempo quanto isso, passou-me pelas mãos um qualquer título que agora não é para aqui chamado, em que o jogador era colocado sozinho ou com amigos a fazer frente a vagas e vagas de adversários. Sei que isto pode parecer qualquer jogo, há tantos assim, e era esse o grande problema do dito!

Numa altura em que tantos e bons jogos são lançados, por vezes sem sequer terem o mínimo dos mínimos de publicidade, era estranho um outro qualquer que só veio fazer o que tantos outros já fizeram tivesse sequer a tentar encontrar mercado. As previsões que havia feito na altura, infelizmente (porque não tenho qualquer prazer no infortúnio de estúdio algum) concretizaram-se e hoje está praticamente às moscas. 

Portanto, quem é que este Far Far West pensa que é para vir aqui tentar ele também ter sucesso no mundo dos jogos cooperativos? E pior que isso… quem é que ele acha que é para me mostrar que estou errado?! 

Confesso que inicialmente, ao olhar para este novo título da Evil Raptor, fiquei com a ideia de que seria divertido, mas que seria apenas mais um no meio de tantos outros. Juntaram cowboys, steam punk, tiros e magia, e estava a festa feita. Vou só ali disparar uns tiros e matar uns esqueletos e pronto, está tudo visto. 

Eles não se limitaram a mostrar o quão errado eu estava, foram mais além e garantiram que a minha hipotética descendência ia estar errada mal vissem a luz do dia! 

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É que Far Far West está longe (bem longe) de ser apenas mais um shooter cooperativo para passar uns minutos com os amigos. É uma verdadeira cowboyada em todos os sentidos. E está recheado de conteúdos e atividades que vão além dos requisitos mínimos para se inserir dentro deste género.

Aquilo que seria esperado, e que acontece, era existir um espaço onde os jogadores se reúnem, escolhem o seu personagem e começam a aventura. Neste caso, é um salão do velho oeste, em que há uma pequena atividade de atirar dardos e podemos meter conversa com uns NPCs e pouco mais. É um espaço introdutório para criar logo o ambiente certo para o que se segue. Dali para a frente, podíamos começar a nossa demanda mas já na escolha da missão as coisas quebram ligeiramente o molde: é que não seguimos um percurso pré-definido pelo jogo, escolhemos que zona visitar. E esta escolha tem mais do que apenas um motivo estético ou guiado pelos nossos “apetites” do momento. 

Mais uma vez, seria esperado que fossemos explorar o mapa, derrotamos inimigos e talvez um boss, trazemos algum ouro para comprar mais coisas e voltar a repetir. Mas não! Nós estamos a escolher que zona ir porque não só vamos derrotar inimigos e ganhar algum dinheiro de volta mas também temos missões próprias que só podem ser feitas em certos locais e que depois têm prémios especiais. A juntar a isso há ainda atividades secundárias, que podemos escolher não fazer, segredos a descobrir, puzzles, e tudo isto enquanto vamos encontrando hordas e hordas de inimigos que tentam de tudo para nos mandar abaixo. 

Tudo isto é opcional, claro que não fazendo estes extras que existem em cada mapa só nos dificulta mais a vida, mas também nos dificulta a vida tentar percorrer o mapa inteiro de uma só vez. É possível, mas a que custo?! Nem existe essa necessidade porque podemos perfeitamente voltar lá o número de vezes que quisermos. E provavelmente vamos lá voltar várias vezes porque os bosses são especialmente complicados. 

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Este Far Far West foi muito provavelmente o único jogo deste género em que senti que existe uma necessidade bem real em ter pelo menos uma outra pessoa a jogar connosco. As primeiras vezes que tentei jogar sozinho, dava por mim a parar de respirar de tão intenso que tudo ficava num piscar de olhos! 

Podemos talvez dizer que isto é problema de balanceamento do jogo, e é válido, mas ao mesmo tempo dou mais valor a um jogo cooperativo que se assume descaradamente e sem qualquer pudor como sendo cooperativo e nada mais, do que aqueles que querem criar um jogo cooperativo mas é totalmente possível ser terminado a solo. Ainda assim, a dois ficou mais suportável, mas não ficou necessariamente mais fácil. 

