Após a história inacabável que foi o Witcher, finalmente algo mais curto, cheio de história, e muito refrescante para me fazer feliz! Ghost os Tsushima foi me aconselhado pelo Madeira, jogado pelo Nelson, e quase que forçado pelo Nuno, todos com razão. Baseado em acontecimentos verídicos, a invasão Mongol ao Japão em 1274, onde as forças mongóis eram imensas comparadas com a dos samurai, e estes nessa batalha foram dizimados.
O enredo é criado todo à volta de um guerreiro, Jin do clã Sakai, do seu tio, o senhor Shimura, contrapondo um excelente vilão, Khotun Khan. Apesar de Khotun Khan ter sido inventado, a invasão mongol ter sido perpetrada por Kublai Khan, o clã Sakai nesta altura nem imaginado era, e o clã Shimura ter ficado na fantasia, este jogo é de uma profundidade histórica e de romance quase inigualáveis.
Jin Sakai, um samurai de passado conturbado, vê a sua terra destruída pela invasão mongol. Movido pela dor, perda e dever, vai tentar tudo para destruir aqueles que ameaçam a sua terra. Para isso, terá de lembrar o seu passado, destruir todo um código de honra para afrontar um inimigo que nem sequer conhece, sacrificando-se a ele próprio. Na terceira pessoa, este jogo de ação e aventura explora as habilidades de samurai, da sua katana e arco longo e médio, e do fantasma, como a utilização da pequena lâmina tonto, kunais, bombas de fumo, bombas aderentes, petardos, setas de veneno ou alucinógenas, assassinatos em série, e quaisquer outras formas que um verdadeiro shinobi (e não samurai) possa usar.
Estas habilidades não são inatas. Na viagem pela libertação, vamos encontrando caravanas de inimigos, missões secundárias, colecionáveis como artefactos mongóis para aprendermos a história do povo invasor, grilos de música para o Jin tocar flauta nos tempos livres, registos para aprendermos o lore do jogo, bandeiras samurai para termos selas para o nosso cavalo, e sítios de meditação, para compor poemas japoneses chamados haiku e ganharmos fitas para o cabelo, muito fofinho.
Como conseguimos ir para as missões do jogo? O vento guiar-nos-á, os pássaros amarelos encontrarão o que vai no nosso coração, e os pirilampos dar-nos-ão o caminho a seguir.
Um open-world, composto por três ilhas, teremos amiguinhos sempre dispostos a ajudar. Para a luta que nos espera, teremos armeiros, mercadores, caçadores e ferreiros, para evoluirmos as nossas armas. No entanto, como nada é gratuito, existem missões especiais que nos darão novas armaduras, assim como outras que iremos encontrar na medida que a história evolui. Cada armadura tem características especiais, por exemplo, a armadura do clã Sakai permite derrotar até cinco inimigos em duelo, ao contrário de três se for sem este bónus. Para melhorar o nosso equipamento e armas vamos encontrando e armazenando bambu, madeira de teixo, ferro, aço, couro, pele de predadores, madeira de cera, linho e provisões!
Jin não é uma entidade divina, e por isso também tem uma barra de vida e uma barra especial chamada de determinação. Esta é a nossa forma de ganhar e manter a vida, derrotando os inimigos, ganhamos determinação para usar em caso de necessidade. Podemos aumentar a vida visitando pontos termais ao longo do mapa, e a determinação através do treino e corte de bambú.
Libertamos Tsushima através da conquista dos fortes dos brutos mongóis e das quintas que eles controlam! Mas o jogo não é nada simples. Estes brutos usam lanças, outros espadachins de duas espadas, ainda outros gigantes de dois metros de dentes amarelos com um escudo que parece um barco, e a força do Hulk. Ia-me esquecendo mas ainda existem uns chatos magritos com um escudo. Para além de tudo isto, temos os generais, os cãezinhos de batalha e arqueiros. Eles são divididos por cores, onde o vermelho é o mais fácil, azul intermédio e o verde o mais difícil! Obviamente! Queremos destruí-los? Vão à Rambo e morrerão, e olhem que a derrota é bastante gráfica. Tenham calma, pensem, vão em stealth, utilizem e observem o terreno, e tudo correrá bem. O jogo é bastante técnico, existindo quatro posturas para cada um dos inimigos aqui apresentados. Transforma brutalmente a jogabilidade, dando uma profundidade impressionante, um dos seus pontos fortes. Para além dos inimigos que enumerei, ainda existem alguns ronins e bandidos para nos preocupar.
Graficamente o jogo está excelente, com uma atenção ao detalhe incrível. Pequenas coisas como dar um golpe de espada para escoar o sangue da katana antes de a colocar no seu descanso, o vento a dar nas flores, de novo o sangue em cada golpe dado ao inimigo, as folhas a esvoaçar. lindo!
Cada missão secundária conta uma história incrível. Desde a senhora Adachi, o sensei Ishikawa, o fatal senhor Shimura, a minha personagem favorita da história, a ladra Yuna, o Ronin Ryuzo, o aldrabão do Kenji e o fiel Taka. De longe, é o jogo com as personagens secundárias mais inesquecíveis para mim!
O final deu-me vontade de chorar. Sem spoilers, tive jogos com finais impressionantes. Red Dead Redemption, God of War 3, Assassin’s Creed Revelations. No entanto, este tocou-me no coração, porque ia chorando. Se desse pontuação como alguns colegas meus aqui fazem, este é um 10/10.
Um abraço a todos!