Novo Western, velhos problemas e uma nova saga
Kevin Costner de volta aos westerns mas, mais importante é o seu regresso à cadeira de realizador passado duas décadas, será o seu regresso em força?

Horizon: Uma Saga Americana – Capítulo 1 é o início de uma saga de filmes que exploram o expansionismo americano do século XIX e a violência crua da época. Na sua raiz, o filme completa o seu propósito e deixa bastante história por contar (algo que será abordado com os seguintes 3 filmes). No entanto, também por seu próprio infortúnio, o enredo apresentado acaba por ser um pouco aquém do que poderia ser. O diálogo não é sempre o melhor e, na sua maioria, o filme foca precisamente mais no diálogo (em elevada substância), que é algo um pouco atípico de westerns modernos com frequentes cenas de ação.
Um elenco fortíssimo é apresentado e ajuda a sustentar o diálogo durante este filme de 3 horas. que consiste em atores e atrizes com a bagagem profissional ideal para o projeto e até mesmo jovens promessas à mistura. Atores como Sam Worthington (Trent Gephart), Ella Hunt (Juliette Chesney), Sienna Miller (Frances Kittredge), Owen Crow Shoe (Pionsenay), Michael Rooker (Thomas Riordan) e claro, o próprio Kevin Costner (Hayes Ellison). São apenas alguns dos muitos que se apresentam nesta produção da saga que, de importância notar, é composta de 171 personagens com diálogo das quais cerca de 40 com papéis substanciais. Um alvo recordista sem dúvida.

O primeiro capítulo dedica bastante tempo à introdução das personagens e às suas histórias, todas entrelaçadas em torno da futura localidade de Horizon, desejada por diversos colonos. No entanto, surgem complicações quando o território já está ocupado pelos nativos, especificamente uma tribo Apache. Mais uma vez, um dos pontos fortes desta obra é a narrativa histórica que explora a dureza da vida no Velho Oeste. Temas como perda, vingança, esperança e a natureza implacável do ser humano são profundamente explorados. Fica o interesse em ver como esses eventos culminarão nas futuras sequências, já que este primeiro capítulo se desenrola ao longo do ano de 1859, uma época significativa devido à iminência da Guerra Civil Americana e aos conflitos entre os americanos e os nativos.
A produção em termos técnicos apresenta uma alta qualidade, com um bom trabalho de câmara, que captura planos bem executados e uma paleta cromática atraente que varia conforme os diferentes biomas mostrados ao longo do filme. A banda sonora é eficaz, complementando todas as cenas, desde as mais intensas até as mais serenas, e o trabalho de captura e mistura de som é notável, especialmente quando ouvido em sistemas de som de alta qualidade em cinemas. Kevin Costner certamente demonstra estar à vontade tanto atrás quanto na frente das câmaras. Este primeiro capítulo serve como uma boa introdução, embora deixe o desejo por mais. Será no próximo capítulo que esperamos obter uma imagem mais clara do que esta saga promete ser.