Na saga dos reboots temos mais um, Hellboy e o Homem Torto. Neste novo filme, o diretor Brian Taylor e o criador da banda desenhada, Mike Mignola, juntaram-se de forma a conseguirem capturar e transmitir a real essência desta icónica personagem.
Este reboot teve como inspiração a história original da banda desenhada de Mike Mignola. Um novo Hellboy é apresentado, agora interpretado por Jack Kesy, seguindo os passos de Ron Perlman, que deu vida ao personagem nos dois primeiros filmes (2004 e 2008) realizados por Guillermo del Toro, e de David Harbour, que assumiu o papel em 2019 no filme de Neil Marshall.
Hellboy e O Homem Torto é uma tentativa de reviver o franchise precedido pelos filmes de 2004 e 2008, que são muito apreciados pelos fãs, e o filme de 2019, que ficou um pouco aquém da essência e da história. Fazendo dupla com a personagem de Jack Kesy, temos Bobbie Jo Song que dá vida à personagem da agente Adeline Rudolph. Outros nomes envolvidos são Jefferson White, Leah McNamara, Hannah Margetson, Martin Bassindale e Joseph Marcell.

Hellboy e O Homem Torto leva-nos para os anos 50, onde vemos a agente Adeline Rudolph em conjunto com o Hellboy numa cidade controlada pelo mal e pelas bruxas. Nela combatem uma criatura paranormal, o Homem Torto, de modo a proteger a cidade de Appalachia. Durante o filme é nos apresentada a personagem de Tom, interpretada por Jefferson White, que tem um papel importante no desenrolar da história e no seu desfecho.
Os elementos de terror estão muito mais presentes, tanto a nível cinematográfico como a nível da banda sonora. É de destacar que a banda sonora está muito bem encaixada nas várias cenas, apesar de ser previsível quando vão acontecer ou aparecer elementos mais assustadoras. Os cenários remetem ao terror dos anos 50, algo que apreciei bastante. Apesar de parecer um pouco de baixo orçamento, acredito que se adequou muito bem à época em que o filme se passa, tanto na caracterização dos personagens quanto nos detalhes dos cenários.
Um novo Hellboy
Podemos ver um Hellboy mais fiel à banda desenhada, com uma caracterização mais negra e aterrorizante. A imagem deste Hellboy encontra-se diferente quando comparada com os outros filmes, mas a essência continua lá. Com esta caracterização de Jack Kesy é possível ver os dois lados da personagem, o lado sombrio e assustador, mas também o lado emocional. Conseguimos observar também ao longo do filme alguma evolução da personagem.
Em Hellboy e O Homem Torto é possível distinguir claramente os diferentes capítulos que a realização deseja transmitir, evocando muitas nuances dos filmes de terror dos anos 50, que frequentemente utilizam eta estratégia para marcar momentos importantes da história.

Um ponto que achei curioso e bastante interessante foi o facto de o início do filme começar com a abertura da porta do camião onde se encontram Hellboy e Adeline, e o término do filme ter sido com o fecho da porta do helicóptero onde estas duas personagens se encontram. Isto deu a entender que esta história encontra-se encerrada e a cidade foi salva do mal que a assombrava.
Pode haver espaço para um segundo filme e até um terceiro, pois Hellboy e Adeline têm ainda muito espaço para crescerem. Seria interessante continuar a ver a sua aventura no combate de outras criaturas paranormais. Gostaria de também perceber melhor a origem da Adeline. Apesar de ter sido mencionada, acho que o facto de ter usado algo parecido a feitiçaria pode ter acordado uma parte mais adormecida da personagem, e pode eventualmente ser usada nos próximos filmes.
Há alguns aspetos que poderiam ter sido melhor trabalhados, como a transição de certas cenas, que parecem um pouco forçadas, e a exposição das imagens, que em várias partes do filme torna difícil distinguir o cenário e os detalhes das feições com clareza. As cenas de ação e luta também apresentaram falhas frequentes, pois os ângulos não favoreciam a visualização, e a escuridão da tela dificultava o entender da coreografia das sequências. Gostei do facto de ter sido mais centrado no terror, mas tendo algumas tentativas de comédia. A banda sonora foi uma das partes que mais adorei no filme como também a cinematografia.

Na minha opinião, esta foi uma boa adaptação de Hellboy, e em comparação com os filmes anteriores, é possível notar uma diferença clara, com um foco bastante distinto. Hellboy e O Homem Torto conseguiu refletir bem o terror da história, adequando-o à época em que se passa. No geral, embora haja alguns pontos negativos que, se aprimorados, fariam grande diferença, gostei da nova adaptação. É um filme sólido, com potencial para sequências que sigam nessa mesma direção.