Casiopea nasceu com uma “sorte negra”, como ela própria o diz. Apesar de o seu avô ser o homem mais rico de uma terriola do Iucatão, ela é uma espécie de Cinderela: maltratada e obrigada a trabalhar para a família que a despreza pelo seu lado Maia. E o pior de todos é o seu primo Martín, que não perde uma oportunidade para a atormentar e humilhar.
A sorte de Casiopea sofre uma reviravolta quando ela abre o misterioso baú do seu avô e acidentalmente liberta Hun-Kamé, um dos deuses da morte. A partir daqui, os dois estão profundamente ligados e Casiopea é arrastada para uma viagem que atravessa o México para recuperar as partes que faltam a Hun-Kamé.
O ponto alto deste livro é a própria Casiopea. A sua paixão e a sua determinação são a base que suporta e carrega este livro. É ela que passa de uma rapariga que só quer fugir da terrinha e conhecer o mundo para uma rapariga que arrisca a vida pelo mundo. Embora humana, Casiopea joga na mesma liga que bruxos e deuses.
A sua relação com Hun-Kamé é bastante complexa. Começam na posição de deus enfraquecido e mortal disposta a ajudá-lo. Ao longo da sua viagem, Hun-Kamé torna-se um pouco menos deus e um pouco mais humano, e a sua ligação torna-se numa entre uma rapariga e um rapaz, um amor simultaneamente frágil e afiado.
O world-building é outro elemento fundamental. Gods of Jade and Shadow vai buscar à mitologia Maia os seus monstros e criaturas, assim como as histórias e traços que os definem. Além de Hun-Kamé, temos o seu gémeo mais novo, Vucub-Kamé, que há décadas matou o irmão para se apoderar do trono de Xibalba, o submundo.
É esta guerra de família cheia de ressentimentos e mesquinhices que define o enredo, tanto entre Hun-Kamé e Vucub-Kamé como entre Casiopea e Martín. As lutas e relações entre os quatro personagens crescem e evoluem, ora numa direcção, ora noutra. É um jogo de acção e reacção, com Casiopea e Hun-Kamé a tentar chegar ao fim da sua busca e Vucub-Kamé e Martín a fazer tudo para os impedir.
No fim, Casiopea tem a aventura com que sempre sonhou. Para uma mortal como ela – como nós – isso é tudo o que se pode pedir.