Godzilla Minus One

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Um regresso glorioso ao grande ecrã

Não é preciso esperar muito para ver um novo conteúdo do Godzilla. Quase todos os anos uma nova produção do lagarto gigante aterra nos ecrãs gigantes e os fãs do género deliciam-se com o que costuma ser uma premissa simples: Monstro destrói uma metrópole. De facto só nas últimas semanas, tivemos o novo trailer do Godzilla x Kong: O Novo Império e a estreia da série Monarch na AppleTV, ambos com o popular dinossauro como atração principal.

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Como fã de filmes de monstros, no fundo o que procuro é umas boas horas de rugidos, cidades destruídas e muita ação, sem necessitar de muito mais para sair satisfeito do cinema. Qual não foi o meu espanto quando fui bombardeado com um filme que não só cumpre esse papel, como surpreende em todos os outros aspetos. Realizado e escrito por Takashi Yamazaki, Godzilla Minus One é um filme japonês fenomenal, cheio de emoção e coração, que vai agradar até os mais céticos e desinteressados do género.

Num Japão pós-guerra, Shikishima Koichi, interpretado por Ryunosuke Kamiki, encontra-se de volta a Tóquio, depois de se ter acobardado da sua missão como piloto Kamikaze, dias antes do fim da guerra. Como cidadão de um país com forte cultura nacionalista e de honra e serviço, Shikishima vive com o peso da derrota japonesa e da sua missão falhada nos dias de guerra. Em Tóquio, completamente destruída pela guerra, encontra outras duas almas perdidas: Noriko, interpretada por Minami Hamabe, e a bebé Akiko, que se tornam uma família inesperada e se apoiam uns aos outros na tentativa de regressar a uma vida normal. Enquanto experienciamos a brilhante jornada emocional do casal protagonista, cuja química carrega todo o filme, somo expostos a perspetivas que, pessoalmente, estou pouco acostumado desta guerra. As mazelas psicológicas por parte dos civis nipónicos e as batalhas diárias para regressarem à normalidade depois das catástrofes encheram a primeira hora de filme de emoção e agarraram logo o coração da audiência.

A certo ponto, Shikishima consegue um bom emprego com o governo japonês: retirar minas perdidas do oceano num barco com mais três companheiros, juntando Kuranosuke Sasaki, Hidetaka Yoshioka e Yuki Yamada ao elenco. A tripulação do pequeno barco traz um pouco de  comédia e levidade ao enredo, com um carisma e química de grupo extremamente cativantes. De facto, este grupo de amigos é tão interessante que é com alguma pena que não temos um pouco mais de desenvolvimento das suas vidas. Mas não me compreendam mal, cada um tem o seu momento de glória e são personagens secundárias devidamente desenvolvidas. Contudo, depois de conviver com personagens tão interessantes, fica o sabor amargo de não poder saber um pouco mais das suas vidas, uma vez que facilmente podiam ser eles os protagonistas do filme.

Imagino que por esta altura estejam a perguntar se afinal o Godzilla está neste filme ou não. Nada temam, porque o lagarto gigante não demora muito a chegar. Na realidade, até estranhei quando regressa o titular monstro à narrativa, uma vez que estava tão investido na história e drama em Tóquio, que passava bem sem o regresso do monstro. No entanto, quando retorna relembra porque está no panteão de melhores monstros do cinema. Em todas as cenas que aparece, Godzilla rouba completamente o folgo não só às personagens, como à audiência, provando ser um inimigo aterrorizante e megalómano. Godzilla Minus One traz o monstro de volta às origens, usando-o novamente como metáfora para as catástrofes atómicas no Japão durante a 2ª Guerra Mundial. Com cenas de ação extremamente bem gravadas, com efeitos especiais de envergonhar algumas produções milionárias americanas, banda e efeitos sonoros perfeitamente enquadrados, é impossível não subir a adrenalina e ser levados na onda de êxtase e thrill.

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É com algum alívio que digo que apesar da ameaça do Godzilla se tornar no ponto central da narrativa, o arco temático e desenvolvimento das personagens nunca deixa de ser o mais importante para a longa. É um facto que o filme brilha com as cenas de ação fantásticas, mas o verdadeiro coração está na jornada de Shikishima e na mensagem que o filme tão brilhantemente delineia ao longo das 2 horas: Viver. Lutar para viver.

Se me forçarem a apontar um ponto negativo ao filme, é depois de pensar muito que consigo reconhecer que o ritmo no início do terceiro ato é ligeiramente lento demais e que facilmente se mantinha mais equilibrado cortando duas ou três cenas. Mas rapidamente a narrativa recupera o andamento, oferecendo um final épico e digno deste filme.

Com pouco mais a acrescentar, reitero aos ainda não convencidos que mais do que um fantástico filme de monstros, Godzilla Minus One envergonha as últimas produções americanas, sendo um excelente filme por si só. É uma montanha-russa emocional, cheia de ação excitante e épica e recheado de personagens memoráveis e cativantes. Godzilla Minus One é um filme obrigatório de ver no cinema para os amantes do género e garanto vai agradar os que tipicamente se afastam destes filmes. Irei regressar a partir do dia 28 de dezembro aos cinemas para voltar a experienciar esta obra prima japonesa.

Godzilla Minus One

Gojira -1.0
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Rodrigo Fernandes
Biólogo em ascensão que usa a ficção como escapatória aos aborrecidos artigos científicos. Sou o clássico geek de óculos que adora ler sobre feiticeiros e guerras em mundos imaginários. Se não estiver agarrado a um livro de fantasia épica, estarei com certeza colado à mais recente série de TV ou com a mão no comando da PS. Ocasionalmente também me aventuro pelo mundo das animes e mangas. A minha missão de vida é forçar toda a gente a ver e adorar Avatar: A Lenda de Aang e estou sempre aberto a discutir porque é que os Lannister são a melhor casa de Westeros.

Colaboraram neste artigo

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