Na eventualidade de escaparmos ilesos ao boss final, só temos de chamar o comboio para nos vir buscar… e rezar que consigamos sobreviver a uma horda final. Nem aqui nos dão descanso. 

Assim que regressamos à nossa pequena cidade, temos então tudo ao nosso dispor para gastarmos as nossas moedinhas. Há as melhorias de armas e equipamento, podemos adquirir novas armas, aplicar certas melhorias que dão uma pequena ajuda, desbloquear novos níveis da nossa magia ou até mudar por completo o tipo de magia que usamos. E claro que há os famosos cosméticos. E aqui há uma bela surpresa porque não só existem vários cosméticos como todos eles são desbloqueáveis com a moeda do próprio jogo. Claro que cosméticos pagos com dinheiro real vão surgir, mas existir já uma oferta interessante destes elementos e estar disponível apenas por se jogar o jogo, é uma atitude de louvar!

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O melhor de existir este conteúdo todo para explorar, é que mesmo que não existisse, o gameplay em si é tão bom e divertido, que a vontade de continuar a jogar ia ser mais forte. É que quando somos enviados para um qualquer local que decidamos escolher, não há um momento morto. Podemos explorar a pé, que também é incrivelmente divertido porque existem combinações que podemos fazer ao esquivar e saltar que depressa nos projetam pelo mapa, como também podemos pegar no nosso cavalo e desatar a correr até aos nossos objetivos.

Isto enquanto desatamos aos tiros a tudo o que mexe, enviamos bolas de fogo para rebentar com inimigos, invocamos raios que eletrificam tudo à nossa frente ou até podemos envenenar tudo para a pouco e pouco matarmos grandes grupos de inimigos. Isto só para enumerar algumas das habilidades especiais que temos, umas mais mágicas que outras, todas divertidas e úteis de se usar! 

O leque de armas também é imensamente variado e que dá o seu trabalho a desbloquear, porque podemos encontrar algo que nos ajuda a ter a arma disponível em loja, mas antes disso temos de a montar, e para a montar temos de ir várias vezes procura-la ao mapa. Mais uma vez, mesmo que não fosse preciso, eu ia lá, mas já que nos dão tanto conteúdo para fazer, é aproveitar! E acreditem, vão mesmo querer fazê-lo porque depois as combinações e sinergias são tantas e boas que vão fazer por as usar. 

E depois há todo um visual e banda sonora que acompanham as nossas aventuras que faz com que tudo encaixe na perfeição. É estranho pensar como é que um título que apareceu assim meio sorrateiramente, tem tudo isto no seu interior a dar ao jogador e ainda estamos numa fase de acesso antecipado e com imensas coisas a serem adicionadas nos próximos tempos. 

É daqueles jogos que facilmente deixa grandes lançamentos corados de vergonha por nem sequer fazer metade do que este faz, e pedirem bem mais da nossa carteira do que este alguma vez pediu.

Mas não acreditam em mim? Sentem que vos estou a enganar de alguma forma? Porque realmente é como eu tinha dito: de onde é que isto apareceu e quem é que ele acha que é? Bom, não sei responder com exatidão a tudo isso, mas já terem vendido mais de 1 milhão de cópias em menos de um mês, acho que diz muito mais de Far Far West do que qualquer campanha de marketing que eles pudessem ter feito. 

Far Far West

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Lançamento: 2026-04-28 Ano: 2026
Distribuidora:
Estúdio:
Plataformas:
9
Picture of Marco Almeida
Marco Almeida
Viciado em tudo o que conte uma boa história, desde cinema a videojogos, séries a banda desenhada, e até um bom jogo de tabuleiro. Tudo é motivo para me atirar de cabeça a universos alternativos. E já agora, o Scorsese está errado; o MCU é o pináculo da sétima arte! Quem respira, concorda!

Colaboraram neste artigo

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