No momento em que me sento para escrever este artigo, a minha página de Hades II no Steam marca cerca de 5 horas jogadas. Tenhamos em atenção que este acesso antecipado ao “teste técnico” da sequela de Hades apenas me permite jogar numa zona do mapa, a suposta área inicial. Mas é que mesmo assim há muito, mas mesmo muito para descobrir já neste acesso, ainda que limitado, à continuação de um dos indies mais adorados dos últimos anos.

A questão que se levanta logo, por isso mesmo, é: conseguirá Hades II ser melhor do que o primeiro?

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imagem: captura de teste no PC / Hades II / Supergiant Games

Família é tudo

Num jogo em que o tema predominante são os conflitos familiares, nenhuma palavra descreve melhor os primeiros segundos a jogar esta sequela: familiaridade. Começa logo com a banda-sonora de Darren Korb no menu inicial, com um tema icónico do jogo original, mas aqui apresentado com uma roupagem algo diferente que traz tanto de familiar como novo, como o filho que saiu de casa cedo e regressou algum tempo depois, um pouco mudado, um pouco o de sempre. Essa sensação continua com os primeiros segundos a controlar Melinoë, a nova protagonista, irmã de Zagreus, filha de Hades e Persephone. Seja com o teclado rato, comando da Xbox (que usei no PC) ou com os controlos da Steam Deck (onde também fiz este teste), é como se tivéssemos acabado de jogar uma partida do primeiro jogo e iniciado logo de seguida uma run aqui na sequela.

Tudo flui com naturalidade, porque poucas coisas mudaram na forma como controlamos o nosso personagem. Atacar, esquivar, usar um ataque mais poderoso, tudo é familiar. Mas, aos poucos, algumas diferenças começam a aparecer. Agora podemos usar magia de outra forma, afinal somos uma bruxa, e cedo percebemos que há aqui um mecânica de recolha de recursos que traz novidade (já não vão limitar-se a destruir vasos à procura de uns trocos para usar na loja do Charon).

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imagem: captura de teste no PC / Hades II / Supergiant Games

Novas caras, velhos amigos

Falando no nosso velho amigo Charon, continua igual. Encantador e simpático como sempre.

Mas há alguns personagens e deuses que nunca vimos antes ou que se apresentam com aspetos um pouco diferentes, com é o caso de Apollo, que traz uma arte e roupas renovadas. Não vou revelar demasiado sobre quem são os nossos novos companheiros nesta jornada, e acreditem que mesmo neste curto teste já houve espaço para algumas surpresas, mas posso dizer-vos que adorei as interações e diálogos como o Ulisses. Mas preparem-se para o temperamento austero da Nemesis, a conversa meio sedutora da Selene, a deusa da lua, ou os ensinamentos valiosos e desafiantes de Hecate, nossa mentora. Há ainda uma revelação muito interessante sobre quem é o narrador dos jogos e até achei surpreendente termos já acesso a esse pormenor delicioso logo assim num acesso antecipado a esta área inicial de Hades II. Mas não pensem que tudo nos é entregue logo assim tão rapidamente. Para começar, apenas sabemos que somos Melinoë e o nosso desafio é encontrar e derrotar Chronos, o Titã do Tempo… ou o próprio tempo. A história é misteriosa q.b. e até já tenho as minhas teorias sobre o que virá a seguir.

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imagem: captura de teste no PC / Hades II / Supergiant Games

A difícil tarefa de ser mais e melhor

Nem vou esconder que Hades, o primeiro, é um dos meus jogos favoritos de sempre, senão O favorito. Hades é dos poucos jogos que, para mim, é um 10/10 em tudo: jogabilidade, arte, banda-sonora, diálogos e dobragem, história… e por aí fora. Porque digo isto? Alguém poderá pensar que, por esta preferência, a minha inclinação natural seria amar logo uma sequela, mas é precisamente o contrário. Fiquei num misto de êxtase e absoluta surpresa quando vi a revelação do trailer de Hades II nos The Game Awards de 2022. Primeiro, não esperava uma sequela, nem a Supergiant Games é conhecida por isso. Segundo, o primeiro jogo parecia não precisar de uma continuação, terminando o seu ciclo (literal e figurado) de uma forma perfeita. Quando cliquei “jogar” agora no ficheiro de Hades II na minha aplicação do Steam, fiquei largos minutos no menu inicial à espera de ganhar coragem de iniciar esta antevisão da sequela de uma das minhas obras dos videojogos mais amadas. A curiosidade era muito, mas o medo da deceção era maior.

E é tranquilamente que me sento hoje aqui, depois de largas horas entre avançar, morrer, voltar, recomeçar, e escrevo com confiança: Hades II tem tudo para ser melhor que o primeiro.

Este poderá bem vir a ser o perfeito segundo filho de uns pais que aperfeiçoaram uma qualquer fórmula mágica na arte de educar uma criança.

Se o vai conseguir?

Só o tempo o dirá.

Esta antevisão foi possível com o apoio da Supergiant Games, que nos deu acesso antecipado no Steam.

Hades II

Hades II
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Nível de Hype:

Máximo

Lançamento: 2024-05-06 Ano: 2024
Saga/Série: Hades
Distribuição:
Picture of Filipe Branco
Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

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