Godzilla Minus One (Gojira -1.0)

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O Japão sempre brindou o Ocidente com uma experiência cinematográfica singular, onde os kaijus imperam. É um país que tem uma paixão fervorosa por este género e introduziu-o no mundo do cinema de forma magistral. Em Hollywood, há tentativas de recriar parte desse sucesso, mas nunca se chega verdadeiramente perto do que é realizado na terra do Sol Nascente. A abordagem mais próxima até ao momento ocorreu a partir de 2014, resultando em algo sólido, embora distante da fonte original. Este universo tem uma importância monumental para os japoneses, tendo gerado mais de 30 filmes até agora. No entanto, a distribuição dessas obras raramente chega às nossas terras de maneira consistente e abrangente.

Foi necessário um impacto significativo nas críticas a nível mundial para que uma distribuidora nacional voltasse a sua atenção para a nova sequência no universo japonês de Godzilla. Mais do que isso, o filme teve que tornar-se viral. de certa forma, para suscitar o interesse necessário. A verdade é que existe uma componente crucial de negócio, a qual, na sua maioria, não compensa, dado que, em terras lusas, não é comum ir ao cinema para assistir a produções que não sejam de Hollywood. Felizmente, e graças a uma conjugação de circunstâncias, conseguimos ter acesso ao novo Godzilla Minus One, e, meus amigos, que filme extraordinário nos foi apresentado aqui.

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Culturalmente falando

O público em Portugal está profundamente mergulhado na cultura americana, que, por sua vez, já se encontra de certa forma enraizada devido ao consumo astronómico de conteúdos provenientes dessa região do mundo. Em contraste, a cultura japonesa apresenta-se como um desafio maior. O contacto mais significativo que os portugueses têm ocorre geralmente através de Anime ou, mais recentemente, por meio de alguns videojogos. Mas, afinal, por que é que a cultura é tão relevante neste contexto? Um filme como Godzilla Minus One fundamenta-se em vários elementos intrínsecos ao Japão e aos japoneses.

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A narrativa desenrola-se na exploração de ligações sentimentais e de patriotismo que apenas os japoneses ou aqueles que estejam profundamente imersos naquela cultura conseguirão integrar e compreender. Embora não me considere um especialista de topo nesta matéria, há várias nuances históricas que, se conhecidas pelo público, proporcionarão uma conexão muito mais cativante. Este aspeto revela-se, provavelmente, um dos pontos mais belos deste filme. Se existe algo que sempre desafiou Hollywood é a habilidade para tecer uma narrativa onde os humanos não são os únicos protagonistas.

Do ponto de vista narrativo, este filme revela-se verdadeiramente belo. Transmitindo uma paixão contagiante, explorando simultaneamente uma ferida profundamente enraizada na alma das pessoas daquele país. No entanto, o que torna esta obra verdadeiramente notável é a habilidade com que tudo se entrelaça com a presença imponente do monstro Godzilla. Em Hollywood, nem sempre foi fácil estabelecer uma ligação eficaz entre a narrativa humana e a presença colossal de Godzilla, mas aqui testemunhamos um trabalho de excelência nesta vertente.

É mesmo um Monstro

Godzilla é uma criatura que subsiste sob regras nitidamente diferentes das demais presentes no Planeta. Sendo um monstro, representa-se como tal. Ao contrário das várias interpretações ocidentais que, por vezes, suavizam a natureza do monstro, nesta obra observamos quase uma representação crua e autêntica de tudo aquilo que ele simboliza. Godzilla não se mostra como amigo dos humanos, não lhes presta auxílio. Esta abordagem oferece uma visão mais genuína e realista do papel que o monstro desempenha.

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As ações de Godzilla neste filme são poderosas, capazes de nos deixar boquiabertos. Não há uma censura excessiva, permitindo a liberdade de explorar esse lado mais monstruoso de Godzilla, mas também reservando espaço para nos apresentar uma visão igualmente monstruosa dos humanos. Este é um aspeto destas narrativas a que não estamos tão habituados, o que torna a experiência ainda mais cativante. A saturação do público em relação às narrativas recicladas de Hollywood surpreende quando somos presenteados com um filme como este Godzilla Minus One, oferecendo uma perspetiva diferenciada e intrigante.

Um espetáculo visual de poucos milhões

Não fosse este um filme notável pelas suas características criativas, revela-se ainda uma produção extraordinariamente sólida nos seus elementos técnicos. Ao apresentar-se com um orçamento modesto de 15 milhões de dólares, é imperativo que seja excecionalmente criativo em todos os aspetos da sua construção. É notável que a equipa de produção não descurou em nenhum detalhe, tornando-se até ridículo – no melhor sentido possível – o valor investido nesta obra. Este nível de qualidade não é alcançado apenas pela longevidade da saga, mas pela extraordinária organização e uma paixão genuína por todo este universo que permeiam cada elemento da estrutura cinematográfica.

Obrigatório

Godzilla Minus One é, sem dúvida, um filme que se impõe como obrigatório. Independentemente de se gostar ou não de filmes protagonizados por monstros gigantes, esta obra transcende a mera categoria de blockbuster carregado de ação. A honra, a coragem, a luta pela sobrevivência, a experiência de viver a vida nos limites impostos, as relações que se forjam de maneiras tão desafiadoras quanto se pode imaginar e uma dose significativa de criatividade por parte desta fabulosa equipa, convertem este filme numa experiência cinematográfica imperdível. Uma ida ao cinema para apreciar esta obra torna-se não apenas recomendável, mas essencial.

Se não confiam nas minhas palavras, convido-vos a espreitarem a opinião do nosso Rodrigo Fernandes, que teve a oportunidade de assistir ao Visionamento de Imprensa antes da chegada do filme ao público em Portugal. Neste momento, resta-me apenas acrescentar mais uma nota enfatizando a importância de irem ao cinema e demonstrarem à distribuidora que há uma demanda por mais produções como esta. São filmes fora do circuito de Hollywood, que exploram diferentes facetas do mundo e introduzem o público a outras culturas. Participar nesta experiência cinematográfica não só enriquece o nosso repertório cultural, mas também contribui para a diversidade e enriquecimento do panorama cinematográfico local.

Godzilla Minus One

Gojira -1.0
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Lançamento: 2023-12-28 Ano: 2023
Realizador: Argumento:
Duração: 124 min
Saga/Série: Godzilla (Era Reiwa)
Distribuidora:
9.5
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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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