São muito poucas histórias que carregam o peso e a iconografia do terror como Michael Myers. E com esta visão tivemos a promessa de um jogo dedicado só a esta fantástica criação de John Carpenter que trouxe expectativas muito elevadas, especialmente para os fãs de Myers. O que na realidade após a experiencia dos 5 capítulos introdutórios single player e algum tempo em modo online acabamos por compreender que existiu potencial desperdiçado que todos gostaríamos de ver um aproveitamento muito mais cuidadoso.

Uma campanha que sabe a tutorial glorificado
O jogo começa com 5 capítulos em single player que claramente são um tutorial expandido do jogo. O melhor desta experiencia solitária no corpo de Myers é exatamente o ambiente fantástico que mostra uma atmosfera opressiva com as ruas escuras e uma banda sonora icónica que não deixa os fãs indiferentes. Além disso, notamos que este modo single player acaba muito rápido, cerca de 2 horas, e deixa um vontade de ter um pouco mais.
Além da atmosfera opressiva e assustadora em Haddonfield, o jogo fica longe de oferecer uma narrativa cinematográfica rica ou missões elaboradas. Estes 5 capítulos explicam, e muito bem, as mecânicas do jogo, formas perseguição ou mesmo de assassinato. Com uma grande falta de variedade de objetivos, a jogabilidade acaba por cair numa rotina bem repetitiva: observar, aproximas e eliminar os alvos sem grandes desafios, não existe uma IA complexa para as pessoas de Haddonfield nem mesmo um sistema de progressão que seja envolvente o suficiente.

Falta de inovação e repetição
Quando finalmente vamos para o foco principal dos devs, o multiplayer, o jogo começa a mostrar algumas ideias interessantes, controlar o shape, dar stalk e a necessidade de venceres estrategicamente os “sobreviventes”, conseguem provocar vários momentos de tensão genuína e ansiedade.
O título pouco acrescenta ao género do terror, é verdade que jogar na pele de Myers é interessante, mas o jogo segue fórmulas já bastante exploradas por rivais do mercado sem trazer um dinamismo que justifique uma dedicação a longo prazo.
Tanto como Myers ou sobrevivente, as tarefas tornam-se repetitivas ao fim de poucas partidas, faltam algumas camadas de profundidade e o fator surpresa dissipa-se rapidamente.

Desempenho técnico: o verdadeiro susto?
Graficamente, o jogo mostra-nos um cuidado lindissimo, bem polido e com imenso conteudo nos mapas. Mostra-nos uma Haddonfield sombria mas bonita.
O aspeto mais prejudicial à experiência na PS5 é o seu estado técnico. O jogo sofre com alguns bugs e falhas:
- Animações rígidas e muitas colisões imprecisas.
- Bugs visuais e de interação.
- Elementos de cenário que prendem as personagens até comportamentos ilógicos da AI.
- Quebras de ritmo e problemas de polimento que retiram qualquer imersão que a excelente direção de som e luz consegue construir.

Veredicto
Halloween: The Game ganha confiança graças ao carisma inegável da sua licença e entrega-nos uma reconstituição visual e sonora competente de Haddonfield. Mas infelizmente, somente boas intenções e nostalgia não chegam para mascarar uma jogabilidade interessante mas com muitas falhas e pontos a melhorar. Para os fãs incondicionais da franquia, pode valer por algumas partidas casuais no multijogador, mas como proposta sólida de terror, não nos consegue agarrar durante muitas horas. Muito do hype que o jogo pode ter criado entre os fãs de terror, também de pode dever ao anúncio da serie (Crystal Lake) que contará como prequela das história de Myers que todos conhecemos, mas não se tornou suficiente.